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“Episiotomia arruinou minha vida sexual por um ano”: Bela Gil fala sobre corte íntimo no parto

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Canal da Bela/YouTube

Em seu canal no YouTube, o Canal da Bela, a apresentadora Bela Gil estreou uma série de vídeos sobre gestação e maternidade da maneira mais sincera possível: contando sobre as intervenções que sofreu durante o parto de sua primeira filha.

Bela recebeu anestesia, teve sua bolsa estourada e precisou passar por uma episiotomia, corte do períneo para facilitar a saída do bebê. Esse último procedimento, segundo a apresentadora, afetou sua vida sexual por um ano e pode fazer o mesmo com muitas outras mulheres. Veja, a seguir, o bonito relato de Bela e entenda melhor as indicações e riscos da episiotomia.

Bela Gil fala sobre episiotomia 

A apresentadora Bela Gil - mãe de Flor e Nino – é adepta de um modo de vida natural, inclusive quando o assunto é parto, mas isso nem sempre foi assim. No vídeo publicado, ela contou que, no parto de sua primeira filha, houve muito mais intervenções do que hoje, olhando para trás, ela acha adequado.

Um deles foi a episiotomia, corte perineal para facilitar a saída do bebê via vaginal. O procedimento levanta um intenso debate entre mães, médicos, parteiras e doulas sobre sua real necessidade.

“Eu só quis contar esse relato para vocês verem que no hospital é muito difícil você ter um parto normal sem algum tipo de intervenção. Eu queria ter um parto natural, mas acabei quase sendo induzida, ela [a médica] estorou minha bolsa e me cortou”, disse ela na gravação.

Impacto na vida sexual 

Bela Gil revelou também que a episiotomia teve grande impacto sobre sua vida sexual: “O parto vaginal pode ter vários tipos de intervenções. No hospital, a probabilidade de você ter intervenções é muito mais alta, como por exemplo a episiotomia, que é aquele corte no períneo, que, meu Deus, se você não tem necessidade de fazer a episiotomia, não faça, porque esse negócio pode arruinar a sua vida sexual por um ano, que foi o que aconteceu comigo”, disse.

Assista ao depoimento completo de Bela:

O que é episiotomia?

Em entrevista ao Vix, a doula Adéle Valarini, de Brasília, contou como a episiotomia é realizada: ela é feita com uma tesoura ou com um bisturi, com anestesia ou não, na vagina da mulher bem na hora em que a cabeça do bebê está passando. O objetivo seria aumentar a passagem vaginal e evitar lacerações espontâneas.

Por que é feita? 

A episiotomia teria se popularizado no início do século XX, com o crescimento da medicalização do parto e como uma forma de diminuir o período expulsivo, mas sem base científica necessária para sua execução. Atualmente, existem estabelecimentos de saúde e obstetras que ainda a fazem, erroneamente, como um procedimento de rotina.

Um dos motivos muito usados - e contestados - como justificativa para sua realização atualmente é evitar a laceração vaginal causada pela passagem do bebê pela vagina. "Pesquisas recentes demonstram que o pique não previne laceração porque ele é uma laceração em si. Além disso, as lacerações naturais, quando ocorrem no parto vaginal, são, em geral, menores que o corte proposital", explica Adéle.

Segundo a doula, a laceração natural depende da posição em que a mãe está parindo, da intensidade da força que ela faz no período expulsivo e da velocidade de saída do bebê. "Por isso, no parto humanizado, as mulheres devem ser deixadas como se sentirem à vontade, porque isso diminui as chances de a laceração acontecer", comenta.

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blamb/shutterstock

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as taxas de episiotomia devem ser inferiores a 10%. Aqui no Brasil, os dados são imprecisos, pois nem sempre o procedimento é relatado nos prontuários médicos. De acordo com a pesquisa de abrangência nacional Nascer no Brasil, mais da metade das gestantes (53%) continua recebendo o corte.

Ainda segundo a OMS, outra indicação relativa para a realização da episiotomia são sofrimento fetal – e, portanto, a necessidade de retirá-lo rapidamente do canal vaginal.

Vale lembrar que a episiotomia só deve ser realizada depois do consentimento da parturiente, que deve ser bem informada sobre diferentes aspectos da episiotomia, como indicação e realização.

Como a episiotomia afeta a vida sexual? 

A episiotomia pode causar dor, infecções, deixar a região íntima inchada e com hematomas. Todos esses acometimentos deixam a região vaginal muito sensível por alguns meses e, consequentemente, tornam o sexo menos prazeroso e mais doloroso para a mulher.

Em alguns casos, a cicatriz se torna um queloide, tipo de marca mais alta e evidente que pode abalar a autoestima e a sexualidade da mulher. Além disso, a região pode ficar dessensibilizada ou hipersensibilizada a longo prazo, e o corte original pode dar lugar a uma fibrose tecidual, causando perda da elasticidade vaginal.

Todos esses fatores podem levar à instalação de um quadro de despareunia, que é a dor crônica durante o sexo.

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