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13 Reasons Why: como série que aborda suicídio aumentou em 445% busca por ajuda

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Divulgação/Netflix

Suicídio é um grande tabu: muitas pessoas o tratam como uma vergonha e não como o resultado de um grave transtorno mental e emocional. Uma nova série de ficção - 13 Reasons Why, da Netflix - conseguiu algo muito valioso ao retratar a história de uma menina que tira a própria vida e fazer as pessoas falarem mais sobre isso - houve um aumento notável no número de pedidos de ajuda depois que o programa virou uma "febre".

Na produção, a morte foi inevitável, mas na vida real, ainda há tempo para identificar e ajudar alguém com comportamento suicida. 

Como série quebrou tabu do suicídio

A história de uma garota que comete suicídio e deixa fitas cassetes contando os porquês que a levaram a se matar não é mais uma série da ficção. Criada pela Netflix, 13 Reasons Why se conecta com a realidade de uma maneira especial ao mostrar as diversas tentativas falhas de obter ajuda por quem comete suicídio.

Baseada no romance de mesmo nome do escritor americano Jay Asher, a produção conta a história que levou ao fim da vida de Hannah Baker (Katherine Langford). Tudo pelo ponto de vista de Clay Jensen (Dylan Minnette), que era amigo, apaixonado pela garota e ao mesmo tempo um das causas que a levaram a atitude extrema.  

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Beth Dubber/Netflix

O tom do seriado é tocante e até mesmo perturbador, visto que a cada episódio fica uma pergunta: "Como ninguém percebeu o que estava acontecendo com ela? Por que ninguém ajudou?"

Infelizmente, o suicídio ainda é um tabu que vem acompanhado de frases como “É drama”, “Quem quer faz e não anuncia” e “É só para chamar atenção”. Essas afirmações, que foram inclusive ouvidas pela protagonista de 13 Reasons Why, de nada ajudam. Pelo contrário, elas só incentivam a pessoa a se sentir cada vez mais sozinha e infeliz.

Com apenas uma semana desde sua estreia, o drama fez com que temas polêmicos como bullying, estupro, depressão e suicídio voltassem a ser discutidos. Quem acompanha o Twitter viu a hashtag #NãoSejaUmPorque nos trending topics. Além disso, o Netflix lançou um vídeo com relatos reais de famosos que sofreram bullying.

Mais do que assunto de discussões, os episódios também fizeram crescer o número de contatos feitos com o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação brasileira voltada à prevenção do suicídio que disponibiliza voluntários para conversar anonimamente sobre temas delicados via telefone, internet ou pessoalmente.

De acordo com a assessoria de imprensa do CVV, houve um aumento de 445% no número de e-mails com pedido de ajuda. Entre essas mensagens, 50 citavam o seriado.

Foi notada também uma alta de 170% no número de pessoas que visitam o site e é possível, ainda, que tenha acontecido um aumento no número de telefonemas, mas o CVV leva um pouco mais de tempo para contabilizar o montante de ligações. 

Por outro lado, o programa vem também sendo alvo de críticas, uma vez que pode conter os chamados gatilhos, passagens que despertam lembranças ou sentimentos específicos em pessoas que já têm tendências suicidas ou mesmo depressivas. Por isso, é recomendado cautela para quem quer assistir 13 Reasons Why e possui essa característica. 

Como identificar o comportamento suicida

Se no seriado não foi possível evitar a morte, na vida real existem atitudes que podem evitar o desfecho trágico. A ajuda de profissionais - psiquiatras e psicólogos - é fundamental e nada a substituirá. Mas, para tornar possível a busca por esse auxílio especializado, a atenção de quem está ao redor do indivíduo em questão é fundamental.  

Atitudes características

Imagine uma sensação de tristeza profunda. O coração está tão cheio de mágoas que parece que vai explodir. Já a mente convive com uma confusão e apatia sem fim que não passam em nenhum momento. Então, vem o menosprezo por si próprio, a vergonha e a culpa por sua ações, por mais que elas não tenham sido erradas. Por fim, a vontade de parar de sentir tudo isso e “dormir” para sempre. 

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LaVika/Hopeful.ya/Shutterstock

Esses são apenas alguns dos inúmeros sentimentos que levam ao suicídio. Erroneamente, há pessoas que acreditam que quem se mata é egoísta, o que não é verdade pois a decisão é fruto de muita dor e sofrimento.

O olhar atento e compreensão são pontos-chave para identificar e evitar o acontecimento. Como cada pessoa lida com a vida e a dor de maneiras diferentes, não há uma lista de sintomas. Mas geralmente são apresentados sinais de comportamento suicida, como:

  • Mudança de comportamento
  • Desanimo 
  • Desesperança
  • Agressividade ou impulsividade anormais
  • Não enxergar sentido na vida
  • Isolamento
  • Conversas sobre morte
  • Automutilação
  • Histórico pessoal ou familiar de tentativa de suicídio anterior
  • Perdas recentes
  • Abusos físicos ou sexuais 
  • Dependência repentina ou histórico de consumo de álcool e ou drogas

Além disso, alguém que planeja se matar pode passar a “colocar a vida em ordem”, organizando documentos e finanças, se desapegando de pessoas e coisas, doando bens materiais e se despedindo.

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stevepaint/shutterstock

Por fim, relata-se uma mudança positiva de humor pouco antes de o suicida acabar com sua vida, o que faz com que amigos e parentes pensem que a pessoa melhorou. Contudo, isso se deve ao fato que a decisão de se suicidar pode dar alívio ao sofredor.

Fatores que podem causar

Transtornos psiquiátricos

Depressão, esquizofrenia, bipolaridade e distúrbios de personalidade são os principais transtornos mentais que levam a essa atitude extrema. Importante frisar que nem todo desequilíbrio mental vira suicídio, porém quem apresenta esses quadros tem mais chances devido às características e à estigmatização da sociedade, que tem a cruel tendencia de excluir pessoas diferentes.

Doenças não psiquiátricas

De acordo com a cartilha de prevenção de suicídio do Conselho Federal de Medicina (CFM), a presença de doenças crônicas não psiquiátricas, como Aids e esclerose múltipla, também pode levar ao quadro, principalmente se o tratamento não estiver fazendo efeito. 

Uso de drogas

O uso de álcool e outras drogas pode colaborar e agravar o quadro de suicídio.

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Pretty Vectors/shutterstock

Bullying

O suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens. O acontecimento pode ser motivado por diversos aspectos comuns da adolescência e início da vida adulta, como abuso de substâncias ilícitas e, assim como a personagem Hannah em 13 Reasons Why, bullying na escola.

Traumas

Abuso sexual, físico ou verbal ou outras situações que incitam a tendência suicida, especialmente se os eventos ocorrerem na infância.

Histórico familiar

A psiquiatra Maria Cristina De Stefano explica que o acontecimento também possui influência genética que causa alterações fisiológicas em neurotransmissores e na química do cérebro. A confirmação de histórico familiar de suicídio pode ser um indício dessa probabilidade.

Há seis perguntas que podem indicar risco

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GoodStudio/shutterstock

O Conselho Federal de Medicina indica seis perguntas para identificar o risco de suicídio:

  • Você tem planos para o futuro?
  • Vale a pena viver?
  • Se a morte viesse, você fugiria dela?

Se você respondeu “não” para essas questões, é possível que exista algum problema emocional ou psíquico. Siga para as demais perguntas:

  • Você está pensando em se machucar ou morrer?
  • Você tiraria sua vida? Tem algum plano para isso?
  • Já tentou se matar antes?

Se alguma resposta for “sim”, é muito provável que apresente um comportamento suicida. 

Como pedir ajuda?

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victoria1/shutterstock

Respire fundo e saiba que há esperança de uma vida melhor, por mais que ainda não consiga enxergá-la. O primeiro passo para livrar-se dessa tristeza é buscar ajuda de amigos, familiares e profissionais de saúde, como psicólogos e psiquiatras. 

Outra opção é procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação composta por voluntários que estão dispostos a conversar sobre depressão e suicídio 24 horas por dia. A grande vantagem é que não é preciso se identificar, sendo o atendimento totalmente sigiloso. Entre em contato pelo site do CVV, telefone 141 ou pessoalmente em postos da organização. 

Como ajudar alguém?

Se perceber que um colega, amigo ou parente está com sinais de que planeja acabar com a própria vida, busque um profissional da saúde, como psicólogo ou psiquiatra, urgentemente para receber orientações. 

Também tente conversar e, principalmente, ouvir a pessoa em sofrimento: frases como “estou aqui para você”, “eu te entendo, sei que é difícil” e “como posso te ajudar?” são simples, mas já fazem a diferença ao mostrar que seu conhecido não está só.

Além disso, é preciso ficar atento a atitudes que indiquem que o indivíduo realizará um atentado contra a própria vida em breve, observando-o e acompanhando sua rotina sempre que for preciso. Os dias que merecem mais atenção são domingo à noite e segunda-feira pela manhã, já que o início de uma nova semana pode aumentar ainda mais o sofrimento.

Os números do suicídio

É impossível ignorar: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos, número que totaliza 804 mil casos por ano. Contudo, esse dado é um tanto irreal pois não considera as pessoas que quase acabaram com a própria vida, visto que a cada dez mortes reportadas ocorreram de 40 a 60 tentativas.

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Arte Vix

Infelizmente, no Brasil a situação não é muito diferente. O país é o 8° com o maior número de casos.

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