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Dieta cetogênica emagrece mesmo, mas endocrinologista alerta para risco e cuidados

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Yurchenko Yulia e Anna Hoychuk/Shutterstock

A dieta cetogênica tem o consumo de gordura como sua principal fonte de energia, seguido do consumo de proteína. Ou seja, carnes, ovo, queijo, castanha, nozes e até bacon são alguns dos alimentos que estão bastante presentes na alimentação de pessoas que seguem esse plano alimentar. Por outro lado, o consumo de carboidratos (arroz, macarrão, pão, etc.) é bem reduzido, o que leva ao emagrecimento rápido.

Por que funciona?

“A palavra cetogênica vem de cetose, que é a fase que ocorre quando o organismo transforma as gorduras ingeridas em ácidos graxos e corpos cetônicos, o que na sequência vai se transformar em energia para as atividades do dia a dia. Ela é um estágio do metabolismo que acontece quando falta glicose”, explica a endocrinologista do Amato Instituto de Medicina Avançada Lorena Lima.

Basicamente, o que acontece nesse estágio é a troca do substrato enérgico pelo organismo: normalmente, ele sobrevive do carboidrato. O grande diferencial desta dieta é que, pela baixa oferta de carboidrato e grande oferta de gordura, o organismo é "obrigado" a substituir sua fonte de energia, optando pela gordura - e entrando, assim, no estado de cetose.

Desta forma, ele passa a consumir, além dos alimentos consumidos, as reservas de gordura acumuladas no corpo, ocasionando uma perda de peso acelerada.

Aumento do metabolismo

Outro diferencial da dieta é o de conseguir aumentar o gasto energético do corpo. Isso porque a quebra do carboidrato para obtenção de energia é muito mais fácil do que a da proteína e gordura. Como tem que trabalhar mais, o organismo queima mais calorias.

No entanto, a médica afirma que este processo só ocorre por um curto período de tempo.

Dieta cetogênica: alimentos permitidos

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Kerdkanno/Shutterstock

De acordo com a endocrinologista, em média, 75% da alimentação tem como base fontes de gorduras boas, como óleo de coco, abacate e oleaginosas, 15 a 20% é composta por proteína e 5 a 10% por carboidratos, sendo que são priorizados aqueles de baixo índice glicêmico.

“Alimentos como carnes de boi, porco, frango e peixes, ovo, azeite, óleo, maionese, gelatina e chás sem açúcar geralmente estão liberados. No entanto, essa dieta deve ser prescrita por um profissional”, afirma sobre o plano alimentar.

Embutidos como presunto, linguiça e bacon, manteiga, margarina, feijão, soja, ervilha, grão-de-bico, queijos, creme de leite e iogurtes sem açúcar, amendoim, noz, avelã, castanha, frutas, sementes como linhaça, chia e girassol, legumes, verduras e mostarda também estão frequentemente presentes da dieta.

Riscos da dieta

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margouillat photo/Shutterstock

“A dieta cetogênica só é indicada por curtos períodos de tempo. O que acontece é que é mais difícil tirar energia da proteína e da gordura e por isso o corpo precisa aumentar o metabolismo e consequentemente aumenta o gasto energético. A longo prazo, o organismo vai se acostumando, e a pessoa para de emagrecer”, explica a médica endocrinologista Giovanna Carpentieri.

Giovanna também faz uma ressalva para o alto consumo de gordura proposto pelo plano alimentar, que pode sobrecarregar os rins e aumentar o colesterol. Além disso, se você não pratica exercícios físicos, a tendência é que o corpo retire energia dos músculos, ou seja, você acaba perdendo massa magra ao invés de emagrecer.

A endocrinologista Lorena ressalta que a dieta também não é aconselhada para pessoas com problemas crônicos de saúde, como diabetes, hipertensão arterial e problemas renais, gestantes, idosos e crianças.

“Eu não indico a dieta porque é um esforço muito grande para um emagrecimento que não vai se manter por muito tempo e ainda representa um risco para a saúde”, afirma Giovanna.

Dietas para emagrecer