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3 mães dão grandes lições de amor próprio ao ganharem novos corpos após a gestação

Gerar uma vida é um acontecimento tão transformador que, do momento da descoberta da gravidez até o nascimento, a mulher viverá uma série de mudanças tanto físicas quanto psicológicas. O corpo trabalha para gestar um bebê da melhor forma possível e aceitar essas mudanças nem sempre é fácil, ainda mais quando os modelos de mães que estão na mídia são tão distantes da realidade.

Ser mãe e ter uma "barriga chapada" meses após o parto não condiz com o reflexo no espelho da maioria das mulheres. Isso acaba gerando um sentimento de frustração, insegurança e contribuindo até para um quadro de depressão pós-parto.

Na contramão deste movimento imposto pelas redes sociais, pelos meios de comunicação e por boa parte da sociedade, algumas mamães têm criado páginas empoderadoras para inspirar outras mulheres a amarem seus “corpos reais”. Conheça algumas delas:

"Minha autoestima é alta pela mulher que eu sou"

Julia Harger é brasileira e vive em Melbourne, na Austrália, com sua filha de dois anos, a pequena Dominique. A designer é dona do blog Vegana é A Sua Mãe, onde inicialmente escrevia sobre sua rotina educando uma criança vegana. Entretanto, a maternidade trouxe a ela muitos questionamentos, que também passaram a ser compartilhados em sua página.

Atualmente, Julia divide suas reflexões acerca do empoderamento materno e não se acanha em exibir suas novas formas após dar à luz.

Julia conta que seu processo de autoaceitação começou antes da maternidade: “Era muito insegura, o que me ajudou foi a yoga e uma viagem à Índia, onde parei de buscar a perfeição em todos os sentidos da minha vida, diferente de como eu vivi a minha adolescência e parte da vida adulta, quando tentava diferentes tipos de dieta e odiava tanto a balança quanto o espelho”.

Diferente de outras mães, ela diz que não ganhou muito peso durante ou logo após a gravidez. Com a falta de tempo para se dedicar aos exercícios físicos, acabou engordando um pouco, mas assume que não foi difícil se adaptar ao "novo corpo".

“O foco da minha vida mudou completamente.Trabalho em um lugar que eu amo e vivo muito ocupada com a maternidade, tenho pouco tempo para refletir sobre a minha estética. Aprendi que tenho muito mais a oferecer do que aparência física, minha autoestima é alta pela mulher que eu sou e pelo que eu faço, não pelo meu corpo ou rosto. O único momento que tenho vontade de emagrecer é quando coloco minhas calças apertadas e penso: 'Será que jogo tudo fora e compro de novo?'... mas nada que uma legging preta não resolva”, diz em meio a risos.

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The 4th Trimester BODY - yes we show!!! Have you wondered why mums only want to show their bodies after whatever long after birth so they can be as close to what they used to look as possible? Let's stop censoring motherhood please, society! This is violence against women. We are not the same person after giving birth, PLEASE accept that we don't need to have the same body. Stop covering magazines with "LOOK AT THAT CELEBRITY ONLY AFTER 1 MONTH AFTER GIVING BIRTH! She's the same as before! Find out what she's done!" NEW MUMS let's be gentile with ourselves and change this reality. Let's embrace the beauty built in the changes in our bodies as a consequence of motherhood, childbirth and breastfeeding. Let's fight back with self steem and send the message that we will not be let down because of these changes. After all beauty IS INDEED HOW YOU FEEL and not how you look comparing to whoever society tells you. I simply love my new body and I will take it over, cherish it and always remember that it gave life to the greatest love of my life. No matter what it looks like. There's nothing wrong in having a flabby tummy - only awesome memories. ❤️❤️❤️ TAG someone who needs to read this ✌️

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Você pode olhar para essa foto e notar que eu engordei 3 kilos depois que mudei de cidade, que nunca recuperei a minha barriga pré-gestação, que eu deixo minha filha sentar nos móveis, que mostro minha maturidade substituindo sutiãs por tops da Disney… Ou você pode ver uma mãe que se sente à vontade na frente da filha a medida que mostra a ela o que é um corpo real de mulher longe do que se vê em revistas, uma barriga real, um cabelo real que já é 50% de raiz escura, um momento maravilhoso entre família em que a foto deu errado porque uma teta é mais interessante do que olhar para a câmera, segundo a quiança… e perceber a beleza desse instante. Se há 5 anos me mostrassem essa foto e me falassem que essa seria eu no futuro… bem, eu acho que teria dado um jeito de parar o tempo. Hoje eu só olho pra essa foto e penso: nossa vida está uma bagunça em todos os sentidos no momento e ainda assim conseguimos ser uma família linda desse jeito? que duplazona da porra. Ah, a maturidade!

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Ao compartilhar suas fotos com mensagens empoderadas, Julia diz que tem a intenção de inspirar outras mulheres e fazer com que cada vez mais elas enxerguem a realidade.

“Tento contrabalancear nossos feeds das redes sociais com tantos corpos impossíveis e perfeitos. Mostrar o que a maioria não mostra para que as mulheres entendam que tem muito corpo que não é perfeito e está tudo bem! Perdi muitos dias de praia e divertimento por me odiar fisicamente. Depois percebi quanto tempo foi perdido, como a vida é muito maior que isso e que nós, mulheres, temos muito mais para oferecer do que nossa aparência física”, finaliza.

"Hoje eu me sinto bonita nesta pele"

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Antes mesmo da maternidade, Alexandra Kilmurray tinha baixa autoestima, tentava constantemente descobrir como aceitar o seu corpo, e foi necessário que ela passasse por muitas mudanças para que descobrisse um verdadeiro amor próprio.

“Depois de me tornar mãe passei a ter estrias na barriga, nas coxas, no bumbum e nos quadris... Basicamente, sou uma estria ambulante! Meus seios não são como eram antes de eu ter filhos e a minha barriga é flácida”, diz.

Após dar à luz dois bebês, Bryan e Anthony, em um intervalo muito curto, Alexandra não respondeu muito bem às transformações do seu corpo. Sentia-se envergonhada, pouco atraente e sofria de depressão pós-parto.

“Eu não sabia como meu marido poderia se sentir atraído ao me ver nua. Fiquei muito para baixo e me sentia depressiva. Com apenas 22 anos, eu não conseguia nem olhar para o meu corpo flácido. Foi muito difícil para mim”, recorda.

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Pouco depois, Alexandra decidiu que seu corpo precisava de amor e que ela precisava ficar em paz com ela mesma. “Aos poucos, comecei a olhar para as coisas que eu mais odiava e me lembrar como isso aconteceu com meu corpo. Foi por causa dos meus filhos! E não há nada que eu ame mais neste mundo inteiro do que os meus filhos. É por isso que hoje eu me sinto bonita nesta pele!”, afirma.

Atualmente, Alexandra é dona do blog Mother by Nature e, através de posts inspiradores e verdadeiros em suas redes sociais, ela motiva diariamente outras mamães a amarem seus corpos.

“Meu objetivo é fazer com que outras mulheres saibam que as marcas em nossos corpos não determinam nossa beleza. Podemos manter nosso corpo naturalmente flácido e ainda sermos bonitas e sensuais. Não precisamos nos preocupar por não sermos perfeitas. Quero ajudá-las a lidarem com seus problemas de imagem e depressão pós-parto, mostrar a elas que não estão sozinhas nessa”, finaliza.

"As mulheres são fortes e isso é sexy"

Laura Mazza tem 31 anos e vive em Melbourne, na Austrália. Ela era viciada em dietas e em exercícios físicos, estava sempre em forma, até a chegada dos seus pequenos Luca, de três aninhos, e Sofia, de apenas um.

Com as gestações, ela passou a ganhar peso e seu corpo mudou, o que a levou a uma forte depressão pós-parto, sendo necessário até o uso de antidepressivos. “Inicialmente foi muito difícil lidar com essas mudanças em meu corpo. Havia coisas que ele me impedia de exercer, mas agora eu o compreendo e treino apenas para ser saudável”, diz.

Em 2016, Laura criou o blog Mum on the Run, onde compartilha reflexões sobre a maternidade, desde aquelas em relação à criação de seus filhos, àquelas em relação a sua autoestima. “Espero que ao escrever no blog possa compartilhar minhas experiências e ajudar as pessoas, é tudo o que eu sempre quis fazer”, afirma.

Em suas redes sociais, ela costuma fazer publicações inspiradoras em relação às suas novas formas após a maternidade.

“Ser sexy não é sobre tudo o que você parece, porque as mulheres são fortes... e isso é sexy... são inteligentes... e isso é sexy... são corajosas, ferozes, duras e independentes... e isso é sexy! As mulheres geram vida e isso é lindo. Criar autoconfiança, porque se eu puder gerar uma criança e passar pelos obstáculos mais difíceis, nas primeiras semanas mais difíceis, posso fazer qualquer coisa”, diz em uma publicação no Facebook.

Lado real da maternidade