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Quem é o bilionário que doou toda sua fortuna e inspira outros ricaços a fazerem o mesmo

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Divulgação/The Atlantic Philanthropies

Em meio a notícias sobre bilionários que aumentaram consideravelmente suas fortunas na pandemia, um fez diferente. Realizando um sonho de décadas, o (agora ex) bilionário Charles “Chuck” Feeney encerrou recentemente o trabalho de sua instituição filantrópica, doando quase todo o restante de seu dinheiro para ações humanitárias e obras de caridade enquanto incentiva que outros ricaços façam o mesmo.

Bilionário doa toda a fortuna aos 89 anos

Na última segunda-feira (14), a Atlantic Philantropies – instituição filantrópica fundada por Chuck Feeney anonimamente em 1982 – publicou um comunicado para anunciar o encerramento das atividades, algo que, segundo a nota, já estava programado para acontecer nesta data desde 2002.

Isso, inclusive, foi algo idealizado pelo próprio dono e demais lideranças da instituição, que vivem sob uma filosofia de caridade inspiradora e, ao longo dos anos, doaram um montante de US$ 8 bilhões (R$ 42,1 bilhões).

Chuck Feeney: quem é, trabalhos e mais

Durante 15 anos após fundar a instituição, Feeney, que é dono da rede Duty Free, seguiu anônimo em seus projetos filantrópicos, doando constantemente parte de sua fortuna sem qualquer alarde na mídia.

Conforme os negócios foram crescendo, porém, ele foi “desmascarado” (voluntariamente) pelo jornal “The New York Times” em 1996, tornando-se uma grande influência para outros bilionários envolvidos em caridade.

Isso porque Feeney é pioneiro do movimento “giving while living”, que significa essencialmente “doar em vida”. Segundo o comunicado de fechamento da instituição, tanto para o ex-bilionário quanto para os colaboradores do órgão, é mais importante fazer a diferença quando há necessidade imediata do que guardar as riquezas e doá-las apenas após a morte, já que esperar faz com que causas se tornem ainda mais urgentes.

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Lisa Maree Williams/Correspondente/Getty Images
“Precisamos esperar a próxima pandemia para fortalecer os dados de imunologia ou saúde pública, políticas e sistemas? Nós precisamos atrasar investimentos em políticas ambientais eficazes, tecnologias e práticas até que os futuros desastres climáticos cheguem? Devemos esperar a próxima revolta social para então abordar inquietações estruturais e disparidades raciais, de gênero e socioeconômicas?”, questiona a nota.

Seguindo esta filosofia, Feeney doou, de acordo com o veículo “Forbes”, US$ 8 bilhões para fundos de caridade, universidades e fundações pelo mundo através da Atlantic Philantropies, guardando aproximadamente US$ 2 milhões para assegurar a aposentadoria dele e da esposa. Isso significa que ele doou 375.000% mais dinheiro do que a quantia que tem hoje.

Entre as causas apoiadas por Feeney com os US$ 8 bilhões doados ao longo da vida estão projetos relacionados a educação (US$ 3,7 bilhões), a direitos humanos (US$ 870 milhões), à abolição da pena de morte nos Estados Unidos (US$ 62 milhões), a campanhas apoiadoras da criação do Obamacare (US$ 76 milhões) e a saúde tanto dentro quanto fora do território norte-americano (US$ 700 milhões).

De acordo com a “Forbes”, um dos últimos presentes de Feeney foi dado à Universidade Cornell, da qual ele é membro do conselho; com os US$ 350 milhões doados pelo ex-bilionário, o plano é construir um campus de tecnologia na Roosevelt Island – e todas estas ações podem estar impactando os planos de vida de outros bilionários que se dedicam à filantropia

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Axel Schmidt - Pool/Getty Images

Ao longo de seus trabalhos, Feeney chegou a se dirigir diretamente aos fundadores da Giving Pledge, organização filantrópica fundada em 2010 por Warren Buffet, Bill Gates e sua esposa, Melinda Gates.

Em uma carta, ele os “desafiou” a doar suas fortunas ainda em vida, enfatizando os motivos pelos quais acredita que isso é, ao mesmo tempo, mais útil e mais recompensador do que fazê-lo após a morte.

“As necessidades atuais são tão grandes e variadas que um apoio filantrópico inteligente e intervenções positivas podem ter valor e impacto maiores hoje do que se fossem adiadas conforme as necessidades forem maiores ainda”, disse ele na carta e, atualmente, estes bilionários têm Feeney como um grande exemplo.

“Chuck deu um exemplo... [Ele] é meu herói e o herói do Bill Gates. Ele deveria ser o herói de todo mundo”, disse Buffet ao receber a carta, segundo a nota da instituição.

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