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“Estive à beira do poço”: Mariana Ferrão fala abertamente sobre depressão e recaídas

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Ramón Vasconcelos / TV Globo

Mãe de dois meninos, Miguel (3) e João (1), a apresentadora Mariana Ferrão revelou em entrevista à revista Contigo que já teve depressão e, por isso, ficou com medo de a doença reaparecer durante sua segunda gestação.  

“Eu estive à beira do poço recentemente e, quando a gente está neste estado, percebemos que vamos entrar em depressão novamente. A meditação me ajudou muito a não afundar”, relembra Mariana.

E esta preocupação realmente fazia sentido. Em entrevista ao programa Bem-Estar, o neurocientista e fundador do Centro de Mentes Saudáveis, nos Estados Unidos, Richard Davison, afirma que pessoas que já tiveram depressão têm mais chances de terem a doença novamente.

Depressão: é comum ter recaídas?

A depressão não é só passar o dia na cama. Trata-se de uma doença que apresenta inúmeros sintomas que, às vezes, não são entendidos como parte da doença, como irritabilidade constante e dificuldade de concentração. Isso faz com que muitas pessoas demorem para procurar ajuda ou acabem nunca sendo diagnosticadas.

O quadro, porém, é grave. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença é a a maior causa de invalidez no mundo e afeta 300 mil pessoas globalmene. No Brasil, 7,6% da população adulta está sofrendo com o transtorno.

Um dos principais sintomas é a tristeza constante e, por isso, muitas pessoas não conseguem distingui-la da tristeza passageira e acabam não tratando o problema corretamente.

Quando negligenciada, a depressão pode causar desregulação do sono, do apetite e alterações no humor. Além disso, as recaídas podem se tornar frequentes.  

Tratamentos para depressão

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piyapong sayduang/shutterstock

“Nos casos mais leves, a psicoterapia é suficiente para devolver ao indivíduo a qualidade de vida, ao mudar padrões de comportamento. Mas para casos moderados a graves, o uso do medicamento é imprescindível”, explica o psiquiatra e presidente da Associação Psiquiatra da América Latina (APAL), Antônio Geraldo da Silva.

Além disso, a meditação também pode ser utilizada como parte do tratamento, conforme cita a apresentadora Mariana Ferrão.

Meditação para curar depressão

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Divulgação/TV Globo

Davison conta que estudos recentes provaram que a terapia baseada na atenção plena (tipo de meditação também conhecido como mindfulness) reduz as chances de recaídas. O mindfulness tem como objetivos fazer com que as pessoas esvaziem suas mentes e promover um mergulho no autoconhecimento. 

Além disso, já foi provado que esta técnica é capaz de aumentar as áreas do cérebro ligadas ao aprendizado, à memória e ao controle das emoções em apenas oito semanas de prática. Contudo, para que estas mudanças se sustentem, é preciso que a prática seja diária.

Na Inglaterra, o Instituto Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda formalmente terapia cognitiva baseada em mindfulness como uma das alternativas para o tratamento de depressão.

Mariana afirma que redescobriu a meditação já durante a segunda gravidez e que ela foi fundamental para que ela conseguisse controlar a ansiedade e não ficasse depressiva novamente. Atualmente, a apresentadora medita todos os dias por 10 minutos pela manhã antes do início do seu programa.

“A meditação te propõe entender que você tem um problema, mas que você não precisa se preocupar com aquilo no momento. A gente cria muitas histórias mentais que nos fazem mal, nos deixam ansiosos, deprimidos. É uma libertação perceber que o pensamento não é você”, comenta a apresentadora sobre alguns ensinamentos que a prática trouxe a ela. 

Diagnóstico da depressão