Afinal, o foguete da Coreia do Norte é para atacar os EUA ou pra ir à lua?

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Crystal Eye Studio/Shutterstock

Na última semana, a Coreia do Norte divulgou o teste bem-sucedido de um motor foguete de longo alcance, que seria utilizado para colocar um satélite em órbita. O novo aparato, entretanto, colocou os Estados Unidos em alerta pelo fato de a estrutura poder ser usada para o lançamento de armas nucleares. 

Em uma matéria do jornal New York Times (em inglês), as razões do ditador coreano Kim Jong-Un foram para desenvolver um motor foguete foram colocados em xeque: afinal, a Coreia do Norte está se capacitando para alcançar a Lua, estritamente com fins civis, ou está se preparando para um ataque nuclear intercontinental? Quais são as chances de uma guerra nuclear acontecer? E como o motor foguete poderia ser base para lançamento de um míssil em regiões como Nova York e Washington? Entenda estas e outras questões a seguir.

Foguete coreano: qual o objetivo?

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KOREAN CENTRAL TELEVISION (조선중앙텔레비죤) - KoreanCentralTV1/Youtube

As fotos em que o ditador coreano Kim Jong-Un comemora o funcionamento em teste do motor foguete de longo alcance correram o mundo. Nas imagens, feitas em 21 de setembro, ele aparece com uma camisa branca, em um dia ensolarado, sorrindo ao lado de militares norte-coreanos.

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KOREAN CENTRAL TELEVISION (조선중앙텔레비죤) - KoreanCentralTV1/Youtube

A KCTV, rede oficial de TV do país, divulgou mais detalhes sobre o artefato com uma matéria veiculada em seu canal no Youtube:

“Kim Jong-Un visitou o centro espacial Sohae para orientar o teste de um novo tipo de motor foguete de alta potência para o [lançamento de] satélite geoestacionário”, detalhou. “O teste teve como objetivo fazer uma confirmação final do recurso da câmara de combustão, precisão na operação de válvulas e sistemas de controle e confiabilidade estrutural do motor durante 200 segundos de trabalho”.

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KOREAN CENTRAL TELEVISION (조선중앙텔레비죤) - KoreanCentralTV1/Youtube

A emissora explica ainda que o sucesso deste tipo de artefato garantiria o desenvolvimento de um foguete portátil que consiga lançar satélites geoestacionários, isto é, que gira na mesma velocidade que a Terra, com capacidade de observação a nível mundial. Este outro equipamento ficaria pronto em cinco anos, segundo a KCTV. 

Míssil balístico intercontinental

A ideia de um país jogar um míssil em outro, levando tudo para os ares, é apreensível e digna de cenas de cinema. Apesar das ameaças da Coreia do Norte, o lançamento do míssil balístico intercontinental, com um poder de destruição avassalador, ainda demoraria a se realizar.

“Segundo a maioria das estimativas não confidenciais, a Coreia do Norte precisaria de talvez cinco anos para casar seus avanços em mísseis com uma arma pequena e forte o suficiente para sobreviver aos estresses da reentrada na atmosfera em um míssil balístico intercontinental”, relevou o New York Times.

Seja qual for o uso deste potente motor foguete, Kim Jong-un não esconde que conquistar o espaço tem importância política para fortalecer o poder da Coreia. “O desenvolvimento e utilização do espaço é uma importante política do nosso Partido e uma importante obra para a qual o Estado deve se esforçar”, disse, ainda de acordo com a TV.

O que os Estados Unidos pensam disso?

O New York Times considera esse avanço dos programas nuclear e de míssil como uma “ameaça urgente” que deverá ser enfrentada por Donald Trump ou Hillary Clinton na presidência.A preocupação pode ser ainda maior diante do posicionamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas frente aos testes nucleares norte-coreanos (em inglês). Somente neste ano, a entidade condenou quatro outros procedimentos com novos motores realizados por Kim e o uso de tecnologia de míssil balístico pela Coreia. 

Os Estados Unidos também apontam mais três motivos para acreditar que esse foguete tem fins militares:

  • A colaboração de iranianos para a produção do equipamento
  • O avanço no campo nuclear, como aconteceu na China e na Rússia,
  • A inspiração no próprio formato de desenvolvimento norte-americano, com “a criação de um arsenal nuclear que possa ser lançado por aeronaves, silos de mísseis baseados em solo e submarino”, afirmam especialistas ao jornal.  

A vida nos dois países