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Doença da urina preta: após meses de investigação, pesquisadores chegam à causa

Publicado em 13 de março de 2017

Entre o final de 2016 e o início deste ano, uma misteriosa doença que provoca escurecimento da urina acometeu mais de 50 pessoas na Bahia. Na época, cientistas levantaram algumas hipóteses sobre a causa do problema, que estaria relacionado a infecções bacterianas e virais. Meses depois, especialistas afirmam que finalmente descobriram a origem da doença.

Doença de Haff

Um estudo realizado por pesquisadores independentes chegou à conclusão de que a urina preta é uma das manifestações da Doença de Haff, causada pelo consumo de peixes infectados por uma toxina presente em algas e corais, cujo agente causador ainda não foi especificado. As informações foram divulgadas pelo site de notícias G1.

Na pesquisa, foram analisadas amostras de fezes, urina e sangue de 15 pessoas doentes e 14 delas disseram ter comido peixe até 24 horas antes do aparecimento dos primeiros sintomas - a 15ª pessoa afirmou ter ingerido um prato típico baiano que geralmente também contém peixe.

Como os pacientes analisados não apresentaram nenhum sintoma comum relacionado a infecção viral – como febre e dificuldades respiratórias –, que era uma das principais hipóteses para explicar a doença da urina preta, os pesquisadores associaram à doença a ingestão de peixes contaminados. Entre os citados, estão espécies de badejo e olho-de-boi.

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alekup/shutterstock

Sintomas

Em entrevista ao Vix, o infectologista Antônio Bandeira, que liderou os estudos, explicou que os sintomas da doença incluem dores na região cervical, no músculo trapézio e dores musculares nos braços, pernas, coxas e costas.

Cerca de um terço dos doentes ficam também com a urina escura, com cor de refrigerante de cola. Isso acontece por conta da inflamação e lesão muscular, que liberam na corrente sanguínea algumas substâncias resultantes do metabolismo das células musculares – quadro chamado de rabdomiólise.

Riscos

Na época de maior incidência, duas mortes foram associadas à doença, mas, de acordo com as secretarias municipal e estadual de Saúde da Bahia, a relação foi descartada em ambos os casos. Os pesquisadores explicam, no entanto, que a Doença de Haff pode ser fatal em casos raros porque pode causar insuficiências nos rins.

Tratamento

O Dr. Antônio Bandeira explicou que as consequências da doença são reversíveis com certa rapidez, exceto a insuficiência renal aguda, que precisa de atenção por um prazo maior. Os cuidados incluem hidratação rigorosa para prevenir insuficiência nos rins, repouso e analgésicos comuns. O especialista alerta também para a importância de não tomar anti-inflamatórios, que podem piorar a função renal.

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