mulher

Por que alimento dado a filho de Karina Bacchi gerou tanta discussão?

Logo após o nascimento de um bebê, é comum os pais terem dúvidas do que fazer e do que não fazer nos primeiros meses de vida da criança. Neste sentido, uma das questões que mais inquietam as famílias diz respeito ao momento certo em que deve iniciar a introdução de alimentos aos filhos.

Mamãe de primeira viagem, Karina Bacchi acabou levantando justamente essa discussão ao divulgar nas redes sociais uma foto ao lado do filho, Enrico. Publicada no Instagram, a imagem mostrava a famosa oferecendo um pedaço de melancia ao menino, de apenas quatro meses e meio.

O post rapidamente recebeu comentários de internautas que questionaram a artista por iniciar a introdução alimentar ao bebê antes dos seis meses – já que é consenso que o aleitamento materno exclusivo deve acontecer até o sexto mês de vida da criança, recomendação difundida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde.

Em contrapartida, outros seguidores defenderam a atitude de Karina e alguns também se identificaram com a situação, explicando que também começaram a dar novos alimentos aos filhos antes da idade indicada pelas instituições. 

Quando dar comida ao bebê?

Diante do contexto, o pediatra e coordenador regional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Bruno Paes Barreto, afirma que, a princípio, existe mesmo uma orientação dos órgãos oficiais brasileiros de que o aleitamento materno exclusivo deve ser feito nos seis primeiros meses do bebê. Porém, ele explica que a introdução de frutas, papinhas e sucos antes dessa idade é viável e pode ser feita conforme a situação da mãe.

“A Sociedade Europeia de Pediatria, por exemplo, faz uma recomendação de leite materno exclusivo até os quatro meses da criança. Já no Brasil, preconiza-se o aleitamento materno até os seis meses e, só a partir de então, os pais já poderiam introduzir alimentos adequados ao bebê dessa faixa etária. Mas muitas mães não conseguem amamentar até essa idade e realizam o aleitamento parcial até os quatro meses, introduzindo a fórmula infantil junto com os alimentos semissólidos e pastosos”, diz.

De acordo com o especialista, antes dos quatro meses, o bebê tem apenas o reflexo da sucção desenvolvido e não consegue mastigar ou engolir os alimentos. Conforme a criança vai crescendo e se desenvolvendo neurologicamente, ela ganha um maior atributo motor que faz parte de sua evolução fisiológica natural.

“Não iniciamos a alimentação complementar antes dos quatro meses porque não queremos ou porque existe um marco de tempo, mas, sim, porque existe todo um desenvolvimento neurológico associado que faz com que a criança possa aceitar o alimento depois do quarto mês de vida”, explica.

Segundo ele, o consenso existe apenas para que não haja a introdução de alimentos antes da idade mínima. “Se a mãe realmente não pode amamentar até os quatro meses, a criança deve receber apenas a fórmula infantil adequada para cada faixa etária”, orienta.

Tipos de alimentos adequados para os bebês

Além da idade, outro ponto importante que os pais devem considerar na hora de iniciar a introdução alimentar ao bebê é o tipo de comida que é oferecido em cada faixa etária. De acordo com Bruno Paes Barreto, antigamente, muita gente evitava alguns alimentos por serem considerados, por exemplo, alergênicos.

“Ovos, peixes e oleaginosas como amêndoas, tinham sua introdução adiada para depois do primeiro ou segundo ano de vida da criança pelo risco de alergenicidade. Porém, isso já não é mais uma verdade. Hoje, todo os alimentos, de acordo com a cultura de cada região, devem ser introduzidos no momento certo, independente de seu poder alergênico. A não ser que a criança já tenha um diagnóstico clássico de alergia”, pontua.

Em qualquer situação, o pediatra aconselha que a introdução alimentar em bebês seja sempre acompanhada de perto por um especialista e reforça que as mães devem sempre ter em mente a recomendação do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do filho.

Dicas sobre nutrição dos bebês