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Forma como “Um Lugar ao Sol” fala da sexualidade feminina em 2021 chama atenção, mas não deveria

Na última quarta-feira (24), uma cena interpretada pela atriz Andrea Beltrão, que dá vida à personagem Rebeca na novela das 9 “Um Lugar ao Sol”, da Rede Globo, deu o que falar por mostrar algo que, pasmem, a grande maioria das mulheres faz. Masturbar-se. 

O prazer solo da ex-modelo não parece ter sido um caso isolado na trama. A personagem já deu indícios de que abordará a sexualidade feminina de uma forma totalmente incomum na televisão brasileira: do ponto de vista da mulher. 

Forma como Rebeca lida com própria sexualidade em “Um Lugar ao Sol”

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Fabio Rocha/Globo

Cenas de sexo a dois são corriqueiras em novelas, como qualquer pessoa que assiste televisão brasileira com certa frequência bem sabe, mas cenas de masturbação feminina são raras. A última vez que isso aconteceu, antes de Rebeca se aventurar só nos próprios lençóis, foi na novela “Coração Alado”, de 1980. 

Por esse e outros motivos, a cena dividiu opiniões. Enquanto algumas pessoas acharam a exposição desnecessária, uma boa parte dos telespectadores entenderam que é ultrapassado que masturbação feminina ainda seja vista como tabu. Houve até quem aplaudisse a personagem por fazer “justiça com as próprias mãos” diante do casamento infeliz e sexualmente insatisfatório que vive na trama. 

A masturbação parece ser só a ponta do iceberg que se revelará a forma como ela vai lidar com a própria sexualidade na trama, que é inovadora para a TV mais tradicional brasileira. 

Em outro momento da novela, exibido anteriormente na mesma semana, Rebeca foi questionada se achava que as mulheres de fato têm menos desejo sexual e gostam menos de sexo que homens, ela foi cirúrgica ao responder que, se as mulheres não fossem ensinadas a ter vergonha da própria sexualidade, com certeza o jogo estaria empatado. Derrubando qualquer mito de que homens são mais “fogosos” por causa dos hormônios.

A personagem de Beltrão parece ser uma representante das mulheres que, nos últimos anos, passaram a se desfazer da vergonha de demonstrar que sentem desejo sexual e vontade de explorar os próprios corpos, sozinhas ou acompanhadas. Há algumas décadas atrás, as possibilidades eram menores e era muito mais provável que a mulher, diante da própria sexualidade, se tornasse recatada e cheia de pudores ou fosse imediatamente rotulada como vagabunda.

Se essa mudança é recente, é esperado que a TV só agora passe a mostrá-la, mas estamos atrasados quando o assunto é tratar a sexualidade como algo natural. Não um produto e nem um pecado. 

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