Tudo sobre endometriose: causas, sintomas, tratamentos, chances de engravidar e mais

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Endometriose é uma doença grave que atinge mais de 6 milhões de brasileiras, de acordo com a Associação Brasileira de Endometriose (SBE). Se não tratada, pode causar quadros de dores intensas e infertilidade, impedindo que a mulher engravide. Caracterizada pela presença do endométrio - que é a camada que reveste a região interna do útero - fora do órgão, pode atingir mulheres logo a partir das primeiras menstruações até a menopausa.

Apesar de não ter cura, o diagnóstico prévio e o tratamento correto podem amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida da paciente. Para informá-la, preparamos um guia com tudo sobre a doença. 

O que é: entenda a endometriose

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Mensalmente, o útero se reveste de uma camada chamada “endométrio”, que tem a função de acolher o embrião em caso de gravidez. Todavia, quando não ocorre gestação, essa mucosa se descama e sai pela menstruação. Já em casos da doença, essa camada se instala em outras partes do corpo, como a cavidade abdominal, os ovários e o intestino. 

É possível separar em dois os tipos de endometriose: superficial e profunda. A primeira é menos agressiva e penetra em menos que a 5 milímetros da superfície do tecido. Já a profunda é caracterizada por lesões maiores do que essa medida e que podem atingir diversas partes do corpo, desde trompas até o intestino. 

Atinge quais órgãos?

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A ginecologista e mastologista Heliégina Palmieris explica que a endometriose pode chegar a diversos locais do corpo, mas os mais comuns são os ovários, trompas, ligamentos uterinos, bexiga, intestino, vagina, apêndice e ureter. O grande perigo desta migração é que as células podem prejudicar a função de outros órgãos, o que acarreta em sérios riscos de saúde para a paciente.

Nestes casos, o médico deve avaliar a necessidade de intervenções cirúrgicas para controlar a doença e seus sintomas. Foi o caso da química Regina Célia. "Após duas videolaparoscopias, fiz outra cirurgia para tirar um pedaço do intestino devido aos focos de endometriose. Mais de dois anos depois, tive que fazer um novo procedimento, agora para retirar o útero, duas trompas, um ovário e mais um pedaço do intestino", conta ela, que teve um alívio das dores após as intervenções.

Causas

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Os fatores que acarretam o mal ainda são desconhecidos, mas acredita-se que há ligação entre genética e o aparecimento das lesões. A ginecologista e obstetra Heloisa Brudniewski explica que a menstruação retrógrada, fenômeno em que as células endometriais voltam ao invés de serem expulsas pela menstruação, é um deles. 

Outro possível fator, desta vez indicado pela Dra. Heliégina, é a transformação de células, que podem ser embrionárias ou peritoneais (que estão dentro do abdômen), em endometriais por causa de hormônios e coeficientes imunológicos.

Outras motivações indicadas pelas especialistas são o transporte de células endometriais pelo sistema linfático, doenças imunitárias e acúmulo de tecido em cicatrizes.

Atinge que idade?

A partir da primeira menstruação já há risco de endometriose, podendo acontecer em qualquer momento da vida da mulher após esse período.

Sintomas

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Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), os sinais mais comuns da doença são:

  • Cólicas frequentes e intensas durante a menstruação
  • Dores abdominais, independente de estar no período menstrual
  • Dificuldade para engravidar
  • Intestino preso, solto ou dor para evacuar durante a menstruação
  • Dores durante a relação sexual
  • Desconforto/sangramento ao urinar na época da menstruação

Engorda?

Apesar de ser uma dúvida bastante comum, Dra. Heloisa afirma que não há relação entre o ganho de peso e a doença. Já Arlindo Brun, ginecologista e obstetra da clínica Acesso Saúde e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, explica que a presença de células do endométrio no abdômen pode resultar em inchaço, o que dá a impressão de ganho de peso.

Pode engravidar?

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A relação entre a doença e a gestação causa angústia nas mulheres que possuem o quadro. Todavia, quem tem endomedriose pode engravidar, mas pode haver dificuldades, já que o problema causa obstruções, aderências e outras alterações que dificultam a implantação e mantimento do embrião, podendo resultar até mesmo em gravidez fora do útero.

Portanto, é preciso seguir o tratamento indicado por seu médico corretamente. Além disso, alternativas como a reprodução assistida também podem ser úteis para que a mãe dê à luz.

Existem casos famosos em que é possível se inspirar. A atriz Fernanda Machado fez testes de evolução para ser mãe após ter tido endometriose e conseguiu seguir a gestação com tranquilidade. Além disso, ela também apostou em acupuntura para engravidar e seguiu tratamentos indicados por seu médico.

Diagnóstico

“Sentia dores abdominais que pioravam com a menstruação. Procurei o ginecologista, mas ele não relacionou os sintomas a nenhum problema mais grave”, conta a química Regina Célia, que foi diagnosticada com a doença aos 30 anos. “Alguns anos depois, me casei e, após um ano tentando engravidar, fui a outro médico e veio o diagnóstico: endometriose”, desabafa.

É bastante comum a demora em descobrir o problema, por isso é essencial relatar todos os sintomas ao médico e insistir em investigar o que pode estar acontecendo. Exames de sangue, de imagem e físicos podem pré-determinar a existência da doença, porém o diagnóstico correto só é feito por biópsia, conforme explica o ginecologista e obstetra Arlindo Brun. “A biópsia feita pela videolaparoscopia é a melhor maneira de determinar a existência do problema”, ressalta.

Este exame é uma intervenção cirúrgica em que são feitas pequenas incisões na região abdominal. Depois, é inserida uma câmera que consegue visualizar o órgão que precisa ser analisado. É por meio desse caminho que é coletado o material para biópsia.

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Tem cura?

De acordo com a SBE, esta doença não tem cura definitiva, mas o tratamento bem sucedido podem melhorar seus sintomas e consequências, oferendo uma vida normal.

Pode matar?

Por ser uma doença benigna, ela não mata, mas pode afetar severamente a qualidade de vida da mulher, sendo imprescindível controlá-la e tratá-la previamente.

Pode virar câncer?

Este assunto possui diferentes opiniões de especialistas. Segundo a ginecologista e mastologista Heliégina Palmieris, a endometriose é benigna, mas há estudos os quais indicam que as células endometriais podem evoluir para o câncer. 

Já o Dr. Arlindo Brun afirma que não há associação direta, mas faz um alerta importante sobre o tema: quando a paciente apresenta um quadro semelhante ao de endometriose, não deve ser descartada a possibilidade de câncer de endométrio, uma vez que os sintomas podem se confundir.  Esse é um dos tipos de câncer mais comuns em mulheres e também causa uma mudança no padrão do revestimento do útero.

Tratamento

O problema pode ser controlado por remédios e meios cirúrgicos, a depender da gravidade e grau de desenvolvimento do quadro.

Medicamentos

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O tratamento clínico consiste no uso de anti-inflamatórios e analgésicos que ajudam a controlar os sinais. 

Além disso, também podem ser administrados hormônios, DIU e alguns tipos de pílulas anticoncepcionais para controlar e até mesmo parar o ciclo menstrual, evitando o avanço da doença.

Cirurgia

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Em casos de lesões mais extensas ou mulheres que não melhoram com os medicamentos deve ser realizada a cirurgia para retirada dos focos do endométrio fora do útero.Feita pela videolaparoscopia, a intervenção ameniza os sintomas e melhora as chances de engravidar. 

Apesar de oferecere bons resultados, o método cirúrgico não garante a cura, visto que as lesões podem reaparecer, o que ressalta a importância de um acompanhamento constante. 

Precisa retirar o útero?

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Apesar de ser uma das principais dúvidas sobre endometriose, quem possui a doença não necessariamente precisa remover órgãos. Esta intervenção só ocorre em casos mais graves ou quando a mulher não deseja ter mais filhos.

Apesar disso, o procedimento não é garantia de que a endometriose pare de progredir, visto que o estrogênio produzido pelos ovários causa a continuidade da doença. 

Prevenção

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Não há métodos absolutos para evitar o problema, mas estudos sugerem que gravidez precoce, uso de anticoncepcionais e atividade física podem reduzir as chances do problema. Também é indicado que mulheres evitem substâncias como café, álcool e cigarro, que poderiam influenciar no problema.

Assim, a maior arma da mulher em idade reprodutiva contra a endometriose é o acompanhamento médico constante, o que faz com que a doença seja diagnosticada logo no início e impede o avanço do quadro.

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