mulher

Ser mãe não é bom o tempo todo. Você erra, cansa - e tudo bem, você ainda é ótima!

Se questionados sobre o que são as mães, muitos responderão com facilidade que elas são super-heroínas, capazes de tudo pelos filhos, perfeitas. Essa concepção seja, talvez, a grande causadora da culpa que todas as mãe carregam, mesmo que ela esteja bem escondidinha dentro de si.

A tentativa de se tornar uma figura perfeita começa antes mesmo da gravidez, quando, ao observar a relação familiar dos outros, a mulher que quer ser mãe já idealiza como será quando chegar a sua vez - e essa idealização sempre exclui os erros.

E ela segue sendo construída desde os primeiros meses do bebê ainda na barriga. Nesse momento, além da pressão natural da mulher, surge a amiga, a sogra, a tia e todos os palpiteiros da internet. “Você não está engordando muito?”, “Sua barriga não está pequena demais?”, “Vai ser parto normal, né?” “A prima da tia do meu amigo perdeu um bebê no parto normal. Cesárea é mais segura”.

Frente a tantos questionamentos e conselhos – que muitas vezes são recheados de boas intenções e carinho, é verdade – a mulher, mais uma vez, se enche de medo e culpa. “Estou fazendo a melhor escolha?”, “Será que eu estou priorizando meu bem-estar e colocando o bebê em risco?” ou “Estou sendo egoísta?” são questionamentos frequentes e que, acredite, se tornam cada vez mais intensos com o nascimento do bebê.

A pressão pelo sucesso da amamentação, a decisão entre retornar ao mercado de trabalho e terceirizar os cuidados com o pequeno ou abdicar da carreira e acompanhar de perto os primeiros aninhos, a escolha entre uma escolinha mais acessível que permita momentos de lazer para a família ou uma escola que custe mais, mas passe mais segurança, a dúvida entre a rigidez excessiva e a permissividade, o desafio de uma alimentação saudável, mas prática, a dificuldade da construção da autonomia com a garantia da segurança, a insegurança na escolha dos primeiros amigos, a tensão pelo desempenho escolar, a ansiedade do primeiro relacionamento, a preocupação com a escolha da carreira, a responsabilidade em construir um adulto feliz e equilibrado.

São tantas dúvidas, angústias e medos por um objetivo irreal: ser uma mãe perfeita, acertar em todas as escolhas na educação de uma criança e formação de um indivíduo. Qual é o preço da tentativa de atingir essa – inalcançável, não se esqueça - perfeição, esse ideal materno que, na prática, é insustentável?

Frustração e culpa. Sentimentos que, a priori, parecem carregar carga negativa, mas são compartilhados por todas as mães, sem exceção - até mesmo por aquela em quem você se inspira e parece ser constantemente plena, feliz e realizada. Ela também acha que deve ser perfeita, mas mesmo se esforçando muito, não consegue. Ela também sente culpa.

A gravidez não é um mundo cor-de-rosa cheio de flores o tempo todo, a barriga pesa, o sono inconstante cansa, o corpo reclama. O parto não é somente uma visita ao paraíso, ele dói, suga energias, pode sair diferente do planejado. A amamentação não é puro deleite, o bico do peito racha, o bebê não pega, cansa, nem toda hora parece apropriada e às vezes falta vontade.

O amor de uma mulher pelo filho não nasce de um dia para o outro, ele é construído dia a dia. O filho? Ele não é uma extensão de sua mãe, ele tem vontades, faz escolhas, discorda, desrespeita, testa os limites, age de maneira criticável. Tem dias que a paciência acaba, o tédio chega, a dor invade, o medo toma conta, bate até um arrependimento momentâneo de ter se tornado mãe.

É a realidade. Mas, no mundo idealizado, nada disso acontece. É a romantização da maternidade que pinta todas as situações como belas e prazerosas, a cobrança – interna e externa - pela perfeição e a preocupação com o presente e com o futuro daquele ser que desperta tanto amor e proteção que gera a sensação comum de que as coisas não estão saindo do jeito certo, de que a perfeição não está sendo alcançada.

Se questionar é essencial, rever atitudes é importantes, buscar uma maternagem responsável é preciso, afinal, nem todas as escolhas são, de fato, as mais acertadas e benéficas. É possível melhorar, evoluir, ajustar ações equivocadas. Mas, é importante também aceitar que o desempenhar deste importantíssimo papel não será feito apenas de acertos… e presta atenção aqui: está tudo bem mesmo assim!

Mães podem e devem ser reais e se aceitarem exatamente desse jeitinho. Podem errar, podem tomar decisões equivocadas, podem se arrepender. Ainda assim, o mais valoroso é o amor, o cuidado, o respeito e o afeto dispensado na relação que resultarão um adulto com muitas qualidades – e também defeitos, porque, veja só, todo mundo os possui.

O que vale para medir o desempenho de uma mãe, então, são as respostas de um breve questionamento: o filho é amado? É respeitado em suas necessidades físicas e psíquicas? Se sim, a informação adquirida e, acima de tudo, o coração e a intuição devem ser o norte das decisões e da tranquilidade.

Acredite: sendo real, toda mãe está dando aquilo que pode e sendo generosa consigo - e isso vale muito. A maternidade não deve aprisionar.

É por isso que estamos, na semana das mães, falando sobre #MãeReal.

Mamis, mãe, mamãe, mãezinha, mãezona, Luciana, Cláudia, Renata, Fabiana e todas que têm um filho para chamar de seu. Você não é feita de erros – erros permeiam seu digno e amoroso trabalho – mas não o determina.

Desafios da maternidade