Quantas cesáreas o corpo de uma mulher pode suportar? Há limite?

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O limite de cesáreas que uma mulher pode ser submetida é variável. Porém, não se pode esquecer de que a cesariana, mesmo sendo necessárias em alguns casos e salvando vidas, é um procedimento cirúrgico e exige cuidados, além de ser mais agressiva ao corpo.

De acordo com Dra. Melania Amorim, obstetra e professora da Universidade Federal de Campina Grande, em artigo para seu blog, o ideal é que a primeira cesárea seja evitada. Isto porque, sem nenhum corte no útero, uma mulher pode ter inúmeras gestações sem ter os riscos de ruptura uterina e outras complicações aumentados.

Quando este cenário não for viável, no entanto, alguns fatores devem ser analisados.

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Primeira cesárea

Depois de uma cesárea realizada, de acordo com o ginecologista Dr. Renato de Oliveira, o recomendável é que espere cerca de um ano antes de providenciar um novo herdeiro, já que o corpo da mulher leva de 6 a 12 meses para se recuperar completamente.

Além do cuidado com o intervalo entre uma gestação e outra, é essencial atentar-se aos riscos da via de nascimento. De acordo com Dra. Carla Andreucci Polido, obstetra e professora da Universidade Federal de São Carlos, no artigo "VBAC: Parto Vaginal Após Cesariana. Mitos e Medos", depois de primeira cesárea é possível ter um parto normal - e essa é a via de nascimento mais indicada. Isto porque, se comparado aos riscos da cirurgia, ele ainda é mais seguro e as chances de sucesso ultrapassam os 70%. É por isso que a máxima "uma vez cesárea, sempre cesárea" é um grande mito.

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Entre os benefícios de um parto normal após cesárea a médica cita: menor tempo de internação e recuperação, menor incidência de complicações como febre pós-parto, infecção uterina, tromboembolismo e necessidade de transfusão de sangue e menor incidência de problemas respiratórios neonatais.

Entre os riscos, porém, há o de ruptura uterina. Segundo a especialista, no entanto, se colocados na balança, eles são menores do que aqueles provenientes de uma segunda cirurgia. “Traduzindo em miúdos, em 100 mulheres submetidas à TOLAC (que entrarem em trabalho de parto), menos de duas teriam uma rotura uterina, e mais de 70 delas teriam um parto vaginal”, exemplifica.

Duas, três ou mais cesáreas

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O cenário muda quando há a realização de duas ou mais cesarianas. Como a médica explica, um parto normal depois da terceira ou a quarta cesárea têm riscos semelhantes ao da cirurgia. Por isso, nessas situações, o ideal é que a mulher discuta com sua equipe médica quais são os riscos e os benefícios das duas vias de nascimento e esgotem as possibilidades para que possa optar por uma delas conscientemente.

Por isso, embora não exista um número máximo de quantas cesáreas o corpo aguenta, a cada novo procedimento cirúrgico ou riscos vão aumentando, tanto para a realização de uma nova cirurgia como para o nascimento via parto vaginal.

Cirurgia cesariana