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Brinquedo que parece inofensivo fez Samara Felippo levantar um debate importantíssimo

Após levantar um debate sobre representatividade infantil, tomando como exemplo as bonecas negras de suas filhas, Samara Felippo usou suas redes sociais mais uma vez para abordar um assunto muito importante que diz respeito à criação de meninas nos dias de hoje.

Crítica de Samara Felippo aos brinquedos sexistas

Mãe de duas meninas, Alícia, de oito anos, e Lara, de quatro, a atriz fez publicações sinceras em seu Instagram criticando a forma como o mercado acaba reprimindo o direito de escolha feminino através dos brinquedos sexistas, designados "para meninas".

Primeiro, na legenda da galeria de fotos que mostra uma passadeira e um ferro de passar, uma minicozinha e uma vassourinha, todos cor de rosa, Samara reflete que a indústria de brinquedos ainda é muito antiquada.

"Por apenas R$ 369,79 você cria uma excelente doninha de casa!!! Aquela princesinha prendada, que quando crescer já pode casar, e que o papai sempre sonhou!!!", diz.

Em uma segunda publicação ainda mais dura, ilustrada com fotos das suas filhas e de outras meninas em papéis empoderadores, a atriz afirma que ao crescerem rodeadas por estes tipos de brinquedo, que referenciam apenas as tarefas domésticas, as meninas são indiretamente doutrinadas a seguirem apenas este caminho.

"Meninas NÃO precisam aprender a limpar um chão, varrer uma casa, fazer comida na infância. Elas farão isso adultas se quiserem. Meninas precisam de opções, de oportunidade de escolhas, de liberdade e respeito por elas mesmas. Precisam saber que podem governar um mundo se quiserem. Esses brinquedos parecem 'normais' pra vocês, mas deixam no nosso subconsciente uma educação de repressão e submissão", revela.

Samara ainda fez questão de reforçar que sua crítica não é para desmerecer o ofício de dona de casa, muito pelo contrário. A atriz acha digno que a mulher possa ser o que ela quiser, desde que tenha escolhas: "Jamais julgaria a escolha de uma mulher, mas o fato é que seja dona de casa, engenheira ou astronauta, não deve ser a sociedade que decide isso e, sim, escolha dela".

Leia o texto de Samara Felippo na íntegra:

"Fiz um post sarcástico sobre o machismo em torno dos brinquedos infantis. Para minha profunda tristeza boa parte das mães, que muitas vezes disseram que 'me admiram', foram lá, interpretaram da forma padronizada de sempre. Muitas chegaram até a me ofender. Mães que nem sequer estão abertas ao diálogo e questionamentos (fora os 'hominho' que vão lá dar seus pitacos).

Não costumo ficar justificando posts, mas nesse caso achei necessário. Não entenderam. Antes de começar, só queria ressaltar que sou FEMINISTA e não entendo como tanta gente que nem sabe das minhas ideologias, nem sabe no que eu acredito e luto, me segue. Em nenhum momento desmereci o ofício de dona de casa, até porque para mim é um dos mais difíceis, eu mesma não sei ser.

Jamais julgaria a escolha de uma mulher, mas o fato é que seja dona de casa, engenheira ou astronauta, não deve ser a sociedade que decide isso e, sim, escolha dela. E ao crescer rodeada de brinquedos desse tipo somos praticamente doutrinadas sem que percebamos.

Sonho em ver cada uma feliz em seu papel, mas histórica e socialmente falando não é isso que vemos. Meninas NÃO precisam aprender a limpar um chão, varrer uma casa, fazer comida na infância. Elas farão isso adultas se quiserem. Meninos NÃO crescem com a mesma educação.

Meninas precisam de opções, de oportunidade de escolhas, de liberdade e respeito por elas mesmas. Precisam saber que podem governar um mundo se quiserem. Que podem ser mães ou não. Casar (com quem escolherem) ou não. Ter filhos ou não. Precisamos quebrar padrões, desconstruir o que achamos que é o 'certo'. Essa é a minha única esperança por um futuro decente.

Esses brinquedos parecem 'normais' pra vocês, mas deixam no nosso subconsciente uma educação de repressão e submissão. Você não precisa concordar. Apenas pesquise e se informe. Não venha com uma opinião agressiva e cristalizada. Se questione, dialogue. Duvide.

Por aqui continuarei na luta pelas minhas filhas e levantando debates como esse e muitos outros nas minhas redes sociais."

Igualdade de gêneros