Viajei com meu filho de 2 anos e tenho coisas importantes a contar para todas as mães

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Evgeny Atamanenko/Shutterstock

Antes de ficar grávida do Daniel, sempre dizia que nunca deveríamos deixar de viajar por causa de um filho. Que ele é quem deveria se adaptar à nossa vida, e não o contrário. Só que, na prática, não é bem assim. Pode esquecer que vai ser tudo como era antes. Na verdade, por que não pode ser até melhor?

Demoramos exatos dois anos e cinco meses para fazer a nossa primeira viagem internacional com o Dani. Ele já tinha andado de avião antes, mas era só colocá-lo no peito para mamar que estava tudo certo. Mas, no auge da "pequena adolescência" dos dois anos de idade, tudo muda.

Terríveis dois anos

Não sou eu quem está dizendo: o termo "terrible two" é usado por especialistas para definir as mudanças de comportamento das crianças nesta idade, que é quando elas começam a desenvolver o ego e percebem que possuem desejos e vontades próprias. Parece lindo na teoria, mas exige muita paciência e compreensão por parte dos pais. Principalmente durante uma viagem em família.

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MIA Studio / Shutterstock

Depois de passar uma semana em Buenos Aires com meu filho, meu marido e minha família, cheguei à conclusão de que é possível, sim, fazer uma viagem perfeita ao lado de uma criança de dois anos. Não foi o caso desta vez. Mas, na próxima ocasião, já sei o que fazer e como me preparar.

Escolha o lugar certo para ficar

Nossa acomodação em Buenos Aires era um quarto de casal em um hotel low-cost no centro da cidade. Dispensamos a cama extra porque sabíamos que o Daniel faria questão de dormir com a gente. O problema não era o quarto, que era pequeno, mas bem ajeitado. A questão é que este tipo de hotel não foi feito para receber crianças desta idade.

Mesmo que você tenha reservado um quarto super espaçoso próximo ao mar ou junto às montanhas com espaço ar livre e atrações infantis, meu conselho é: tente recriar ao máximo a rotina que o pequeno tem em casa. Ou seja, em vez de ficar em um hotel, opte por um apartamento compartilhado ou alugado.

Aí você vai poder fazer o café da manhã para ele, criar um espacinho para a criança brincar e fazer com que o pequeno se sinta menos deslocado. No café da manhã do hotel, o coitadinho estranhou tanto aquele movimento intenso de pessoas que nem queria sentar para fazer a refeição - e olha que ele gosta de comer!

Enfim, se você é mãe, sabe da importância de manter uma rotina para o seu filho - mesmo nas férias. Ele sente falta disso. Claro que, em uma viagem internacional, nem sempre é possível. Mas, se você fizer o mínimo esforço e ao menos tentar recriar um ambiente mais familiar para ele, já vai fazer uma grande diferença.

Escolha os restaurantes certos

Já que falamos em restaurantes, vamos deixar uma coisa bem clara: se você quiser explorar a gastronomia local ou comer em lugares chiques de chefs estrelados, é preciso se organizar e conseguir uma pessoa para cuidar do filho, porque tudo o que uma criança de dois anos não quer é ficar sentada em uma mesa sem poder sair e tendo que se "comportar" na frente dos outros. Já vou avisando que não há tablet, celular, Galinha Pintadinha ou Mundo Bita que salve neste caso.

Eu sei que tudo o que a gente quer quando senta em um restaurante legal em outro país é relaxar, tomar um vinho, comer com calma e contemplar o ambiente. Mas é claro que o seu filho não está interessado em nada disso. Sabe o que ele quer? Brincar. Só isso. Ah, talvez comer, também. Fazendo bastante sujeira. E depois brincar mais um pouco. Ver desenho? Adianta por uns 10 minutos, no máximo. Ele quer mesmo é correr e explorar o ambiente.

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Hotel Parque das Fontes/Divulgação

A melhor experiência em um restaurante nesta viagem foi quando encontramos um lugar bem espaçoso, ao ar livre, equipado com um pula-pula e um parquinho. Eu queria mesmo era ir para um lugar com vista para o rio, no outro lado da rua. Mas o parquinho me fez mudar de ideia, e valeu muito a pena. Comemos em paz, o Daniel ficou feliz e todos saímos satisfeitos. Em resumo, sair para comer com uma criança de dois anos pode ser bem legal, desde que seja legal também para ele.

Leve o carrinho

Com dois anos, a criança já paga passagem, ocupa seu próprio assento e não tem mais direito à cortesia de bagagem para o carrinho de bebê. No nosso caso, a companhia ainda deixou passar.

Mesmo assim, vale o investimento e o esforço de levar este "trambolho" para a viagem. Um carrinho é muito útil tanto para passear com a criança quanto para deixá-la dormir quando ela quiser descansar e vocês ainda estiverem na rua ou em um restaurante, por exemplo.

A hora de brincar é sagrada

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Dmitry Bruskov/Shutterstock

Sabe aquela sensação boa que a gente tem quando viaja? De conhecer um lugar diferente, uma nova língua, a cultura, se empolgar com as atrações turísticas, tirar milhões de fotos e tudo mais? Então, uma criança de dois anos não sente nada disso e não tem o menor interesse. Adivinha a única coisa que ela quer? Brincar.

Para uma criança, não interessa se ela está em São Paulo, Buenos Aires, Paris ou Abu Dhabi: ela só quer saber onde fica o parquinho. E todas estas cidades têm um parquinho, não é mesmo? Reservar algumas horas por dia para o seu filho brincar será o suficiente para satisfazer esta vontade e deixá-lo mais calmo e obediente. Pelo menos foi assim comigo.

Não quer dizer que você vai precisar ficar o dia inteiro no balanço ou escorregador. Basta intercalar as atividades da criança com as atrações dos adultos. Entre um programa e outro, deixe seu filho se divertir um pouco, afinal, é tudo o que ele quer.

Entretenimento para o avião

A dificuldade natural que uma criança de dois anos tem para ficar sentada no mesmo lugar atinge níveis críticos em uma viagem aérea com mais de duas horas. Para evitar que o pequeno saia correndo da poltrona e esbarre no carrinho do lanche, ter opções de entretenimento dentro do avião é uma questão não só de bem-estar, mas também de segurança.

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Yaoinlove/Shutterstock

Antes de viajar, separe livros, lápis de cor, bichinhos de pelúcia e os brinquedos favoritos dele para passar o tempo dentro do avião. Também vale baixar em um tablet ou celular alguns episódios daquele desenho que ele gosta - não é o ideal, mas trata-se de uma ocasião especial e pode ajudá-lo a dormir durante o voo.

Confie nas suas convicções

Mesmo depois de todos estes conselhos, minha mensagem final é: você pode até ouvir conselhos de outras pessoas, mas acredite em suas próprias convicções sobre o que é melhor para o seu filho. Pelo seu bem-estar (e saúde mental), tente não dar muita importância aos palpites dos outros.

E olha que você vai ouvir muitos durante a viagem, seja da passageira da poltrona ao lado ou mesmo dos familiares que estiverem junto. Afinal, quando estamos de férias, a única preocupação deve ser curtir ao máximo cada momento ao lado do filho e do marido. E nada mais importa.

*Relato escrito com a colaboração do marido, o jornalista Rafael Bruno.

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