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São esses os motivos que fazem as mulheres escolherem o parto normal como 1º opção

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O parto normal é tido por muitos médicos como a via ideal de nascimento do bebê. O motivo tem a ver com avanço da medicina e também com a natureza fisiológica da mulher.

De acordo com a ginecologista obstetra Dra. Carla Andreucci Polido, em texto publicado no grupo Cesárea? Não, obrigada, do Facebook, todas as transformações protagonizadas pelo corpo das mulheres na gravidez o torna mais preparado para a gestação e para o parto vaginal.

Por que o parto normal é mais indicado e mais seguro?

É exatamente por ser o tipo de parto para qual o corpo feminino se prepara desde sempre que ele é tido como o mais indicado.

Como explica a obstetriz Ana Cristina Duarte, o nascimento via vaginal requer mais acompanhamento e observação do que interferência médica ou cirúrgica (procedimentos que muitas vezes apresentam riscos para a saúde da mãe e do bebê) e é por isso que se torna também, na maioria dos casos, a opção mais segura.

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Cesárea salva vidas

Foi também o avanço da medicina que permitiu a criação e o aprimoramento da cirurgia cesariana, procedimento que salva vidas e em determinados casos e condições é a via de nascimento mais segura e indicada.

Na maioria das vezes, no entanto, os riscos da cesárea são bem maiores do que os do parto normal e é exatamente por isso que mulheres, médicos e profissionais da saúde optam por ele como primeira opção para o nascimento do bebê.

Benefícios do parto normal

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Melhor desenvolvimento do sistema respiratório

Quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo, isso garante que o líquido amniótico seja expelido de dentro dos seus pulmões pela boca, facilitando seu primeiro suspiro e estimulando o desenvolvimento pleno do sistema respiratório.

Aceleração na produção do leite

Durante o trabalho de parto o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a produção do leite no pós-parto.

Rápida recuperação

A recuperação de um parto normal tende a durar até 48 horas. A saída do hospital com o bebê é mais rápida do que na cesárea.

Fortalecimento do sistema imunológico

O contato do bebê com as bactérias e os micro-organismos existentes no canal vaginal estimulam o sistema imunológico do recém-nascido, fazendo com que o parto normal seja responsável criar barreiras contra doenças futuras como asma, obesidade e doenças auto-imunes

Riscos da cesárea

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Atraso na produção do leite

O organismo, ao ser surpreendido por uma cesárea, não está pronto para produção do leite. Em alguns casos, mulheres que passaram pela cirurgia demoram de dois a cinco dias para produzir o alimento.

Insuficiência respiratória

De acordo com dados do Ministério da Saúde, as cesáreas aumentam em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e se trata da principal causa do encaminhamento de bebês para UTIs neo-natais.

Lesões da bexiga

Depois da primeira cesárea, o risco de lesões na bexiga aumenta nas próximas gestações, considerando que o tecido que se desenvolveu depois do parto anterior está mais frágil.

Hemorragia

Qualquer cirurgia cesariana tem como risco a hemorragia. Porém, o risco de sangramento grave é proporcional ao número de cesáreas anteriores. A necessidade de uma histerectomia - remoção do útero - para controlar o sangramento também aumenta com o número de repetição das cirurgias.

Problemas com a placenta

Quanto maior o número de cesáreas e consequentemente mais cicatrizes no útero, maior o risco de desenvolver problemas com a placenta, como a placenta acreta.

Diminuição das chances de parto normal futuro

Cada incisão uterina deixa um ponto fraco na parede do útero. Por isso, quanto mais cicatrizes existem, menores as chances da mulher conseguir um parto normal depois de 3 ou 4 cesáreas.

Ruptura uterina

De acordo com publicação de Dra. Melania Amorim, médica obstetra pós-doutorada na OMS, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia) e autora do blog Estuda, Melania, Estuda, a maior preocupação de um trabalho de parto depois de uma cesariana é a possibilidade de ocorrer uma ruptura uterina e as complicações decorrentes, tanto materna como perinatais. A ruptura pode ocorrer porque a região da cicatriz deixada no útero não tem a mesma resistência do tecido íntegro e, por isso, torna-se um ponto de fragilidade.

Maior risco de morte neonatal e materna

Ainda conforme a médica, o risco de um bebê morrer em uma cesárea é 2,5 vezes maior do que o risco de um bebê morrer em um parto normal. O risco de uma gestante morrer é 3 a 5 vezes maior nesse procedimento.

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Cesárea salva vidas, mas precisa ter indicação real

Para Esther Vilela, coordenadora da Saúde da Mulher, em entrevista ao site do Ministério da Saúde, os altos índices de cesáreas agendadas no Brasil são resultado de fatores como a comodidade, em virtude da compatibilização de agendas entre mães e médicos, a relativa praticidade do procedimento cirúrgico – que não dura mais de duas horas – além do receio que muitas mulheres cultivam em relação ao parto normal.

Nesse sentido, ela destaca a importância da presença das enfermeiras obstétricas ou obstetrizes na atenção às mulheres em partos de baixo risco, a reformulação dos centros de parto normal em ambientes mais acolhedores para as gestantes, além do respeito à privacidade e à liberdade da mulher no momento do parto.

Parto normal ou cesárea?