Modelo trans é ovacionado ao desfilar sem camisa com texto forte escrito no corpo

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Francisco Cepeda/AgNews

A SPFW 48 ficará marcada na vida de Sam Porto. O modelo trans, que desfilou na abertura do evento para a Ellus e é considerado a aposta da edição, participou de um protesto durante o desfile da marca Cavalera.

Com uma camisa com recortes e transparência, ele desfilou pela passarela abrindo o zíper da peça até deixar a frase "Respeito trans" completamente exposta em seu corpo. O apelo foi aplaudido por todos.

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Francisco Cepeda/AgNews

Quem é o modelo trans da SPFW?

Sam Porto tem 25 anos e nasceu em Brasília. Seu trabalho vem se destacando no universo fashion. Além das marcas já citadas, ele também faz parte do casting dos desfiles da Modem, João Pimenta, Apartamento 03, Handred e Korshi desta edição da SPFW.

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Logo após a abertura do evento, o modelo usou seu perfil no Instagram para falar um pouco sobre o que sua presença na passarela representava para as pessoas trans. "Que a vivência da prostituição de muitos que não têm oportunidades não seja mais uma única opção! Todos somos capazes de exercer qualquer coisa, só precisamos de mais respeito e inclusão em todos os espaços", escreveu.

O modelo disse estar completamente feliz pela oportunidade e por terem acreditado em seu trabalho. Sam ainda usou a sua publicação para fazer um apelo: "Que as oportunidades no meio de trabalho se abram cada vez mais a nós".

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Francisco Cepeda/AgNews

Desfile protesto da Cavalera

Na última quarta (16), no entanto, foi quando Sam Porto participou do protesto. O desfile da Cavalera levou para a SPFW a discussão sobre preconceitos com foco principalmente na população negra. Cerca de 80% do casting era formado por modelos negros.

Karen Jonz, skatista profissional, também percorreu a passarela com seu skate.

O apelo de Sam encerrou o desfile colocando a causa dos transgêneros em destaque. Após tirar o colete, ele foi ovacionado e ajoelhou na passarela.

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Francisco Cepeda/AgNews

Em entrevista ao VIX, o modelo falou sobre a oportunidade de representar o público trans: "Me sinto muito honrado por estar tendo essa oportunidade, é uma responsabilidade gigante na qual eu carrego com muito orgulho, buscando a inclusão não só na moda mas em todos os espaços".

"É um sentimento de conquista, pode parecer pouco para alguns, mas pra nós é uma luta diária de inclusão extremamente importante e necessária. E não acaba só aqui."

O convite para fazer o protesto aconteceu de maneira despretensiosa, quando Sam fazia a prova de roupa. "Os estilistas me questionaram se eu me sentiria confortável e a vontade para expressar a minha vivência trans de alguma forma. Eis que então me passaram a proposta do desfile em geral, onde todos os modelos iriam militar sobre suas vivências. Não pensei duas vezes e logo aceitei!", conta.

Instagram

A partir de então, ficou decidido que ele fecharia o desfile e deram carta branca para que ele usasse a passarela como quisesse. Baseado no tema principal do desfile e dos discursos apresentados, Sam fez o seu protesto. "Me encorajei e só fui eu mesmo, fiz o que o meu coração pediu, pensando em todas as pessoas que sofrem, principalmente pela falta de respeito! E tudo isso, eu fiz sem pensar em proporções ou repercussões, foi total de coração, entregue tudo na hora", lembra.

A resposta do público foi instantânea, os aplausos de quem assistia ao desfile foram a resposta ao apelo de Sam.

"Senti que o esforço de tudo que fiz dois meses atrás quando joguei tudo pro alto em Brasília pra vir a São Paulo, praticamente sem dinheiro, sozinho, só com a pretensão de participar do Fashion Week, buscando a representatividade principalmente pela falta de referências masculina no mundo da moda, tudo valeu apena!", conta.

Veja o vídeo completo do desfile. O momento o do protesto acontece a partir dos 15 minutos e 40 segundos:

Representatividade na moda