Ewbank se emociona ao contar julgamento cruel após adoção: "Fui chamada de estéril"

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Mãe de duas crianças nascidas no Malawi, país da África Oriental, Giovanna Ewbank deu uma palestra no TEDx falando sobre maternidade e, muito emocionada, acabou revelando questões importantes que surgiram junto aos julgamentos que sofreu na época das adoções.

Dentre vários comentários e críticas que surgiram logo após a chegada de Titi, sua primeira filha, que está com seis anos, o boato sobre a infertilidade da apresentadora chama a atenção pelo machismo que carrega e afeta as escolhas de todas as mulheres, sendo elas mães ou não.

"Ouvi que eu era estéril"

"Sempre fui uma mulher que achava que o relógio biológico nunca iria despertar. Eu nunca havia pensado em ter filhos e isso veio com muito questionamento, crítica e também com muita pressão de amigos e família", revelou Ewbank. Foi o encontro com a pequena Chissomo, durante uma visita ao país africano, que fez despertar o sentimento materno na apresentadora. Giovanna sentiu na mesma hora que era a mãe da menina, para além da biologia.

Ao optar pela adoção, vieram os questionamentos sobre a escolha e, com eles, as primeiras críticas. "Como toda a escolha feminina, ela veio cheia de questões do tipo: 'Nossa, mas ela já é casada há tanto tempo e não tem filhos'", relembra.

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Giovanna conta ainda que surgiram histórias de que ela seria infértil e, por isso, o casal não teria filhos biológicos. Porém, o que a apresentadora destaca é que o marido, Bruno Gagliasso, tão figura pública quanto ela, não sofreu o mesmo tipo de preconceito.

Ouvi que eu era estéril. Não, gente. Eu não sou estéril. E nem o meu marido. Mas, obviamente, a dúvida sobre esterilidade veio sobre mim, que sou mulher. E não sobre ele, que é homem.

Para ela, essa percepção falsa das pessoas só reforça o estereótipo de que todas as mulheres só serão felizes ou plenas com a gravidez. "Isto é uma convenção imposta pela sociedade. E, mesmo que comum, não são todas as mulheres que querem e que desejam isso pra si".

Giovanna defende ainda que é mais difícil para a sociedade respeitar as mães adotivas, quando a gravidez se torna ação imperativa, obrigatória na vida de cada mulher. Afinal, se uma mulher só se seria "mãe de verdade" com a gravidez, como entender o amor de tantas mães adotivas ao redor do mundo?

"Justificando desta maneira, a sociedade nega que uma mulher não queira ter filhos biológicos. Ou então, que uma mulher não queira 'explodir a sua barriga de vida' [...] E, acreditem, existem diversas outras maneiras de explodir vida na gente", completa a mãe de Titi e Bless.

Veja palestra com Giovanna Ewbank no TEDx:

Esterilidade em homens e mulheres

Segundo o relatório "Mulheres e Saúde", da OMS, a questão da infertilidade ainda é pautada pela ótica machista, como aconteceu com Ewbank. "Embora os homens sejam tão propensos à infertilidade quanto as mulheres, com frequência, suas parceiras são mais estigmatizadas e culpadas quando os casais não conseguem procriar", afirma o documento.

Além da infertilidade não ser um problema exclusivamente feminino, não é possível afirmar que todo casal com dificuldade para engravidar queira adotar crianças e vice-versa: nem todo pai adotivo é necessariamente estéril. Infertilidade, inclusive, é um tema delicado, que acomete homens e mulheres, e por vezes causa sofrimento.

É preciso que todos, então, compreendam que a decisão de ter filhos faz parte da intimidade do casal e, mesmo em caso de figuras públicas, não deve ser tema de questionamento.

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Como Giovanna mesma afirma em sua palestra, ela ainda não quer engravidar, mas não crava: "Isso pode mudar? Talvez. Se o meu coração e o meu corpo disserem que sim". Por isso, é importante dar o espaço necessário para que a mulher possa tomar as suas decisões sobre seu corpo seguindo a sua própria intuição e não os padrões impostos pela sociedade.

A apresentadora, no entanto, mostra que já se encontra bastante realizada com os filhos adotivos: "Hoje, o que meu corpo e meu coração me dizem o tempo inteiro é que eu já sou mãe. E que eu sou uma mãe como qualquer outra: que ama, que protege, que ensina e que tem muito medo".

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Giovanna Ewbank e maternidade