Pelos nas axilas de Hana geram debate em foto e ex-BBB responde tudo com uma frase

Hana Khalil, ex-participante do "Big Brother Brasil 19", é reconhecida por defender os direitos da mulher e usa as redes sociais para discutir sobre estes assuntos. Recentemente, por exemplo, ela publicou uma foto em seu perfil no Instagram com uma das axilas à mostra, deixando os pelos da região em evidência.

A atitude da carioca em desproblematizar o fato de uma mulher não se depilar desagradou alguns de seus seguidores, sendo que um deles até a questionou sobre a aparência de suas axilas, e a jovem não hesitou em respondê-lo de uma maneira simples e cheia de significado. Confira:

Resposta de Hana Khalil sobre pelos na axila

Hana compartilhou uma sequência de imagens em meio à natureza e em uma delas ela aparece com o braço levantado, exibindo os pelos da axila.

Nos comentários, um de seus seguidores, incomodado com a atitude da ex-BBB, questionou: "E esse suvaco peludo?".

A jovem, por sua vez, respondeu o internauta com uma explicação óbvia, porém, em tom de ironia, como se afirmasse que não há nada de anormal em não depilar as axilas: "Mulheres adultas têm pelos", diz.

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Se tem duas coisas em que o capital e o patriarcado são muito incrivelmente bem-sucedidas é em naturalizar situações, comportamentos e fatos que são obviamente construção do brilhante intelecto humano. Se você perguntar pra uma mulher por que ela se depila, ela vai falar: 1) porque é feio; e/ou 2) porque não se depilar é anti-higiênico. E a gente pergunta: quem disse? E a resposta vai ser, “como assim, quem disse?”. As respostas vão vaguear mais e, conforme você vai apertando, tendem a se resumir a uma “escolha pessoal”. É isso: uma escolha pessoal. Porque nós vivemos em uma bolha, um vácuo de interações sociais, né? Claro que não. Sabe o que é libertador? Deixar de achar seu corpo feio. Deixar de achar seus pelos nojentos. Parar de ficar ansiosa toda vez que você os vê crescendo mas ainda não tem tamanho suficiente pra você tirar com cera. Parar de raspar as axilas com lâminas todo santo dia, quando você acorda, como se fosse um hábito tão higiênico quanto escovar os dentes ou lavar o rosto. É libertador você se olhar no espelho e não sentir nojo ou repulsa, e perceber que esse nojo e essa repulsa não são naturais: você foi ensinada a sentir isso. É libertador perceber que você foi ensinada a só se sentir bonita em determinadas situações, sob determinadas condições, mas que isso não é verdade: você é bonita e merece seu amor e seu respeito sempre. Mesmo porque seu valor e sua mulheridade não têm nada a ver com sua aparência. A supervalorização da nossa aparência em detrimento de qualquer outra coisa é uma máscara de uma intenção mais profunda: a redução das mulheres a seus corpos. A ditadura da beleza, os padrões estéticos, os rituais de feminilidade — todos eles têm ligação íntima com a cultura do estupro, pois são eufemismos socialmente aceitáveis daquela velha ideia de que nós só servimos para servir. Para sermos olhadas, trocadas, exploradas ou fodidas. Temos de estar bonitas pra quem? Pra nós mesmas? E desde quando alguém nos pergunta a nossa opinião? É claro; nossa opinião não importa. Porque nós sequer somos donas de nós mesmas, então não podemos decidir por nós. Não é? via QG Feminista.

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Por que a depilação é vista como obrigação da mulher?

Apesar de geralmente não ser criticada quando não feita pelos homens, há muito tempo a depilação é relacionada à higiene e beleza do corpo feminino.

De acordo com Denise Bernuzzi, professora de história da PUC-SP e autora do livro "História da Beleza no Brasil", esta ideia tem origem indígena, que associa o pelo ao animal, se difundiu por volta do século 16 e 17, na Europa, e ganhou total popularidade com a moda praia no século 20.

“Após a Segunda Guerra Mundial, quando a praia se torna um lugar de lazer para a massa no geral, é que a depilação começa a aparecer de forma mais obrigatória para as mulheres, primeiramente nas pernas e depois na virilha, por volta dos anos 1970 e 1980”, diz a especialista.

A depilação para os brasileiros

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um pouco bem preciso

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A depilação íntima brasileira é famosa mundo afora por deixar poucos ou nenhum pelo na região da virilha, e ainda segundo Denise a aversão do país aos pelinhos no corpo envolve uma questão cultural.

"Há dados que apontam que os brasileiros, mais que os europeus, por exemplo, associam o pelo à sujeira, e devido a esse imaginário coletivo, as brasileiras acabam se depilando mais”, afirma.

De um modo geral, a depilação ainda é apontada pela sociedade como uma obrigação para a mulher por influência de diversos fatores, como a indústria pornográfica, a indústria estética, a exposição do corpo e as vestimentas.

Apesar da opção pela não depilação ainda ser um grande tabu e associada a questões sociais, outras famosas além de Hana têm se libertado desta imposição social e levantado um debate sobre o assunto nas redes como a atriz Bruna Linzmeyer.

Amor próprio e aceitação corporal