Preocupante: mais de 40% nos EUA está com HPV; no Brasil, muitos têm e não sabem

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Mais de 42% dos norte-americanos com idade entre 18 e 59 anos está infectado com o Papilomavírus Humano (HPV). É o que aponta a primeira pesquisa para estimar o número de adultos contaminados pelo vírus no país.  

O relatório foi publicado pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Estados Unidos e aponta ainda que, desses casos, aproximadamente 31 mil acabam em câncer anualmente.

“No Brasil, o crescimento de infectados cresce a passos largos, assim como nos Estados Unidos. As estatísticas são muito parecidas”, alerta a ginecologista Marise Samama, Mestre e Doutora pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), especialista em patologia do trato genital inferior e colposcopia.

O que é o HPV

O Papilomavírus Humano é um microorganismo transmitido quase exclusivamente pelo contato sexual.

Na maior parte dos casos, não oferece grandes riscos à saúde, mas, dependendo do tipo de infecção, pode causar cânceres potencialmente fatais.

São poucos os pacientes que desenvolvem sintomas do HPV e, por isso, o acompanhamento médico de rotina e a realização de exames preventivos são muito importantes.

Quais são os sintomas?

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente cerca de 5% das pessoas infectadas pelo HPV desenvolverá alguma forma de manifestação.

Os sintomas incluem verrugas e lesões que podem se manifestar em locais como a garganta, boca, área genital externa e interna, região perianal e ânus.

Porém, o aparecimento da doença está muito ligado à imunidade do organismo. Por isso, é possível contrair o HPV e só desenvolver uma lesão anos depois, em um momento frágil da imunidade.

“Inclusive, é possível que uma pessoa tenha contato com o HPV, mas esteja com o sistema imunológico tão fortalecido que ele não permite a entrada no corpo”, conta a Dra. Marise Samama.

É perigoso?

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Existem mais de 150 tipos de HPV, pois se trata de um vírus mutante. A maior parte desses será eliminada naturalmente pelo corpo, muitas vezes sem que o paciente saiba que entrou em contato com o vírus, e não oferecerá perigo.

Porém, 12 subtipos apresentam alto risco de causar lesões pré-cancerígenas, que, se não cuidadas, podem culminar no câncer.

Os tipos 16 e 18 do HPV são considerados os mais perigosos, pois causam cerca de 70% dos casos de câncer do colo de útero em todo o mundo. Também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos cânceres de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar.

Segundo Marise Samama, o número de homens e mulheres contaminados é semelhante.

“O que diferencia o risco maior para as mulheres é por conta do sistema imunológico. Acredita-se que o ciclo menstrual cause uma flutuação hormonal e faça a imunidade variar bastante”, aponta.

HPV no Brasil

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Segundo a ginecologista, demora cerca de 10 anos para que o HPV evolua para um câncer. Além disso, a maioria dos casos de infecção não tem potencial cancerígeno. Por isso, o vírus é considerado altamente tratável.

O problema está no diagnóstico: no Brasil, onde o acesso à informação e à saúde é limitado, muitas pessoas só descobrem a infecção quando já desenvolveram o câncer. 

Estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas irão adquirir o vírus ao longo da vida no mundo. 

De acordo com dados do INCA, o Brasil pode ter a ocorrência de 16.340 novos casos de câncer do colo do útero em 2017. O número representa um risco de 15,85 casos a cada 100 mil mulheres brasileiras.

A estatística mais recente da instituição sobre mortes em decorrência deste tipo de câncer é de 2014 e aponta um número de 5.448 mulheres.

“Na verdade, muitas pessoas têm HPV, mas não apresentam nenhum sinal ou sintoma, elas não fazem ideia disso, mas podem transmitir para outras pessoas”, diz a especialista.

Exame para detectar o HPV

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É possível constatar o HPV através de alguns exames, como o teste de captura híbrida. Nele é feito um esfregaço de colo, vagina e vulva, em que o material servirá para análise de DNA do vírus.

Também é feito colposcopia, vulvoscopia e anuscopia. As biopsias são feitas de lesões observadas nesses exames e podem ser do colo, vagina, vulva ou até ânus.  

Já o Papanicolau é capaz de detectar células cancerígenas, que podem ser decorrentes ou não do HPV.  

Nos homens, o exame pode ser feito a olho nu, caso apareça alguma verruga. Mas a peniscopia é mais certeira, em que o médico detecta pequenas lesões na região e indicam ou não o HPV.

Como é o tratamento?

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Quando o paciente contrai o vírus com baixo risco para câncer ou desenvolve algum sintoma, como uma lesão, a orientação é cuidar da imunidade e, provavelmente, o corpo fará o trabalho sozinho para eliminar o Papilomavirus humano.

“Para isso, é preciso se alimentar com ingredientes saudáveis, dormir bem, beber bastante água, praticar exercícios e gerenciar o estresse”, aponta.

“Se o HPV for de alto risco para câncer, é preciso também cuidar da imunidade, e muitas vezes usar suplemento vitamínico. E ainda acompanhar a evolução da lesão com o ginecologista”, diz a médica.

“Às vezes, é preciso cauterizar ou usar outros métodos para evitar sua evolução.”

Transmissão e prevenção

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O contato com o Papilomavírus Humano é feito, em 99% dos casos, pelo contato sexual.

Outras formas de transmissão são o contato durante o parto e uso compartilhado de objetos pessoais, como sabonete. “Porém, é muito difícil isso acontecer, pois o vírus sobrevive apenas por um minuto em ambiente externo”, ressalta Marise.

Altamente contagioso, o contato direto com pele ou mucosa infectada é perigoso. O vírus pode ser transmitido tanto durante a penetração quanto via sexo oral e até mesmo pelo contato da mão com o órgão genital.

É essencial o uso do preservativo em todas as práticas sexuais para prevenir o HPV. “É preciso fazer o sexo com camisinha do início ao fim. É muito comum colocar a proteção apenas na hora de ejacular, e isso não é correto para evitar doenças”, diz a especialista. Existem também duas vacinas contra os tipos mais comuns do Papiloma Vírus Humano

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