Agressão no BBB 17: Em briga de marido e mulher, a sua colher é protegida por LEI!

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Reprodução/Globo

A relação de Marcos Harter, de 37 anos, e Emilly Araújo, de 20, está gerando bastante polêmica na 17ª edição do "Big Brother Brasil", reality show exibido pela TV Globo. No último final de semana, a sequência de agressões do jogador contra a participante ganhou repercussão nacional e a postura da emissora e dos telespectadores do programa causaram indignação, pois evidenciam e reforçam a ideia de que a violência contra a mulher pode ser naturalizada ou amenizada quando é praticada por alguém com quem a vítima tem envolvimento afetivo.

Entenda o que aconteceu

Durante a festa realizada pelo programa no último sábado (8), Emilly questionou Marcos na frente de outra participante sobre quem deveria ser campeã. Descontente com a resposta, a jogadora travou uma discussão com ele. Foi neste momento que a sequência de agressões começou.

Mesmo com a garota tentando se esquivar e fazendo incansáveis pedidos para ele parar de agredi-la, porque estava doendo e machucando, Marcos pegou fortemente em seu punho e em seu braço, deu beliscão, sacudiu sua cabeça contra o chão, empurrou e a encurralou na parede e berrou com o dedo em riste apontado para ela durante a discussão.

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Além de toda a agressão física, o participante, durante as tentativas de diálogo, debochou dos argumentos de Emilly e a interrompeu o tempo todo, impossibilitando a conclusão de suas ideias. Ele ainda dizia o tempo todo, em tom alto e agressivo, “presta atenção”, “você está me ouvindo?”.

Nas duas situações, há claros sinais de violência contra a mulher. Na primeira, atitudes que configuram violência física. Já na segunda, atos que, embora não sejam configurados como agressões físicas, são violências subjetivas e evidenciam o tom paternalista, violento e de superioridade com que Marcos trata Emilly.

Marcos e Emilly no BBB 

A relação do casal é polêmica desde antes de começar. No início do programa, Marcos não recebia bem as negativas de Emilly e ficava no seu pé durante as festas para conseguir um beijo. Depois do envolvimento, os dois protagonizaram inúmeras discussões. Em uma delas, ele bateu no pescoço da garota, em uma “brincadeira” que resultou em confusão. Em outro momento, o participante teceu comentários preconceituosos sobre o comportamento dela nas festas.

Intervenção em casos de violência contra a mulher

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Reprodução/Globo

Falas do próprio Marcos e de outros participantes dentro da casa evidenciam a equivocada ideia de que situações de violência contra a mulher, quando são protagonizadas pelo companheiro, não devem sofrer intervenções.

Semanas antes, o participante conversava com Ieda e disse que ela não deveria interferir na relação dele com Emilly. “Não sei por qual motivo muitas vezes você tenta interferir um pouco na minha relação com a Emilly. […] Em briga de marido e mulher, não se mete a colher. Eu e a Emilly não somos casados, mas esse ditado serve para nós porque, em briga ou discussão de um casal, não se meta!”, falou.

Dias depois, Ilmar, outro jogador, ao presenciar mais uma discussão do casal, comentou para Emilly que ele não ia “meter a colher” na briga de “marido e mulher”.

Mas, o fato é que em briga de marido e mulher, namorada e namorado ou qualquer outra configuração todo mundo – TODO MUNDO – tem a OBRIGAÇÃO de meter a colher, sim. Não só meter a colher, como evitar que agressões comecem, continuem ou se intensifiquem e, mais do que isso, fazer denúncias para que medidas legais sejam tomadas. De acordo com a Lei Maria da Penha, qualquer pessoa que presencie atitudes violentas contra uma mulher pode denunciar o agressor.

No entanto, o que percebemos é que sociedade - desde as pessoas até as instituições - ainda não têm consciência e nem convicção da necessidade de intervenção e da responsabilidade que carregam para isso.

Tanto é que a TV Globo não entendeu as atitudes de Marcos como agressões físicas, já que não expulsou o participante do jogo e deixou nas mãos da vítima a responsabilidade de tomar alguma atitude, como se medidas não devessem partir também de fora, especialmente nesses casos.

Já o público aprovou indiretamente a ação de Marcos ao deixá-lo na casa, eliminando a participante com quem ele disputava o paredão com 77% dos votos.

Em relacionamentos abusivos e violentos, é comum que as vítimas não consigam se desvencilhar de seus agressores. Os motivos são variados e vão desde dependência emocional e ameaças até falta de condição financeira.

No caso de Emilly, tudo fica ainda mais sensível. Afinal, ela está confinada há meses dentro de uma casa com pouquíssimas pessoas, se relacionando com um homem 17 anos mais velho que ela, na disputa por um prêmio de valor significativo e sendo julgada pela população que tem acesso apenas a recortes das situações vivenciadas la dentro.

Assim como em outras diversas situações, é obrigação do poder público, mas também de toda a sociedade, intervir em situações assim.

Internautas e algumas mulheres famosas se indignaram com a situação e pediram ações concretas. Denúncias foram feitas no número 180, da Secretaria de Política para as Mulheres. De acordo com informações do site de notícias UOL, a delegada Márcia Noeli Barreto, diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher do Rio de Janeiro pediu a abertura de uma ocorrência contra Marcos.

Em todas as situações semelhantes, é obrigação de todo mundo se posicionar para que violência contra a mulher seja extinta. No Brasil, são 8 mulheres agredidas por minuto, 52 estupros por hora, 13 mortas por dia. Esse é um problema de todo mundo – e, por isso, todo mundo deve meter a colher SIM!

Violência contra a mulher: dados alarmantes