Lição de superação: jovem que fraturou coluna em academia mostra recuperação

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marcellemancuso/Instagram

A estudante Marcelle Mendes Mancuso, 23 anos, sofreu um acidente ao fazer abdominal invertido na academia em janeiro de 2016 e se tornou um exemplo de superação. Na época, seu caso foi muito comentado e gerou comentários sobre a influência de blogueiras fitness na prática de exercícios extremos. 

Hoje, depois de uma recuperação lenta que incluiu três meses apenas para reaprender a andar, Marcelle está voltando à rotina e mostra que cada movimento é um vitória.

Recuperação de Marcelle é inspiradora

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Acidente

Em janeiro de 2016, Marcelle estava fazendo o exercício de abdominal invertido, de cabeça para baixo, quando a faixa que segurava seus pés arrebentou. Ela estava acompanhada de um personal trainer, estagiário, que não conseguiu evitar a queda.

“No acidente, quebrei a vértebra C5, desalinhei a C4 e C6, tive compressão medular. Fiz um procedimento cirúrgico denominado ‘artrodese’, e fiz enxerto ósseo do osso da bacia. Hoje, tenho uma placa de titânio no pescoço e seis parafusos”, conta em entrevista ao VIX.

Por não ter havido uma lesão na medula - graças, principalmente, a seu corpo não ter sido mexido após a queda - a recuperação completa foi possível. 

O impacto do peso do corpo em um acidente durante a prática do abdominal invertido pode causar fraturas na coluna e, dependendo da vértebra atingida, a pessoa pode ficar tetraplégica ou paraplégica. Caso a medula seja atingida, há perda dos movimentos e também da sensibilidade da altura da vértebra para baixo, o que inclui o controle para urinar e evacuar. 

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Volta à vida de antes

“Foi um processo lento”, relata a estudante, que precisou reaprender a andar e, internamente, a rezar “pela aceitação ou pela melhora”.

“Tive que reaprender a andar, me alimentar sozinha, tomar banho. Não tinha controle fisiológico nenhum. Minha mãe prestou todo o auxílio nesse período, cuidava de mim 24 horas. Demorei uns três meses para voltar a andar sozinha. Para isso, fiz muita fisioterapia para os movimentos voltarem, treinava força, equilíbrio, movimentos finos, de todos os músculos do corpo”, conta. 

“Hoje, posso fazer qualquer tipo de atividade física desde que eu não force muito o pescoço e mantenha a postura correta, para não forçar a placa que tenho”.

Superação

O momento de superação é tão especial que mesmo um movimento simples, como pular corda, ganha novo significado para quem ficou por meses com o “corpo parado”, como compartilhou em texto em seu Instagram (@marcellemancuso).

“E se um dia seu corpo parasse? O que você faria? 

Eu rezei. Rezei para que Deus me guiasse, na melhora ou aceitação. E por alguma razão ele me deu uma segunda chance. Eu mesma custo a acreditar onde e como estou hoje... Pulando corda.

A vida é mesmo extraordinária, todo dia ao acordar você tem uma nova chance. 

Chance de ser, fazer e transformar. 

E fique atento, o seu corpo o acompanhará pelo resto da vida nesse plano. Cuide bem dele. Aceite a situação atual que ele se encontra. Há muito o que se conhecer e a vista continuará maravilhosa, estando em pé ou sentado.

Sorria. Seja feliz”. 

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Fé e resiliência sempre presentes

Quando completou pouco mais de 100 dias do acidente, Marcelle compartilhou em um texto em seu Instagram sobre a bagagem que a experiência trouxe para sua vida:

“Você acredita em sorte? Acredito em fé. Nesta segunda-feira, 106 dias do inesquecível 9 de janeiro, não me restam dúvidas: fui abençoada. E também fui maravilhosamente surpreendida, por gestos, pela sensibilidade, aconchego, conforto, pelo toque, das mais variadas pessoas, formas e intensidades. 

Pessoas as quais me incentivaram, de qual forma fosse. Não me entreguei, não desanimei e principalmente, não questionei o porque dos acontecimentos. Apenas me deixei voar. 

Um voo inicialmente curto. Aprendi a esperar. E, nessa adrenalina de novas moradas, aprendi a olhar além do meu próprio mundo, parei de enxergar pessoas e comecei a sentir corações. Me tornei mais humana, mais sensível e com uma vontade indescritível de fazer o bem, agora mais do que nunca. Bagagem que levarei sempre comigo”.

Hoje, ela continua a enxergar tudo que aconteceu como uma lição a ser compartilhada. “Vejo essa segunda chance como um aprendizado, com a minha história posso ajudar e incentivar outras pessoas que passam por situações semelhantes", relata. Alguns obstáculos surgem em nossa vida e cabe a nós nos adaptarmos a eles e jamais abandonarmos o nosso sorriso. Ter fé e resiliência sempre”, finaliza.

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