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Novembro azul: quando é realmente necessário fazer exame de toque e PSA?

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Todos os anos, no mês de novembro, é realizada a campanha “Novembro azul”. Originada na Austrália e iniciada aqui no Brasil no ano de 2008, o movimento tem como objetivo chamar atenção para a necessidade de que os homens cuidem da sua própria saúde e que, em especial, previnam o câncer de próstata.

A realização do toque retal e da coleta do exame de PSA para todos os homens, no entanto, está longe de ser um consenso médico. O Ministério da Saúde, por exemplo, recomenda que esses exames sejam feitos de maneira individualizada, segundo avaliação médica. Os motivos seriam que a diminuição da mortalidade decorrente seria mínima e ainda que poderia deixar sequelas permanentes.

Toque retal e PSA: exames da próstata teriam mais riscos que benefícios 

O Ministério da Saúde não recomenda a organização de programas de rastreamento do câncer de próstata. Este rastreamento é feito por meio do toque retal e do exame de PSA no sangue, sigla para Antígeno Prostático Específico, uma proteína produzida normalmente na próstata que pode indicar alterações quando elevada. Segundo o órgão, os programas de rastreio resultam em uma mínima redução na mortalidade por câncer de próstata além de uma série de possíveis danos à saúde do homem.

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Entre os malefícios numerados pelo Ministério da Saúde, estão:

  • Resultado falso-positivo: a elevação do exame de PSA é muito comum e está relacionada, predominantemente, a doenças benignas e não ao câncer. Com o PSA elevado, o homem pode ser submetido a uma biópsia, procedimento em que é retirado um fragmento da próstata para analisar a possibilidade de existência de um câncer e pode gerar efeitos colaterais como sangramento e infecção.
  • Sobrediagnóstico: esse termo diz respeito aos casos de câncer detectados nos exames que nunca evoluiriam causando sintomas ou risco de vida. De acordo com o Ministério, essa taxa é de 50% para o câncer de próstata.
  • Sobretratamento: com o sobrediagnóstico, tratamentos desnecessários acabam sendo feitos. No caso do câncer de próstata, o tratamento de escolha costuma ser a cirurgia, sendo que a quimio e radioterapia só são feitas em situações muito específicas.

Consequências da cirurgia desnecessária 

O sobretratamento pode deixar consequências como disfunção erétil, incontinência urinária, problemas no intestino e ainda um pequeno risco de morte.

Quando é necessário fazer exame de próstata 

O posicionamento do Ministério da Saúde vai de encontro com o que diz a Sociedade Brasileira de Medicina de Família & Comunidade e o U. S. Preventive Services Task Force, grupo de pesquisadores norte-americanos que concluiu que a coleta do PSA oferece mais danos do que benefícios à saúde.

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A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda, em nota oficial, que “homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios”.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o toque retal e o PSA devem ser usados em outros cenários, por exemplo: quando o homem já tem sinais e sintomas sugestivos de câncer ou ainda no monitoramento de homens que já tiveram câncer de próstata.

Saúde do homem