explore

No México, há séculos existe um terceiro gênero: nem homens, nem mulheres, são muxes

muxe mexico genero 0320 1400x800
jean-francois me/shutterstock

Muito tempo antes da popularização da sigla LGBTQI+ e dos debates sobre orientação e identidade sexual, o México já reconhecia e celebrava a existência de um terceiro gênero: os muxes. Entenda mais sobre eles no vídeo abaixo:

Muxes: terceiro gênero existe há séculos no México

Em Juchitán, Oaxaca (sul do México), acredita-se que os muxes, pessoas que não se identificam como homens ou mulheres, foram criados por um santo. Segundo a lenda, São Vicente Ferrer carregava três sacos de sementes: em um eram femininas, em outro eram masculinas e, no terceiro saco, havia uma mistura dos dois tipos.

muxes terceiro genero 0320 1400x800
REBEKANG/shutterstock

Esse último saco virou quando São Vicente caminhava por Juchitán e é por isso que, de acordo com a crença, os muxes só são encontrados nessa parte do México. Como São Vicente é o santo padroeiro de Juchitán, os muxes têm um significado muito especial para o povo zapoteca.

Na região, é uma bênção para a família ter um muxe em casa, porque são pessoas que têm as duas divindades. Um muxe é uma pessoa que nasceu com aparelho genital masculino, mas que se “comporta como mulher”, de acordo com as normas sociais.

muxes mexico bandeira 0320 1400x800
jean-francois me/shutterstock

Embora não exista um jeito único de reconhecer um muxe, ele geralmente se identifica com funções “menos masculinas”, segundo a norma social ainda machista. É comum, por exemplo, que tenham profissões consideradas “femininas”, como cozinhar, costurar, bordar e cuidar da família.

O que não quer dizer, no entanto, que eles não tenham outros interesses. Cada vez mais eles saem de suas aldeias e continuam seus estudos em grandes cidades. E mais: na comunidade, não é malvisto que um homem cis sinta atração por um muxe. Eles são chamados de mayates.

muxes parada mexico 0320 1400x800
jean-francois me/shutterstock

Acontece ainda em Juchitán a “Festa da Vela”, onde se celebra uma cerimônia religiosa em homenagem aos muxes, porque mesmo a igreja reconhece a sua importância dentro da comunidade. Após a missa, os muxes desfilam com velas e a rainha do festival é coroada.

Os muxes são exemplo de que, historicamente, o gênero não tem sido binário e a prova de que a diversidade não é uma “moda”. O povo zapoteca, inclusive, dá uma verdadeira lição sobre respeito e tolerância em relação àqueles que são considerados “diferentes” e que fogem dos padrões.

Causa LGBTQI+