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Caso George Floyd: 8 pontos que explicam o que está havendo e o tamanho da revolta

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Stephen Maturen/Correspondente/Getty Images

Nos últimos dias, notícias sobre a morte de um homem negro de 46 anos nos Estados Unidos tomaram a internet – e por um motivo importante. O caso aconteceu em Minneapolis e, conforme mostram vídeos, George Floyd passou os últimos minutos de vida suplicando e sufocando enquanto um policial pressionava o joelho em seu pescoço, algo que reacendeu o debate sobre racismo por parte das autoridades.

George Floyd: entenda o caso

De acordo com o veículo local “CBS Minnesota”, tudo aconteceu após um estabelecimento acionar a polícia alegando que um homem havia tentado usar documentos falsos. Ao chegar lá, quatro policiais identificaram Floyd dentro de um carro e ordenaram que ele saísse do veículo, posteriormente imobilizando o homem no chão – momento em que um dos policiais pressionou o joelho contra o pescoço dele.

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A situação foi registrada por pessoas que estavam no local e, nos vídeos que viralizaram ao longo da madrugada que sucedeu o caso, é possível ouvir Floyd suplicando para que o soltassem, pois ele não conseguia respirar. Além disso, alguns dos espectadores da cena podem ser ouvidos protestando, lembrando os policiais de que Floyd não estava mais resistindo à prisão e realmente não conseguia respirar.

Após alguns minutos, o homem ficou imóvel e aparentemente inconsciente, algo que fez alguns pedirem que os oficiais checassem os batimentos cardíacos dele. O policial que pressionou o joelho no pescoço de Floyd, porém, não saiu daquela posição até que médicos chegassem ao local para levá-lo a uma ambulância. Segundo o veículo, as informações da polícia são de que ele morreu no hospital para o qual foi levado.

Em decorrência do caso, inúmeros protestos irromperam por várias cidades dos Estados Unidos - especialmente Minneapolis, onde a população segue indo às ruas pedindo o fim da violência policial contra pessoas negras e justiça pela morte de Floyd.

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Scott Olson/Equipe/Getty Images

Morte de Floyd toma as redes sociais e gera discussão: 8 pontos para entender

1. Imobilizado, Floyd implorou pela vida

Após ser imobilizado com o joelho do então policial em seu pescoço, Floyd passou a implorar para que fosse solto porque não conseguia respirar. Pessoas que assistiam à cena avisaram aos policiais que o homem parecia estar agonizando, mas, mesmo sem oferecer resistência e sufocando, o policial não retirou o joelho do pescoço do homem.

2. Floyd era um ativista e lutava contra a violência

Após a morte de Floyd, registros do homem em vida passaram a circular nas redes sociais, e um deles mostra justamente que ele se posicionava contra a violência. Em um dos vídeos que viralizaram – em inglês –, Floyd se mostra preocupado com a geração mais nova, afirmando que ela estaria “perdida” pelo envolvimento em tiroteios e crimes.

Além disso, ele também deseja paz – e internautas têm usado o registro para enfatizar que Floyd morreu justamente por meio da violência que desaprovava.

3. Inicialmente, policiais envolvidos foram apenas afastados

Pouco após os vídeos acerca do caso viralizarem, os policiais envolvidos na operação que resultou na morte de Floyd foram demitidos – e isso deixou pessoas de todo o mundo indignadas pelo quão pequena é a pena perto de uma morte.

Perder o emprego é um preço espantosamente pequeno a se pagar por fazer alguém perder a vida e fazer uma família perder um ente querido”.

Com isso, boa parte da população de Minneapolis e milhares de internautas passaram a pedir a prisão dos envolvidos – e até o prefeito da cidade, Jacob Frey, fez coro a esse desejo, se manifestando publicamente sobre a questão. “Por que o homem que matou George Floyd não está na prisão? Se você tivesse feito isso ou eu tivesse feito isso, estaríamos atrás das grades agora”, disse ele em uma coletiva de imprensa, segundo o veículo “USA Today”.

Dois dias após a morte de Floyd, de acordo com o "CBS Minnesota", o ex-policial que o imobilizou com o joelho, Derek Chauvin, foi detido sob a acusação de assassinato. Até agora, os outros três ex-policiais que aparecem no vídeo seguem livres.

4. Caso de Floyd está longe de ser o único

Em meio à discussão, muitas pessoas estão fazendo questão de destacar não apenas o nome de Floyd, mas os de centenas de outras pessoas negras que foram vítimas da violência policial nos Estados Unidos. Com isso, o termo “black lives matter” (“vidas pretas importam”, em tradução livre) está sendo amplamente usado – e há provas concretas de que é realmente importante exaltar isso.

Diga o nome dele. Diga o nome deles. Faça o que for, mas não fique em silêncio

Além de ser relativamente comum se deparar com vídeos mostrando cenas chocantes parecidas com a da morte de Floyd, um estudo realizado por especialistas de três universidades norte-americanas e publicado em agosto de 2019 no periódico “Proceedings of the National Academy of Siences of the United States of America” mostram que, a cada mil homens negros, um é morto pela polícia.

5. Situação não é exclusiva dos Estados Unidos

Casos de racismo por parte da polícia que eventualmente terminam em mortes não são algo que acontece apenas nos Estados Unidos – e o debate acerca da morte de Floyd fez com que brasileiros recordassem também casos nacionais. Um deles, inclusive, ocorreu na semana anterior ao caso de Minneapolis, quando o jovem João Pedro Mattos, de 14 anos, foi baleado e morto em uma operação policial em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

6. Pessoas brancas, mesmo violentas, não costumam ser tratadas da mesma forma

Algo que costuma vir à tona com frequência diante de casos como o de Floyd é o fato de que, enquanto é extremamente comum ver pessoas negras e latinas sendo agredidas ou mortas por policiais (muitas vezes sem estar sequer resistindo à prisão), também é comum ver pessoas brancas (por vezes violentas) serem abordadas de maneiras muito mais suaves.

Vamos colocar George Floyd em perspectiva – e antes que as pessoas comecem a destruí-lo. Isso foi há apenas algumas semanas. O cara está empunhando uma faca e um machado. A polícia ameniza suspeitos brancos o tempo todo sem matá-los”.

7. Ficar em silêncio minimiza a situação...

Em discussões como esta, sempre há pessoas que preferem se distanciar da situação e não ficar “nem de um lado, nem do outro”. Nas redes sociais, porém, muita gente está lembrando que buscar neutralidade após ver um homem ser sufocado até a morte pela polícia (e após muitos outros casos semelhantes acontecerem) significa efetivamente compactuar com o racismo.

Por que não podemos ficar neutros? Pense desta forma: se alguém batesse muito em você na rua e eu visse isso acontecendo, mas escolhesse ficar em silêncio porque ‘não é da minha conta’, eu estaria ativamente do lado do opressor/bully, porque não estou fazendo com que ele pare”.

8. ... Especialmente quando são pessoas brancas decidindo não se pronunciar

Preconceito estrutural é algo voltado a minorias, e pessoas que não fazem parte delas não devem tomar este lugar de fala. Sendo assim, a opinião de pessoas brancas sobre o que é ou não racismo não é válida – mas isso não significa que elas devem ficar caladas diante de situações como esta, já que fazer isso apenas fortalece o racismo.

Silêncio branco não é solidário.

Silêncio branco é violência.

Silêncio branco não é um território neutro.

POR FAVOR, NÃO FIQUEM EM SILÊNCIO”.

Ver pessoas que não são negras e geralmente são obcecadas por música negra, cultura negra e pessoas negras ficarem em silêncio diante de assuntos relacionados a negros é realmente muito questionável para mim. Se você se sente atacado, estou falando sobre você. MELHORE”.

Meu sangue está fervendo. Como você se chama de humano se seu sangue não está fervendo? Você é privilegiado. Você ignora todas as coisas terríveis que seguem acontecendo. Você desvia o olhar porque acredita que isso não te afeta pessoalmente. VOCÊ é o problema”.

Famosos se posicionam diante da morte de George Floyd

Conforme o caso da morte de Floyd passou a ser discutido nas redes sociais, inúmeros famosos – especialmente norte-americanos – tocaram no assunto, homenageando a vítima e apontando o quão necessário é discutir o problema. A atriz Viola Davis (protagonista do seriado “How to get Away with Murder”), por exemplo, publicou uma foto de Floyd no Instagram, reproduzindo as últimas palavras dele e refletindo.

“Isso é o que significa ser negro na América. Testado. Condenado. Morto por ser negro. Nós somos ordenados por centenas de anos de políticas que restringiram nossa existência e ainda temos de continuar encarando linchamentos nos dias modernos. Aí é que esta... A América nunca será grandiosa enquanto nós não encontrarmos uma forma de ela funcionar para TODOS”, escreveu a atriz.

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Além dela, o ator Michael B. Jordan (vilão de “Pantera Negra”) também tocou no assunto e, na mesma rede social, publicou um desenho que homenageia Floyd, pedindo justiça.

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Assim como ele, a atriz Lupita Nyong’o (que também atuou em “Pantera Negra” e protagonizou o filme “Nós”) também prestou uma homenagem a Floyd, mas no Twitter. No microblog, ela publicou a mesma foto que Viola compartilhou, bem como a notícia da morte dele e os dizeres: “Já chega”.

Pesaroso, o ator Ian Somerhalder (“Vampire Diaries”) também se pronunciou e, no Twitter, escreveu: “Eu não consegui dormir por um segundo na última noite pensando no George Floyd. Meu coração está com ele, os amigos dele, a família e a comunidade dele. Isso nunca deveria acontecer e precisa parar. Descanse em paz, George Floyd, nós vamos arrumar isso. Nós vamos”.

Juntando-se ao grupo de celebridades que se posicionaram sobre a situação, a cantora Madonna fez uma série de postagens em que se disse angustiada com o racismo presente neste e em outros casos, e pediu que justiça seja feita. Além disso, ela também publicou um vídeo de um de seus filhos, David, homenageando Floyd ao dançar “They Don’t Care About Us”, canção de Michael Jackson que fala justamente de racismo e violência policial.

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“Conforme notícias sobre o assassinato brutal de George Floyd viajam pelo mundo, meu filho David dança para honrar e prestar tributo a George, sua família e todos os atos de racismo e discriminação que acontecem diariamente na América”, escreveu ela na legenda da publicação.

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