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Há um perfil bem claro de quem é mais assassinado no Brasil: Mapa da Violência mostra

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O perfil de homens, negros e jovens está na mira das armas de fogo no Brasil. O Mapa da Violência, coordenado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), divulgado nesta última quinta-feira (25), mostrou que, no país, morrem 2,6 vezes mais negros do que brancos.

Na totalidade dos assassinatos por arma de fogo, os homens são esmagadoramente o maior alvo: 94% das vítimas. Nossa juventude também está morrendo mais do que qualquer outra idade: 25.255 mil brasileiros de 15 a 29 anos foram vítimas fatais de um disparo de um revólver, o que representa 59,7% do total.

Os números são baseados em dados preliminares referentes ao ano de 2014.

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No mesmo ano, 44.861 pessoas foram mortas por armas de fogo, em situações variadas: suicídio, acidente, causas indeterminadas ou homicídios – o que representa a maior parte das ocorrências, com mais de 42 mil vítimas.

O Vix acessou a pesquisa completa e avaliou as características dessas mortes, que mostram um abismo social e geográfico entre as vítimas. Você descobrirá o perfil de quem morre e quais são os locais considerados mais violentos, segundo o relatório, a seguir.

Fato é que os dados da violência armada são chocantes e mostram que o Brasil está longe de ser um lugar seguro. Os mais de 44 mil mortos por arma de fogo representam 123 vítimas a cada dia do ano e cinco óbitos a cada hora. Se a violência tem uma cara, esta é a hora de conhecermos.

Mapa dos homicídios no Brasil

De 2003 para 2014, o número de vítimas negras aumentou de 20.291 para 29.813 (46,9%). Já a taxa de assassinatos de vítimas brancas caiu 27,1% no mesmo período. Proporcionalmente, em 2014, morreram 158,9% mais negros do que brancos em 2014. O número de negros mortos já era maior em 2003, de 71,7%.

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Outro dado levantado pelo Mapa da Violência é a alarmante alavancada de mortes de jovens. “A principal vítima da violência homicida no Brasil é a juventude”, destaca o relatório.

Em 1980, 3.159 jovens de 15 e 29 anos foram assassinados por arma de fogo; em 2014, foram 25.255. Traduzindo, para um número que ninguém gostaria de noticiar: isso representa um crescimento de 699,5%. Vale destacar que, dos números mais recentes de assassinados, 59,7% estavam nesta faixa etária. A boa notícia é que esta porcentagem tem apresentado queda desde 2009, quando era de 59,8%.

Dentro do recorte da faixa etária, o jovem de 20 anos é o que mais morre em comparação a todas as idades (0 a acima de 70): foram 67,4 vítimas por 100 mil jovens, em 2014.

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Onde eles morrem

Segundo o Mapa da Violência, em 2014, o Nordeste foi o Estado que apresentou maior taxa de homicídios por arma de fogo (taxa média de 32,8/100 mil) – situação alavancada por Alagoas, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte, com taxas em torno de 40 homicídios por arma a cada 100 mil habitantes. 

“Em curto espaço de tempo, os estados do Nordeste tiveram que enfrentar uma pandemia de violência para a qual estavam pouco e mal preparados”, pontua o estudo.

Na esteira dessa realidade, o jovem nordestino foi o que mais morreu no mesmo ano; 11.363 perderam a vida por um disparo de uma arma. No Sudeste, foram 6.794 mortes de jovens por este motivo.

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A região, aliás, tem queda nas taxas de violência armada, em comparação a 2004. A taxa média em 2004 era de 23,9/100 mil e caiu para 14/100 mil, em 2014. Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro impactaram diretamente nessa realidade, com crescimento negativo de 57,7% e 47,8%, respectivamente. 

Capitais

O recorte pelas capitais, comparando dados de 10 anos, também mostra muitas mudanças. Em 2004, Recife ocupava o primeiro lugar no triste índice de mortes por arma; em 2014, fica em 13º no ranking.

O fato de que o Nordeste está mais violento se reflete também neste posicionamento: Fortaleza, que se posicionava em 19º em 2004 e, portanto, era considerado um local tranquilo, está, atualmente, em 1º lugar na lista. A capital é seguida de outras capitais nordestinas: Maceió, São Luís, João Pessoa, Natal e Aracaju.

Políticas de desarmamento

A pesquisa do Mapa da Violência ainda destacou que as políticas de controle à arma de fogo – tomadas em 2004 – determinaram uma queda nas ocorrências.

Comparando o número de mortes previsto para cada ano com as que ocorreram, de fato, a pesquisa constatou que, em 2014, por exemplo, foram poupadas 17.173 vidas que, somadas às dos anos anteriores, totalizam 133.987 vidas poupadas em função do Estatuto do Desarmamento.

Mapa de 2015:13 mulheres são mortas no Brasil, por dia e 7, por parentes