Pabllo Vittar, a drag queen que supera o preconceito e quebra barreiras todo dia

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Nascido em São Luiz do Maranhão, Phabullo Rodrigues da Silva é uma das grandes estrelas do pop nacional atualmente. Provavelmente você não conhece esse nome, mas já sabe quem é a drag queen Pabllo Vittar: aos 22 anos, a artista acumula quase 40 milhões de visualizações no vídeo do hit “Todo Dia” no YouTube.

Símbolo forte do movimento LGBT, Pabllo deu visibilidade a um segmento e cultura ainda pouco difundidos entre o grande público.

Quem é Pabllo Vittar

Criada pela mãe, junto com as irmãs, Pabllo mostrou interesse pela música e pela arte  cedo, de acordo com a drag, ela sempre foi assim “performática”. 

“Quando era adolescente tive a certeza de que queria viver de música e me mudei para o interior de São Paulo. Não deu certo, mas consegui um emprego e acabei ficando por lá. Na mesma época, minha mãe se mudou para Minas Gerais, eu passei no vestibular da Universidade Federal de Uberlândia e acabei indo”, contou ao VIX.

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Marlon Brambilla

Foi em Minas, onde Pabllo mora até hoje, que a carreira começou de verdade. “Lá, comecei a me montar para valer. Fazia alguns pequenos shows e acabei conhecendo meus empresários”, diz. A partir de então, Vittar trabalhou quase um ano no single que a lançou no mercado. “Juntos começamos a pensar como sair de uma forma legal. Demorou até termos ‘Open Bar’ pronta e eu sentir que aquela música deveria ser a minha primeira”, explica. A música, que é uma versão do "Lean On" do trio Major Lazer, já ultrapassa 20 milhões de execuções no YouTube.

Gênero e sexualidade

“Desde criança, minha mãe sempre soube que o que eu queria era trabalhar com arte, cantar, estar no entretenimento. Quando descobri as drags, decidi juntar isso com o canto e fazer uma coisa só. Nem toda família aceita, mas é importante não desistir. Vale até se montar escondida na casa das amigas, vale tudo, até as pessoas te aceitarem como você é”, conta em seu canal no YouTube, que já tem mais de 1 milhão de assinantes.

Pabllo explicou que sempre teve certeza de sua orientação sexual e gênero: “Nunca tive nenhuma dúvida sobre meu gênero. Sou um homem, sou gay, afeminado e não gosto de me limitar pelas barreiras do masculino e do feminino”.

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E sempre foi assim. Vittar conta que não é possível definir um momento de descoberta da sexualidade porque sempre soube. “Eu nasci gay, supergay. Não tive esse processo de ter que me assumir, ‘sair do armário’. Minha família, meus amigos, todos sempre souberam. Aconteceu tudo naturalmente”, conta.

Mas se, por um lado, Pabllo sempre se entendeu com sua sexualidade, por outro, foi mais difícil fazer com que fosse aceita socialmente. “Demorei para me aceitar como gay afeminada porque na escola eu sofria muito preconceito. Queria me blindar e me mascarar de alguma forma”, afirmou no canal.

Preconceito e estereótipo na vida social

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Marlon Brambilla

Além disso, Pabllo ressaltou também o preconceito que surge com o estereótipo e que nem sempre é visto como uma forma de discriminação, apesar de ser. A ideia caricata do "amigo gay" também faz parte do dia a dia e das relações sociais de homens homossexuais. “Por um outro lado, nos grupinhos de amigas, parecia que eu tinha que ficar fazendo palhaçada, entreter todo mundo o tempo inteiro, porque era a ‘gay afeminadinha’”, contou.

E é justamente o estereótipo que faz com que muita gente ache difícil diferenciar e separar gênero e orientação sexual – dificuldade que, é claro, contribui para que gays e trans sejam, ainda, tratados com discriminação em muitos ambientes. “Precisamos excluir alguns rótulos das nossas vidas. Mudar o conceito de que temos roupas e atitudes que são exclusivamente femininas ou masculinas”, disse ao VIX.

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Marlon Brambilla

Inspiração e sucesso internacional

Hoje, o sucesso é incontestável. Recentemente, a drag ganhou espaço na conceituada revista Billboard, nos Estados Unidos. No Spotify, Pabllo já deixou até RuPaul para trás: o hit “K.O” da maranhense ultrapassou a marca de 15 milhões de reproduções, superando o número do hino drag “Sissy That Walk”, performado pelo apresentador do reality show “RuPaul’s Drag Race”.

A drag norte-americana, inclusive, foi uma das grandes inspirações e porta de entrada de Pabllo nesse universo. “Um ex-namorado me mostrou o programa e eu me apaixonei. Em seguida, já quis começar a me montar e logo depois conheci algumas que também tinham essa vontade. Nos juntamos para aprender as técnicas de maquiagem, comprar perucas e tudo mais”, conta.

Dentro do segmento, Pabllo decidiu seguir o estilo das “fishy queens”, que são as drags mais femininas. “Sempre gostei da 'montação' supersexy e feminina e me inspirava em todas delas, cada uma com seus detalhes diferentes”, explica.

Deu certo. Com visual e voz inconfundíveis, Pabllo já coleciona parceria com grandes nomes da música brasileira a internacional. Além de “Então Vai”, lançada em parceria com o DJ Diplo, a cantora se uniu a Anitta e ao trio Major Lazer para lançar o pop “Sua Cara”, que, com videoclipe em produção no Marrocos, deve impulsionar, ainda mais, sua carreira.

Representatividade e movimento LGBT

O surgimento de nomes fortes no cenário musical – além de Pabllo, artistas como Lia Clark, Rico Dalasam, MC Linn da Quebrada, Liniker, entre outros - faz com que a comunidade LGBT ganhe mais visibilidade e representatividade na cultura nacional, ainda que aos poucos.

Assim, para Pabllo, o movimento LGBT, apesar das dificuldades, avança. A drag comenta que, além do preconceito de quem está fora, a própria comunidade ainda está em evolução internamente.

Não é de se estranhar que a socialização, independente do gênero e orientação sexual, reforce estereótipos e imaginários preconceituosos, que são difíceis de romper – até mesmo por quem é vítima deles.

“Um dos grandes problemas que vejo é o preconceito dentro da própria comunidade. É difícil entender como alguém que sofre opressão consegue oprimir outras pessoas deliberadamente”, pontua.

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Marlon Brambilla

Mas, ainda que em ritmo lento, de acordo com o artista, o cenário tem mudado de forma positiva. Recentemente, Pabllo Vittar fez seu primeiro show na Parada LGBT de São Paulo, que contou com um público de cerca de 3 milhões de pessoas. Além disso, a drag estrela uma nova campanha de beleza de uma grande marca de cosméticos, voltada ao público feminino.

A luta pela igualdade ainda está longe de terminar, mas o sucesso de artistas como Pabllo, que transcendem o nicho e ganham espaço na cultura popular – além da música, a drag também foi membro do programa “Amor & Sexo”, da Rede Globo – abre caminho para a representatividade. “Vamos evoluindo com o tempo e ganhando nosso espaço. Isso é o mais importante”, conclui.

Movimento LGBT