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Febre amarela está mesmo voltando? O que pode acontecer e como nos proteger?

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Um aumento expressivo no número de casos de febre amarela vem preocupando o país, principalmente após o vírus chegar a regiões do Brasil que antes eram consideradas fora de risco para a doença. Esse aumento se deu de forma massiva entre nos últimos anos e segue sendo monitorado. De acordo com o Ministério da Saúde, entre julho de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos humanos e 261 óbitos.

Em janeiro de 2018 a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo já confirmou três mortes por febre amarela na Grande SP, onde há meses parques municipais estão fechados graças à morte de macacos pela doença. 

Febre amarela está de volta?

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Casos no Brasil

Erradicada dos grandes centros urbanos desde 1942, a doença voltou a causar alarme entre os brasileiros.

A infectologista Thais Guimarães, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, explica que, apesar de ser esperado um aumento no número de casos de febre amarela no início do ano – época em que aumenta a circulação de mosquitos -, a quantidade de infectados neste momento é muito maior que o de costume.

Surto de febre amarela: consequências

Disseminação da doença nas cidades 

Thais Guimarães explica que todos os casos detectados agora são silvestres, ou seja, foram transmitidos a pessoas que adentraram zona de mata, onde o vírus da febre amarela é disseminado entre macacos pelos mosquitos Aedes albopictus e Haemagogus.

Mas, quando as pessoas contaminadas nas áreas silvestres voltam para as cidades, elas podem ser picadas e transmitir a doença através do mosquito para outras pessoas. Nesse caso, o vetor passa a ser o mosquito Aedes aegyptis, mesmo transmissor da dengue e do Zika.

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Esse risco pede que sejam realizadas ações para conter a disseminação da doença nas cidades. A especialista explica que, no caso, a recomendação é que quem mora ou vá viajar para as cidades onde foi decretada a situação de emergência e não recebeu a vacina seja vacinado.

Quem está fora dessas áreas e não pretende ir para lá ou para qualquer outra região com endemia de febre amarela não precisa se imunizar.

Doença pode ser grave 

No organismo, o vírus da febre amarela tem uma atração especial pelas células do fígado, que podem ser massivamente destruídas pelo micro-organismo. Em consequência, poderá haver hepatite fulminante e icterícia (amarelamento de pele, olhos e mucosas).

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O vírus também age, através de mecanismos imunológicos, sobre as células que fazem coagulação e, por isso, pode causar hemorragia.

A gravidade dessas consequências depende principalmente da quantidade de vírus recebida na picada e também da presença de algum fator que cause diminuição da imunidade, como é o caso de quem é imunodeprimido por conta do tratamento de um câncer ou fez um transplante, por exemplo. Outros sintomas são dor no corpo e febre alta.

A médica explica, no entanto, que a maior parte dos pacientes evolui bem com o tratamento, que envolve receber sangue, plasma, soro e medicamentos para febre e dor e esperar os próprios anticorpos combaterem o vírus, o que costuma durar pelo menos uma semana.

Como se proteger 

Quem mora ou vai viajar para regiões endêmicas de febre amarela deve tomar a vacina. No caso dos viajantes, a imunização deve ser recebida pelo menos 10 dias antes de uma viagem para uma região endêmica.

No Brasil, as chamadas “áreas com recomendação permanente de vacina contra febre amarela” incluem grande parte do território, especialmente na área continental. Entre eles, os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

Regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia foram incluídas como "recomendação temporária de vacina".

Gestantes, mulheres que estejam amamentando, bebês e pessoas imunossuprimidas devem consultar um médico antes de procurar a vacina para que sejam avaliados individualmente os prós e contras de receber a imunização.

Além da vacina contra febre amarela, a infectologista explica que é importante investir em repelentes, mangas e calças compridas antes de visitar regiões de mata.

Doenças infecciosas transmitidas por mosquito