O que fazer se você for à praia e encontrar manchas de petróleo na água ou areia

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Reprodução/Instituto Bioma

Considerada um dos maiores desastres ambientais do Brasil, a mancha de óleo que atinge o litoral nordestino do país tem trazido uma série de preocupações à população.

Afinal, o petróleo cru carregado pelo mar atinge a fauna local e também há risco de entrar em contato com banhistas ou mesmo com pessoas que sobrevivem de recursos vindos do oceano.

Desse modo, o que fazer caso sejam avistados focos do óleo na água do mar - ou mesmo na areia da praia?

Mancha de óleo no Nordeste: entenda

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Divulgação/Marcos Rodrigues/Sedurbs

Desde o começo de setembro, uma enorme mancha de petróleo foi verificada no litoral do Nordeste.

Ao menos 200 localidades foram afetadas, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Não se sabe a origem do óleo, apontado como petróleo cru pela Marinha e pela Petrobras, após análise de amostras.

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Divulgação/Marcos Rodrigues/Governo de Sergipe

O composto não é produzido pelo Brasil, e investigações estão sendo feitas para identificar a origem do material que, até o momento, matou dezenas de animais da fauna aquática e contaminou praias brasileiras.

Para ajudar na limpeza do litoral infestado de óleo, muitos voluntários têm se prontificado a botar a mão na massa para livrar as areias do material tóxico. Isso porque o petróleo é um composto de alto risco ao corpo.

Recentemente, o governo de Pernambuco publicou algumas recomendações para caso uma pessoa encontre óleo na praia.

De acordo com a dermatologista Cibele Tamietti Durães, da clínica Leger, realmente vale ficar atento às recomendações de prevenção à contaminação do produto devido à alta toxicidade do petróleo.

Petróleo em praias do Nordeste é tóxico

O petróleo cru, como tem sido definido o óleo encontrado no litoral nordestino do Brasil, é o petróleo em seu estado natural, um material que não passou por qualquer processo de refinamento ou destilação. Trata-se de um material tóxico ao corpo humano que, a curto e a longo prazo, pode causar efeitos danosos.

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Governo de Sergipe/Divulgação

Em contato com a pele, pode gerar coceira, vermelhidão, ressecamento e ardência. Também é comum que a pessoa sinta náusea, tontura e febre.

“Pode gerar, ainda, dor de cabeça, na garganta e coceira nos olhos, entre 6 horas até um dia após o contato. A longo prazo, ele pode trazer anormalidades a nível endócrino, no sistema reprodutivo e no respiratório”, explica Cibele.

O que fazer com o petróleo da praia

Não tocar no óleo

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Divulgação/Governo de Sergipe

Devido à toxicidade do petróleo, o ideal é que não exista qualquer tipo de contato direto entre o corpo humano e o óleo.

“O petróleo é tóxico tanto para a pele quanto para a mucosa”, pontua a dermatologista.

Materiais impermeáveis

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Anukool Manoton/Shutterstock | Syda Productions/Shutterstock

Quem se voluntariar a contribuir para a remoção do óleo deve utilizar luvas de PVC (e não as cirúrgicas) para proteger as mãos.

Para os membros inferiores, o recomendado são calças e botas de material impermeável, como galochas e borracha, para evitar o contato direto do óleo nessa região do corpo.

Também é indicado o uso de máscaras para o rosto a fim de proteger as vias respiratórias dos gases liberados pelo petróleo. “Principalmente no início da tarde, horário mais quente do dia. O petróleo, por ser volátil, libera vapores que são altamente tóxicos”, explica a dermatologista.

Quando recolhido, a indicação é manter o petróleo em tambores ou toneis e evitar deixá-los em baldes ou sacos plásticos - os dois últimos mais suscetíveis à deterioração pelo óleo.

Limpeza da pele

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goffkein.pro/Shutterstock

Quando o contato com a pele for inevitável, a remoção do petróleo pode ser feita seguindo alguns procedimentos.

A região deve ser limpa com gelo e óleo de cozinha, segundo Cibele. “O óleo de cozinha é um solvente orgânico e o gelo facilita a remoção do petróleo. Pode usar os dois, só é necessário tomar cuidado para não haver queimadura da pele com o gelo”, ensina a médica, que ainda oferece o óleo de coco como alternativa ao de cozinha.

A especialista também recomenda lavar a região com água em abundância e sabonete neutro após a remoção do petróleo com gelo e óleo de cozinha ou de coco.

Não devolver animais contaminado para o mar

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clayton harrison/Shutterstock

Se você encontrou um animal sujo de óleo e quer ajudá-lo, a melhor maneira é entrar em contato com órgãos responsáveis sobre o assunto para que possam tomar providências.

Cibele não indica devolver os bichos para o mar, pois há o risco de recontaminação das águas. Além disso, animais que foram atingidos pelo óleo, se ingeridos por humanos, também podem trazer riscos ao corpo.

Órgãos de saúde e fiscalização

E, claro, em casos de complicações, vale procurar a unidade de saúde mais próxima e relatar os sintomas. Também é importante notificar os órgãos de fiscalização, como a Defesa Civil e a prefeitura de sua cidade, sobre o óleo encontrado.

Manchas de petróleo no Nordeste