Por razão histórica, casamento de Harry e Meghan é um marco importantíssimo

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"Sua Alteza Real e a Sra. Markle se tornaram noivos em Londres no início deste mês". Assim a Clarence House, uma das residências oficiais da família real, anunciou o noivado do Príncipe Harry e de Meghan Markle, atriz norte-americana em novembro de 2017.

Após o anúncio vir a público, a repercussão não poderia ser mais positiva. Membros da família real e da família de Markle demonstraram seu apoio e seus desejos de felicidade para os dois.

A Rainha Elizabeth e seu marido, Príncipe Philip, divulgaram um comunicado afirmando estarem “encantados pelo casal e lhes desejam toda felicidade”. O irmão mais velho, Príncipe William, e sua esposa, Kate Middleton disseram “estar muito entusiasmados com Harry e Meghan, é maravilhoso conhecê-la e ver quanto ela e Harry estão juntos”.

De lá para cá, o casal caiu nas graças do público e os sinais de que a noiva é muito bem aceita no berço de uma das famílias de maior prestígio do mundo é um evento muito mais significativo do que parece.

Por que casamento é marco na família real britânica?

Ao contrário do que já aconteceu no passado, pela primeira vez um membro da família real irá casar com uma mulher divorciada sem que isso gere uma crise institucional na monarquia britânica ou extrema rejeição pública.

No século 20, duas polêmicas movimentaram as notícias em torno da família real. O Rei Edward VIII teve que abdicar do trono para se casar com sua esposa Wallis Warfield. E o Príncipe Charles recebeu críticas durante décadas por sua relação com Camilla Parker-Bowles, com quem se casou apenas em 2005 - e que, mesmo no caso dele se tornar rei, jamais será coroada rainha.

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Tim Rooke/Getty Images

Rei Edward VIII teve que abdicar do trono

A razão tem nome e sobrenome: Bessie Wallis Warfield. Ela foi uma socialite norte-americana que estava em seu segundo casamento quando conheceu o então Príncipe Edward, na década de 1930, em Londres.

Sua história de matrimônios começou em 1916, quando conheceu e casou com Earl Winfield Spencer, um aviador da Marinha dos Estados Unidos. Os relatos da época indicam que rapidamente a relação se deteriorou pelo fato de ele ser alcoólatra e constantemente viajar pelo trabalho. Eles se divorciaram em 1927.

Pouco tempo depois, Wallis já estava envolvida com Ernest Aldrich Simpson, um executivo de transportes anglo-americano. O casamento dos dois foi realizado menos de um ano após o primeiro divórcio e marcou a mudança definitiva dela para Londres.

Foi quando conheceu o Príncipe Edward. A história extraoficial da relação conta que os dois começaram a namorar em janeiro de 1934, quando Wallis estava em crise com seu marido. Rapidamente ambos se apaixonaram, a ponto de Edward apresentá-la para sua mãe no Palácio de Buckingham. O evento teria gerado atrito entre ele e seu pai, o Rei George V, que teria ficado furioso com o namoro, uma vez que, à época, pessoas divorciadas eram excluídas da corte.

Rei George V morreu em janeiro de 1936 e o príncipe assumiu como Rei Edward VIII. Ele inclusive abriu mão de participar da posse, assistindo-a da janela do Palácio de St. James com a namorada. Wallis era oficialmente casada até então.

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A decisão de Edward VIII

Ao longo daquele ano, a relação do rei com Wallis se tornava mais e mais evidente e isso o tornou extremamente impopular com outros membros do governo, majoritariamente conservadores. Assim que a namorada conseguiu legalmente seu divórcio, Rei Edward VIII consultou o então primeiro-ministro Stanley Baldwin sobre uma alternativa: ele se casaria com Wallis em um matrimônio morganático, no qual ele permaneceria como rei, mas ela não seria rainha.

No Reino Unido, o rei é também Governador Supremo da Igreja da Inglaterra, que até 2002 não aceitava um novo casamento de pessoas divorciadas cujos ex-companheiros ainda estivessem vivos. Além desta impossibilidade religiosa, havia críticas morais: o fato de Wallis ser duas vezes separada soava aos ouvidos da época como inapropriado e até oportunista.

Ao ouvir um não de Baldwin, as coisas avançaram rapidamente. O namoro se tornou público ainda em dezembro de 1936 e no dia 10 daquele mês, Edward assinou o Instrumento de Abdicação, no qual abria mão da coroa - que seria assumida por George, um ano mais novo. "Eu considerei impossível carregar o pesado fardo da responsabilidade e execução de minhas funções como rei sem a ajuda e apoio da mulher que amo", justificou o ex-rei.

Príncipe Charles enfrentou polêmica e rejeições

O Príncipe Charles, o primeiro na linha de sucessão para o governo britânico, já viveu o casamento dos contos de fada - ou, ao menos, era o que a família real tentava demonstrar. Ele se casou em 1981 com Diana Spencer, que ficaria conhecida como Princesa Diana, em uma cerimônia transmitida para o mundo inteiro. Da relação, nasceram os príncipes William e Harry.

O que parecia o casamento dos sonhos era uma relação mantida pelas aparências. A mulher por quem o príncipe sempre foi apaixonado é Camilla Shand. Jornais britânicos especulam que Charles e Camila tenham namorado no começo dos anos 1970 e que o fim da relação seria meramente formal: ele precisaria se casar com uma mulher que tivesse vínculos com a aristocracia inglesa.

Camilla se casou com Andrew Parker Bowles (de quem herdaria o sobrenome), um oficial do exército britânico. E Charles conheceria Diana, se casaria e se divorciaria, após um casamento repleto de acusações mútuas de traição. Oficialmente, Charles e Diana se separaram em agosto de 1996, um ano antes da trágica morte dela, em um acidente de carro.

Parte dos escândalos de traição do casal real envolvia o nome de Camilla, que se divorciou de Andrew em 1995. Uma vez que Charles e Camilla estavam ambos solteiros novamente, a relação foi oficializada, mas diante de muitas críticas da sociedade inglesa. Contudo, a Igreja Anglicana já aceitaria o casamento.

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Em 2005, Príncipe Charles e Camilla finalmente se casaram e a igreja oficial da monarquia deu a benção. À época, o arcebispo da Igreja Anglicana, Lord Carey, deu declarações afirmando a união como natural.

A nova integrante da família real passou a se chamar Camila Rosemary Mountbatten-Windsor e recebeu o título de Duquesa da Cornualha, região na qual Charles é Duque. Contudo, devido à baixa aceitação da relação, se Charles se tornar rei, Camilla não poderá ser rainha, mas, sim, Princesa-consorte - pesquisa do Daily Mail diz que 98% dos britânico não quer vê-la com a coroa que hoje é de Elizabeth II.

Harry e Meghan enfrentaram crise, mas são queridos

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Chris Jackson/Getty Images

Se o casal começou o namoro em julho de 2016, na mesma época começaram as especulações e perseguições de parte da imprensa e da sociedade britânica. Meghan é atriz, divorciada desde 2013 e é birracial, ou seja, seu pai é caucasiano e sua mãe, negra

Em novembro daquele mesmo ano, o Príncipe Harry publicou um comunicado assumindo Meghan como sua namorada. Na ocasião, ele se posicionou contra as críticas e comentários maldosos sofridos pela atriz do ponto de vista sexista e racista.

Embora o preconceito inicial tenha sido relevante, muito mudou desde então. Harry e Meghan hoje são muito bem aceitos pelo público e caminham para viver uma relação em condições muito mais saudáveis do que antepassados reais tiveram que enfrentar.

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