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Dengue: tudo sobre ela de forma detalhada e com informações que você nunca teve

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Aunt_Spray/iStock

O virus da dengue é uma das principais preocupações referentes a doenças no Brasil e no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, a infecção registra aproximadamente 50 milhões de pessoas por ano, índice que cresce devido à rápida propagação do mosquito que a transmite, o Aedes aegypti. Isso acontece mesmo com a ampla divulgação de formas de evitar o nascimento do mosquito. Ou seja, pode até parecer que você sabe tudo sobre a doença, mas talvez ainda não tenha todas as informações necessárias. 

O que é a dengue?

É uma doença transmitida pelas fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, que atacam durante o dia e costumam estar em ambientes urbanos. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, após chegar ao corpo humano, o vírus se reproduz em órgãos, na corrente sanguínea e na medula óssea, prejudicando a produção de plaquetas, que são células responsáveis pela coagulação. A doença também pode afetar vasos sanguíneos e levar à perda de plasma, substância presente no sangue que é rica em água, o que gera desidratação e complicações que podem levar à morte. 

Transmissão acontece pelo mosquito, mas não só

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corlaffra/Shutterstock

A transmissão da dengue ocorre, principalmente, pela picada do mosquito Aedes aegypti, que também é o agente que progaga as também preocupantes zika e a chikungunya. Mas o que pouca gente sabe é que, de acordo com o Ministério da Saúde, também há casos de passagem do virus por transfusão de sangue e de gestante para filho.

Tipos de dengue

De acordo com a presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Thais Guimarães, as classificações "dengue clássica" e "dengue hemorrágica" foram substituídas, pois transmitiam a falsa impressão de que apenas os casos com hemorragia eram dignos de atenção. Assim, a doença passou a ser dividida da seguinte maneira:

Dengue leve

Anteriormente chamada de dengue clássica, este tipo é considerado o início da doença. Seus sintomas incluem febre, dores no corpo e manchas na pele. A maioria dos casos não necessita de internação e sara sem complicações, porém há uma parcela dos pacientes que progridem para um quadro mais perigoso.

Dengue com sinais de alarme

É a evolução da dengue leve e significa o agravamento da doença. Ocorre durante a regressão da febre, normalmente entre o terceiro e o sétimo dia da infecção, e apresenta sinais como queda da pressão arterial e aumento do exame de hematócrito, que determina a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, que transportam oxigênio e nutrientes pelo corpo.

Dengue grave

Tipo mais perigoso da doença, surge após os sinais de alarme e pode gerar complicações como comprometimento de órgãos, alastramento do plasma do sangue para os tecidos e órgãos - o que gera choque circulatório, que é quando o sistema cardiovascular não é capaz de irrigar todo o corpo com oxigênio suficiente -, e acúmulo de líquido no abdômen ou na membrana que envolve o pulmão.

Outras complicações incluem sangramento, que pode aparecer em vômitos, fezes, útero ou sistema nervoso, caracterizando o quadro que antes era chamado de dengue hemorrágica.

Sintomas

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ann131313/Shutterstock

Outra coisa que poucos sabem é que a dengue pode não apresentar sinais, visto que uma parcela dos casos são assintomáticos. Porém, se presentes, os sintomas aparecem em até 15 dias após a picada do mosquito e podem durar de dois a sete dias. Por serem semelhantes aos de outras patologias, podem ser facilmente confundidos, o que aumenta a necessidade de exames para diagnosticar a dengue e controlar seu progresso.

Procure um médico caso apresente um ou mais dos indícios abaixo:

  • Febre de 39 a 40 graus
  • Fraqueza
  • Manchas, coceira e erupções na pele
  • Dores de cabeça e nos olhos
  • Dores nos músculos e articulações 
  • Perda de peso inexplicável
  • Enjoo
  • Vômito

No máximo uma semana após o aparecimento da dengue, a febre começa a regredir e o organismo pode curar a doença. Entretanto, alguns casos evoluem para uma forma mais grave, cujos sinais incluem:

  • Dores abdominais intensas
  • Sangramento no nariz, gengiva ou boca
  • Sonolência e irritabilidade
  • Vômito
  • Redução da pressão arterial
  • Aumento do tamanho do fígado 
  • Aumento do hematócrito, exame de sangue que mede a porcentagem de glóbulos vermelhos
  • Acúmulo de líquido no abdômen, na membrana do pulmão e no coração 

Tem cura?

Sim, a dengue pode ser curada com o uso de medicamentos específicos. Todavia, é importante consultar um médico logo nos primeiros sintomas, a fim de controlar precocemente a doença. Segundo a infectologista e presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Thais Guimarães, como há quatro variações do vírus da dengue, uma mesma pessoa pode ter dengue até quatro vezes, já que o paciente adquire imunidade apenas ao tipo de virus que o infectou.

Tratamento

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Não há um tratamento próprio, mas é possível controlar doença por meio de remédios para diminuir seus sintomas, como analgésicos e antitérmicos. Porém, vale lembrar que a automedicação pode agravar a doença. Segundo o Ministério da Saúde, alguns remédios, como os que contêm ácido acetilsalicílico, interferem na coagulação do sangue, o que pode levar a hemorragias em casos de dengue.

Quem sofre de dengue também deve descansar e beber muita água, a fim de evitar a desidratação.

Prevenção

Entender como evitar a dengue pode ser decisivo para se manter longe da doença. Apesar de não existirem hábitos ou alimentos preventivos relacionados ao corpo humano, há medidas de controle para prevenir e eliminar locais com água parada, que são propícios para o desenvolvimento de larvas do Aedes aegypti:

  • Evitar lixeiras, garrafas, sacos, pneus e outros recipientes que fiquem expostos à água da chuva
  • Desobstruir ralos entupidos
  • Aplicar cloro na água da piscina
  • Encher pratos de plantas e cacos de vidro que protegem muros com areia 

Em locais de alta incidência da infecção é recomendado o uso de roupas que não exponham muito a pele durante o dia, que é o período em que o mosquito fica mais ativo. Calças e blusas de manga longa são boas opções.

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rungkhun chansri/SHUTTERSTOCK

Repelentes também são aliados contra a dengue, principalmente os que têm as substâncias DEET, IR3535 ou Icaridin, que são consideradas seguras e autorizadas no Brasil. Outra opção são mosqueteiros, telas e inseticidas domésticos.

Como método alternativo, que não substitui os demais, é bacana apostar em truques para evitar ser picado por mosquitos, como receitas caseiras.

Vacina da dengue

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Crystal Eye Studio/Shutterstock

Autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2015, a primeira vacina contra a dengue é chamada de Dengvaxia e protege contra os quatro tipos de vírus. Pode ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos de idade e é composta por três doses com intervalo de seis meses cada. De acordo com o Comitê Técnico Executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a fórmula custa a partir de R$ 130 e pode ser encontrada em hospitais e clínicas particulares.

Aedes aegypti e suas doenças