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Evacuar na sala de parto: Sabrina ajudou a quebrar tabu ao relatar sua experiência

Seis meses após dar à luz Zoe, sua primeira filha com o ator Duda Nagle, Sabrina Sato voltou a relembrar o parto em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, revelando que foi “pega de surpresa” em diversos momentos – inclusive por algo que, apesar de extremamente comum, muita gente prefere não falar sobre: o fato de que muitas mulheres acabam por evacuar durante o trabalho de parto.

Sabrina quebra tabu

No vídeo, que faz parte de uma série chamada “Mães de Verdade”, Sabrina se juntou a outras duas mães para discutir as experiências que cada uma teve ao dar à luz. Ao chegar sua vez, Sabrina deu detalhes do parto e contou que, mesmo após horas em trabalho de parto, ela ainda não apresentava contrações “típicas”, e sim momentos marcados por muita dor de barriga.

Ainda que muita gente se envergonhe sobre esse tipo de situação – o que acaba contribuindo para que o tabu acerca da questão continue firme e forte –, Sabrina foi muito honesta ao relatar o que aconteceu em função dessas dores. “Eu fiz minhas necessidades fisiológicas e perdi minha dignidade total na frente do Duda e na frente de quem estava naquela sala umas seis vezes”, relatou a apresentadora, demonstrando o constrangimento típico de quem passa por isso.

Por que mulheres evacuam no parto?

A fala de Sabrina, por sua vez, ajuda a desmitificar o fato de que, conforme expõe o obstetra Alberto Guimarães, da rede Parto sem Medo, a maioria das mulheres evacua no parto - e por diversas razões. Em primeiro lugar, conforme o processo começa, há a liberação de uma carga hormonal que, apesar de estar ligada com o nascimento do bebê, também influencia o funcionamento do intestino.

Conforme explica o médico, a vontade de ir ao banheiro é inclusive um indicativo de que o trabalho de parto vai começar, e respeitar essa necessidade do corpo pode até evitar a evacuação durante o parto em si. Ainda sob essas circunstâncias, porém, é bem comum que a mulher evacue enquanto dá à luz, e o motivo para isso é mais “mecânico” do que fisiológico.

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Um filho já nasce ensinando a gente. E a Zoe além de me ensinar sobre o maior amor da vida, me ensinou mais... Eu me preparei, estudei, assisti vídeos, li livros, fiquei 5 meses da gestação fazendo exercícios pélvicos pra poder fazer o parto mais natural possível. Me recolhi, deixei de ir em festas de amigos e me dediquei total a esse grande sonho de gerar uma filha. Passei essas 41 semanas em concentração, vivendo isso e fazendo todos a minha volta e até vocês a viver também. Tudo o que me proponho a fazer na vida, faço com toda minha força, trabalho, amor e fé , por isso sempre tudo saiu da forma que mentalizava, imaginava e queria. Mas Deus está sempre nos ensinando. E às vezes o que queremos não vem no caminho que imaginamos, da forma que gostaríamos . Eu tinha certeza que minha filha nasceria de um parto natural já que tinha me preparado tanto pra isso e nem pensei no plano B, uma Cesárea humanizada. Pq sempre achei lindo ver a força da mulher, do animal parindo. Mas o nosso caminho foi outro. E depois de 41 semanas e mais de 24h de bolsa rompida, 20h de trabalho de parto ainda não tinha minha filha nos meus braços. Foi através de uma cesareana que tinha medo, receio e não estava nos meus planos pq a anestesia, corte, cicatriz e tempo de repouso não saiam da minha cabeça, que chegou o maior presente da minha vida. Foi emocionante. Me senti mais forte ainda depois de tudo o que passamos e tenho refletido muito sobre esse momento que vai ficar pra sempre comigo. Mas o fundamental, Zoe esteve todo o tempo muito bem e nasceu com muita saúde. Minha filha, em meio a tanta emoção, me fez compreender que ela é quem escolheria a forma como viria ao mundo. Deus é bom o tempo todo 🙏❤

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“O intestino fica atrás do canal vaginal. Quando o bebê está passando, ele empurra toda essa região. É por isso que enquanto a cabeça passa, a mulher sente uma sensação como se estivesse evacuando”, explica o médico, ressaltando, inclusive, que tomar medidas como não se alimentar ou fazer uma lavagem intestinal antes do parto para evitar esses “acidentes” não são uma boa ideia.

Segundo ele, enquanto deixar de comer pode fazer com que a mulher não tenha a energia necessária para enfrentar o intenso processo do parto, fazer uma lavagem é algo que coloca a mulher grávida em uma posição constrangedora sem necessidades, além da possibilidade de as fezes ficarem ainda mais líquidas, facilitando a saída delas durante o nascimento do filho.

O obstetra reforça ainda que, nesse momento, o ideal é não tentar controlar a vontade de evacuar justamente porque isso pode atrapalhar o nascimento. “O parto é entrega. Se a mulher sente qualquer sensação semelhante à de evacuar e trava, ela está também travando o canal vaginal e dificultando a saída do bebê”, esclarece ele, lembrando também que as fezes não apresentam perigo ao bebê.

Segundo Alberto, na maioria das vezes as fezes não entram em contato com o bebê porque a vagina e o ânus estão em locais diferentes e a equipe normalmente já faz a higiene de maneira rápida. Caso aconteça, porém, ele afirma que não há problema algum. “As bactérias eventualmente nocivas das fezes da mulher já estimularam a produção de anticorpos que já foram, ainda na gestação, passados para o bebê”, afirma.

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