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Relato de Angelina e Gwyneth Paltrow sobre abuso encoraja denúncia de outras mulheres

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Andrew Toth/Evan Agostini/Getty Images

As denúncias de abuso sexual contra o produtor Harvey Weinstein, um dos maiores nomes de Hollywood, têm crescido e movimentado grandes atrizes do cinema, que engrossam a lista de acusações. Desta vez, Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow vieram a público relatar o comportamento abusivo do diretor.

Em uma extensa reportagem investigativa do jornal New York Times, três mulheres afirmam ter sofrido abuso sexual em encontros com Weinstein, mas pelo menos mais 10 casos de agressão foram citados contra o produtor, que comete os crimes desde os anos 90. Inclusive, em uma gravação comentada pela revista, o empresário afirma que tocou em uma modelo sem consentimento, mas que estava habituado a isso.

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Alexandra Wyman/Getty Images

A exposição dos abusos de Weinstein trouxe à tona a importância de falar sobre a maneira como as mulheres são assediadas também no ambiente de trabalho e encoraja profissionais a não terem medo de denunciar agressores sexuais - não importa quem eles sejam.

Angelina e Gwyneth denunciam assédio

Ao jornal, Angelina Jolie afirmou que já foi vítima de insinuações sexuais e comportamentos abusivos por parte do produtor no início de sua carreira. De acordo com a atriz, ele a assediou em uma reunião profissional quando negociava sua participação no elenco do filme "Corações Apaixonados", em 1998. "Tive uma experiência ruim com Weinstein, decidi nunca mais trabalhar com ele e alertar outras pessoas. Esse comportamento é inaceitável com qualquer mulher, em qualquer área de trabalho", disse.

Gwyneth Paltrow relatou um acontecimento semelhante quando foi contratada por Weinstein para protagonizar “Emma”, em 1996. A atriz diz ainda que ele a ameaçou para que não contasse nada a ninguém. "Eu era uma criança e fiquei petrificada", disse. Ela contou ainda que o produtor tentou tocá-la e que, ao recusar, temia ser demitida do filme. “Essa forma de tratar mulheres tem que acabar agora”, declarou.

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Jason Kempin / Getty Images

Cara Delevigne

A modelo e atriz Cara Delevigne também expôs o assédio sofrido. “Quando comecei a trabalhar como atriz, recebi uma ligação do Harvey perguntando se eu havia dormido com alguma das mulheres com quem eu era vista na mídia. Ele me disse que se eu fosse gay ou ficasse com alguma mulher em público, eu jamais conseguiria ser uma atriz de Hollywood”, publicou no Instagram.

Mais acusações e reposta

Mas elas não foram as únicas. A modelo italiana Ambra Battiliana foi uma das primeiras a denunciar o produtor, junto com outras quatro profissionais – uma delas, inclusive, afirmou que Weinstein se masturbou diante delas. Além disso, a diretora italiana Asia Argento disse que o produtor forçou relação sexual com ela.

À reportagem, a defesa de Weinstein nega qualquer acusação de estupro, mas ele já está afastado de sua própria empresa, a The Weinstein Company.  O magnata é fundador também da Miramax, uma das mais conceituadas produtoras de Hollywood – de onde, aliás, partiram outras denúncias de funcionárias.

Assédio em Hollywood

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Getty Images

O escândalo mobilizou outras grandes atrizes no posicionamento contra a discriminação e agressão sexual a mulheres na multimilionária indústria do cinema em Hollywood.

Recentemente, a atriz Hillarie Burton, conhecida pelo papel de Peyton Sawyer na série “One Tree Hill”, acusou Ben Affleck (“Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça”) de ter apertado seus seios.  “Eu não esqueci. Eu era apenas uma criança”, escreveu no Twitter a atriz, que afirma ter sido assediada pelo ator na época em que ela trabalhava na MTV norte-americana, há pouco mais de uma década.

Entre os principais motivos para o silêncio das vítimas está a preocupação com o futuro profissional, já que o produtor é um dos homens mais influentes e poderosos de Hollywood. Assim, as vozes de atrizes, roteiristas, diretoras e outras mulheres que trabalham nessa indústria são fundamentais para expor e combater o abuso.

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Emma McIntyre/Getty Images

A atriz vencedora do Oscar Jennifer Lawrence também demonstrou apoio às atrizes e a outras artistas que denunciaram Harvey Weinstein. “Isso é indesculpável e perturbador. Minha solidariedade a todas as mulheres afetadas e meu agradecimento pela coragem de denunciar”, declarou ao The Daily Beast.

Por fim, a atriz Jessica Chainstain reforçou a importância de denunciar para não perpetuar essa realidade. “Fui alertada desde o início. As histórias estavam em todos os lugares. Negar isso é criar a oportunidade de acontecer de novo”, escreveu no Twitter.

Assédio e abuso sexual