Mulher corta o cordão umbilical no próprio parto e emociona: "Agora somos duas"

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Márcia Kohatsu

A foto de uma mulher cortando o cordão umbilical logo após o próprio parto vem lembrando a internet da beleza por trás deste momento marcante na vida de toda mãe. Na imagem, feita pela fotógrafa Márcia Kohatsu, aparecem Deise Basquera e Duda, sua segunda filha, nascida na Maternidade Nossa Senhora das Graças de Curitiba, no Paraná, em abril de 2016. A pequena nasceu com 3,315 quilos e 49 centímetros.

Parto humanizado

Deise, que já era mãe de Maria Luiza, 5 anos, havia tido um parto normal hospitalar na primeira gestação, com algumas intervenções que hoje julga desnecessárias. Enfermeira formada pela Universidade Federal do Paraná e obstetra pós-graduada, ela atendia a partos domiciliares e já havia trabalhado em uma maternidade pública. Por isso, desta vez, optou pelo parto humanizado.

"Desde quando fiz meu plano de parto estava escrito que eu ia cortar o cordão. Era uma coisa que eu sempre quis fazer. Queria eu desligar algo que Deus ligou. É uma coisa muito emocionante, porque Deus preparou tudo perfeito. Eu estava carregando aquele bebê, minha placenta estava nutrindo aquele bebê, eu estava gestando, eu pari, nada mais justo que eu cortasse o cordão", diz.

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Márcia Kohatsu

Ela conta que a emoção foi grande durante o parto e que o corte do cordão aconteceu cerca de 10 minutos depois do nascimento. "A bolsa rompeu e 15 minutos depois ela nasceu. Foi bem rapidinho. Falei que queria ficar de cócoras, era meu sonho. E tive, do jeito que sempre sonhei. Saíram os bracinhos e eu puxei o resto do corpinho e a trouxe pra mim. Foi uma emoção poder cheirá-la, um cheiro maravilhoso que jamais vou esquecer… Eu a abracei e coloquei no meu colo. Fico olhando as fotos e como é delicioso, como queria voltar naquele dia só para pegar ela de novo e colocar no meu peito. Depois, quando o cordão já tinha parado de pulsar, cortei. E foi bem bonito, senti uma emoção e pensei: agora somos duas, não somos apenas uma", lembra.

Diferença entre cada parto

Para Deise, a diferença entre os dois partos foi gritante. "O primeiro, da Maria Luiza, eu queria simplesmente um parto normal sem cortes. O médico não fez questão de me mostrar vertentes, ou dizer o que eu podia fazer ou não. A doula foi imposta pelo médico e só a conheci quando já estava com 37 semanas. Como a bolsa rompeu muito cedo, entrei em trabalho ativo de parto muito rápido e fiquei desesperada, porque não tinha informação, não tinha empoderamento sobre meu corpo, achei que ia morrer com a dor. Tive analgesia, fiquei deitada o tempo todo", conta.

No parto da Duda, ela já era enfermeira obstetra e já tinha atendido outros partos domiciliares, então sonhava ter a filha em casa e ter seu protagonismo respeitado. "Mas como eu sempre digo, o parto não necessariamente deve terminar em casa. Ele começa em casa, mas, se por algum motivo a mulher e o marido consentem que não dá mais, esse parto segue para o hospital e tentamos um parto hospitalar humanizado. No meu caso, eu quis ir para o hospital depois de um longo trabalho de parto. Eu tinha muitas dores, muitos traumas, muitas coisas escondidas no meu subconsciente e no parto a mulher exterioriza isso. E foi bem marcante esse parto, bem transformador e renascedor", afirma. 

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Márcia Kohatsu

Cuidados com recém-nascidos

Ela optou também por o mínimo possível de intervenções médicas na filha recém-nascida. "Sou muito chata, falam que sou radical. Mas a questão é que eu tenho informação e quero o melhor para minhas filhas. Falei para a pediatra que queria banho, nem colírio, nem que aspirassem. Só permiti aspirar a região da boca, porque vi que ela estava com bastante secreção", explica.

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Márcia Kohatsu

Como é um parto normal?

Mas, apesar da bela história, Deise faz questão de dizer às mulheres que é importante não romantizar o parto. "A gente idealiza muito. Idealizei e não aconteceu. O parto tem dor, tem cocô, tem grito, tem sangue. São coisas do ser humano. E a gente romantiza, acha que vai ser lindo, que vai sorrir, não vai gritar, vai fazer a respiração certa. E na hora grita mesmo, a gente vira bicho. Mas foi um momento incrível, porque me preparei muito", afirma. 

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Márcia Kohatsu

Ela dá também um conselho para os homens: participem o máximo que puderem do nascimento de seus filhos. "Meu marido era muito relutante sobre o parto domiciliar, mas, em casa, durante meu trabalho de parto, ele ficou o tempo todo do meu lado, me deu água… Vi que eu não estava sozinha. Apesar da minha mãe, da doula, da fotógrafa, da enfermeira, a presença dele foi muito importante. É imprescindível o marido participar", diz.

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Márcia Kohatsu

Ela explica ainda que a participação do marido não precisa ser em 100% do parto, mas estar ali, do lado, mostra o amor que ele sente pela mulher. "Todos deveriam se empoderar juntos. A mulher não fez sozinha, o filho não é dela, o filho é deles", finaliza.

Histórias de parto humanizado