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Uma frase está tomando as redes sociais após assassinato de músico no RJ

A morte do músico Evaldo Rosa, vítima de uma ação do Exército no bairro de Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro, gerou comoção imensa nas redes sociais.

O carro em que o músico estava com sua família foi metralhado, na tarde de domingo, 7 de abril, com mais de 80 tiros dados por militares que estavam em ação na área, segundo apuração da Delegacia de Homicídios, reportada pelo site de notícias G1.

Diante do caso, artistas e anônimos compartilham, especialmente no Instagram, a expressão "80 tiros não podem ser 1 engano", em referência à suposta justificativa dada pelos atiradores. Eles alegam ter confundido o carro que Evaldo estava com a família com um veículo que estaria sido conduzido por criminosos.

Morte de músico em Guadalupe, no Rio, gera manifestações nas redes sociais

A frase "80 tiros não podem ser 1 engano" invadiu as redes sociais nesta segunda-feira, 8 de abril, após o Brasil ser tomado pela notícia de que um carro foi metralhado com mais de 80 tiros pelo Exército.

Evaldo Rosa, músico, morreu na ação. Ele ia para um chá de bebê com sua esposa, o filho de 7 anos, seu sogro (padrasto de sua esposa) e uma mulher. Apenas o homem e um pedestre que passava no local e tentou ajudar se feriram.

Rapidamente, ativistas negros, artistas, como as atrizes Monica Iozzi e Tatá Werneck, e anônimos passaram a compartilhar o caso nas redes sociais em tom de revolta. Ganharam força, ainda, a hashtag "Vidas Negras Importam" e publicações com a frase "Oitenta tiros".

"80 tiros não podem ser 1 engano"

"#vidasnegrasimportam e não venham dizer que é mimimi. “Mimimi” é a resposta mais fácil daqueles que não querem olhar pra um fato. Para um crime", escreveu a humorista Tata Werneck.

O ator Ícaro Silva, bastante sensibilizado com o caso publicou no final da tarde o post "Oitenta tiros", somente com a legenda: "to sem estômago".

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to sem estômago.

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A campeã do Masterchef Michele Crispim desabafou sobre o quanto a desigualdade racial no Brasil precisa ser discutida, por vivermos em uma sociedade que interrompe a vida dos negros por conta do racismo.

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80 tiros. Vidas negras importam. E as vidas brancas não? Claro que sim! A diferença é que as brancas não são interrompidas apenas por serem brancas. Não é sobre política. É sobre humanidade, é sobre reconhecer que esse problema existe dentro e fora das corporações, nos governos de esquerda e de direita, e que fingir que isso não existe tira muitas vidas inocentes. Foram 80 tiros. Não foi um engano, foi um crime. Dizer que a cor da pele não influencia na hora de apertar um gatilho, tbm não é um engano, é uma mentira. O fato de tanta gente acreditar que esse discurso é uma bobagem, é mais uma forma de perpetuar essa cultura que mata, que agride e que nos afasta da paz e da igualdade. Afinal de contas, se não te afeta não existe, é isso? É isso que muitos consideram mimimi? Não ser tocado pela dor alheia? Reconhecer no outro é uma forma de analisar se nós também não somos perpetuadores desse preconceito que estigmatiza pela cor, que pune pela aparência e que destrói famílias da forma mais injusta, cruel e dolorosa que pode existir. #vidasnegrasimportam #justiça

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80 tiros. Vidas negras importam. E as vidas brancas não? Claro que sim! A diferença é que as brancas não são interrompidas apenas por serem brancas. Não é sobre política. É sobre humanidade, é sobre reconhecer que esse problema existe dentro e fora das corporações, nos governos de esquerda e de direita, e que fingir que isso não existe tira muitas vidas inocentes. Foram 80 tiros. Não foi um engano, foi um crime.

Dizer que a cor da pele não influencia na hora de apertar um gatilho, tbm não é um engano, é uma mentira. O fato de tanta gente acreditar que esse discurso é uma bobagem, é mais uma forma de perpetuar essa cultura que mata, que agride e que nos afasta da paz e da igualdade. Afinal de contas, se não te afeta não existe, é isso?

É isso que muitos consideram mimimi? Não ser tocado pela dor alheia? Reconhecer no outro é uma forma de analisar se nós também não somos perpetuadores desse preconceito que estigmatiza pela cor, que pune pela aparência e que destrói famílias da forma mais injusta, cruel e dolorosa que pode existir.