mulher

Romário faz cirurgia controversa para tratar doença comum e perde 10 kg; entenda

Ver essa foto no Instagram

Eu e @andersonaguia é claro! Kkkkk

Uma publicação compartilhada por Romário Faria (@romariofaria) em

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 16 milhões de brasileiros têm diabetes, doença que faz 72 mil vítimas fatais a cada ano. Tratá-la, seja com dieta, exercícios ou remédios, é fundamental, mas o ex-jogador e atual senador Romário optou por um método no mínimo polêmico para lidar com a sua “diabetes de 400”, como disse, referindo-se aos níveis de glicose no sangue.

Romário optou por fazer uma cirurgia chamada interposição ileal, método controverso realizado pelo cirurgião Aureo Ludovico de Paula. Trata-se da conhecida operação de redução de estômago aliada a um reposicionamento de parte do intestino. Entenda, a seguir, porque essa operação gera tanto debate.

Por que Romário fez a cirurgia 

Apesar de ter perdido 10 kg após o procedimento, a motivação de Romário para fazer a cirurgia, realizada há 45 dias, não foi o excesso de peso. Com 1,67 m e 80 kg, seu Índice de Massa Corpórea (IMC) era de 27 antes do procedimento, o que o classifica no grupo do sobrepeso e, portanto, sem indicação de cirurgia bariátrica para emagrecer.

Em entrevista ao site do programa Globo Esporte, da TV Globo, ele contou que optou pelo método para controlar melhor seu diabetes: “Minha diabetes chegou a 400, então eu decidi fazer essa cirurgia com o doutor Ludovico. Perdi uns 10 quilos. Estava com quase 80 quilos e hoje estou com 70, 69. Eu não tinha esse peso há uns 15 anos.”

Interposição ileal: como é feita a cirurgia e como ela pode melhorar o diabetes 

O endocrinologista Márcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a cirurgia em questão muda o íleo – parte final do intestino delgado – de lugar, colocando o perto do estômago.

Com esse novo posicionamento, o íleo passa a receber o alimento menos digerido, o que estimula a produção da substância GLT-1 que, por sua vez, estimula o pâncreas a aumentar a produção de insulina, hormônio importante para regular as taxas de glicose no sangue.

Além disso, é feita uma gastrectomia vertical, que nada mais é que a redução em 3/4 do tamanho do estômago, que fica com o formato de um tubo. Essa modificação faz com que o indivíduo coma menos e também pode ajudar a controlar o diabetes.

reducao estomago gastrectomia 1400x800 0117
marina_ua/shutterstock

Cirurgia polêmica não é reconhecida como tratamento 

A cirurgia, criada e realizada em animais em 1980 pelos autores Koopmans e Scalfan e iniciada no Brasil pelo médico cirurgião do aparelho digestivo Aureo Ludovico de Paula, ainda está em estudo e não há autorização para que ela seja realizado na população em geral.

De acordo com resolução do Conselho Federal de Medicina, “o procedimento de interposição ileal para tratamento de doença metabólica é técnica experimental, só podendo ser realizada em protocolo de pesquisa de acordo com as normas do CEP/Conep [Comitê de Ética em Pesquisa/Conselho Nacional de Saúde – Ministério da Saúde]”.

Por não haver estudos suficientes sobre a interposição ileal, não se conhecem, por exemplo, os efeitos a longo prazo da cirurgia, tampouco sua segurança e, por isso, a realização em pacientes como um tratamento, e não um estudo, é, ilegal.

Benefícios e segurança da cirurgia são controversos 

O endocrinologista Márcio Mancini explica que a cirurgia bariátrica, de acordo com as técnicas cirúrgicas aprovadas para esse tipo de procedimento, está indicada apenas para dois casos: pessoas com IMC acima de 40 ou de 35 que tenham doenças associadas, como o diabetes, por exemplo.

“Em casos em que o IMC é inferior a 35, como aparentemente é o caso do Romário, não se sabe ainda qual é a eficácia e a segurança desse tipo de procedimento”, explica o especialista. “Para pacientes com obesidade grau 2 ou 3, isso está muito bem estabelecido, mas para quem é magro não, pois, a longo prazo, caso o paciente ganhe um pouco de peso, os benefícios poderão diminuir muito e ele ainda terá que conviver com possíveis complicações da cirurgia bariátrica, como anemia, redução da densidade óssea, desnutrição e déficit de substâncias como a vitamina B12 e a tiamina”.

intestino 1400x800 0117
u3d/shutterstock

O médico recomenda, caso o paciente se julgue um candidato à bariátrica, que consulte um endocrinologista antes. “Hoje existem muito remédios para tratar diabetes que, inclusive, podem diminuir o risco cardiovascular. O paciente corre o risco de pular etapas e fazer uma cirurgia quando podia ter seu diabetes controlado por remédios”.

A redação tentou contato com o médico Aureo Ludovico de Paula através do telefone de seu consultório e de seu telefone pessoal por diversas vezes, mas não obteve resposta.

Cirurgia para emagrecer