Que não leve 100 anos para sua empresa apoiar a uma mulher

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SFIO CRACHO/Shutterstock

CEM anos. Este foi o número que mais me chamou atenção enquanto estive buscando dados para escrever este artigo. Cem anos é o tempo estimado para que a diferença salarial entre homens e mulheres desapareça, segundo o Fórum Econômico Mundial deste ano. O relatório aponta ainda que as mulheres recebem 74,5% do salário dos homens mesmo ocupando os mesmos cargos que eles. E nem preciso citar o dado de que elas normalmente têm mais anos de educação.

De acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) as mulheres precisam encarar ainda dificuldades significativas relacionadas à qualidade de emprego. Isso porque, em comparação com os homens, elas têm mais que o dobro de chance de trabalharem em casa e não serem remuneradas.

Como Head de Conteúdo do VIX estou hoje em uma posição que é difícil para uma mulher jovem alcançar (e não por falta de competência): cerca de 50% das 100 maiores empresas da América Latina não têm mulheres em posições de direção, segundo relatório do Corporate Women Directors International (CWDI).

E acredito que é com informação que podemos começar a movimentar um pouquinho este cenário. O mundo digital está aí para ajudar a espalhar com maior velocidade esse conhecimento. Em seu artigo "Mulheres e o mercado de trabalho: os desafios da igualdade", Susana Ayarza traz dados interessantíssimos sobre buscas no Google.

Ela conta que entre 2013 e 2017 cresceram em 451% as buscas por "Desigualdade de gênero no mercado de trabalho"; e 298% por "mulher ganha menos". Isso mostra que estamos mais conscientes da nossa realidade e buscamos nos informar melhor: apesar do caminho ainda ser longo.

A internet é uma ferramenta muito importante para dar voz aos movimentos feministas e para ajudar com que nos informemos melhor. Foi pela web que movimentos liderados por mulheres tomaram proporções gigantescas, como o global #MeToo e o argentino #NiUnaMenos.

Me chamou também atenção que dobraram no Google as buscas realizadas em um intervalo de 30 minutos sobre machismo e assédio entre 2016 e 2017. Essas pesquisas podem ser facilmente relacionadas ao que diz 83% das profissionais brasileiras entrevistadas pela Robert Half do Brasil em 2016: "as empresas NÃO preparam os homens para lidar com mulheres no ambiente de trabalho".

Não é fácil conquistar nosso lugar: os dados e a realidade mostram isso. Mas é também importante preparar-se e lutar pelo seu espaço. E uma vez conquistado, munir-se do apoio de outras talentosas mulheres. Hoje no VIX não estou sozinha: sem citar os demais setores, atualmente em minha área conto com o apoio de duas Diretoras de Conteúdo responsáveis por toda a estratégia editorial e de vídeos do Brasil e do México, Camila Rutka e María Tapia. Ambas altamente qualificadas, experientes e comprometidas.

E como mulheres aprendemos umas com as outras, não só nos cargos de direção. Quem é do meu time e trabalha comigo há mais tempo sabe o quanto já aprendi sobre apoiar a outras mulheres com a equipe com que trabalho. Redatoras, editoras, mulheres com quem tive o prazer de dividir conversas e reuniões de pauta ao longo desses 6 anos e meio de VIX e escutar opiniões que me fizeram mudar várias das minhas "certezas" no ambiente de trabalho e na vida.

Amanda Dias Almeida
Head of Content - VIX