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“Tive overdose na frente do meu filho”: Casagrande dá detalhes da luta contra o vício

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TV Globo/Reinaldo Marques

Em participação recente no programa “Papo de Segunda” (GNT), Walter Casagrande falou sobre a atual sobriedade, relembrando as dificuldades que passou para superar a dependência química – e chocou ao contar alguns detalhes do processo, como o fato de que teve uma overdose na frente do filho e que, durante anos, precisou ser acompanhado por especialistas onde quer que fosse.

Casagrande relembra luta contra dependência química

No papo com o apresentador Fábio Porchat, Casagrande afirmou que, ao final dos anos 90, fez sua primeira pausa no uso de drogas, mas ela não saiu como o esperado. “Eu sempre falei assim: ‘Quando eu parar, vai ser legal porque eu vou fazer tudo o que eu quero’. Quando eu parei, percebi que tudo o que eu queria era usar droga”, afirmou, lembrando que, a partir disso, a situação piorou.

O quadro, porém, chegou ao “limite” em meados de 2006. “Comecei a ter overdose, tive uma overdose na frente do meu filho, depois tive uma internação de quarenta dias, todo ferrado. Saí da internação – mas não foi bem uma internação, foram quarenta dias para tentar voltar ao normal. Fui afundando. Droga injetável, tequila, pó, tudo ao mesmo tempo, remédio... Uma coisa completamente descoordenada”, disse.

Conforme contou o ex-jogador, os psiquiatras que o atenderam durante o processo de controle da dependência química afirmam que ele só não morreu devido ao fato de que, no passado, foi um atleta de ponta. “Meu coração estava acostumado a ter batimento cardíaco alto porque eu jogava, treinava para caramba. Só que a droga jogava [os batimentos] o tempo todo lá em cima. Ainda bem que ele [coração] não resolveu parar”, afirmou.

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Globo/Divulgação

Ao final de 2007, Casagrande foi então internado e lutou contra a dependência química em uma clínica durante um ano, finalizando a parte “fechada” do tratamento em outubro de 2008. Nos dez últimos anos, porém, ele teve altos e baixos – algo que ele acha importante falar sobre devido ao nível de desinformação das pessoas a respeito da dependência química como doença.

“As pessoas pensam que o cara é internado em uma clínica para dependente químico, fica um ano e tem alta, acabou o problema. Não é verdade. A coisa mais difícil é quando você sai e tem que cuidar da sua vida”, disse, e prosseguiu falando de como as pessoas enxergam a dependência: “Falam que o cara é vagabundo, viciado, drogado porque quer. Quando você vira dependente, não é porque quer, [é porque] você perdeu as forças”.

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Ao deixar a internação, ele conta que o tratamento prosseguiu de uma forma que muita gente nem imagina. “Tive um trabalho muito importante com AT – acompanhantes terapêuticas. Minhas psicólogas iam comigo para todos os lugares, inicialmente, por dois, três anos, até eu começar a ficar seguro e tomar conta da minha vida”, afirmou o locutor.

Em seguida, Casagrande reforçou que a dependência química não tem cura, e que o dependente precisa estar sempre alerta – algo que tornou uma verdadeira vitória o fato de o locutor e comentarista ter feito seus trabalhos na Copa do Mundo de 2018 sem acompanhamento próximo das psicólogas.

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“Eu fiz uma Olimpíada sóbrio aqui no Brasil. Ela foi importante, mas não tão importante assim porque minhas psicólogas estavam do lado. Agora, quando eu fui para a Rússia fazer a Copa, fiquei sozinho, né? Aí eu tive que lidar com as coisas e fui vendo que conseguia. Fui pegando força. Via coisas, via festas, ia em jantares, e ficava de boa. Fui crescendo. Aquele negócio que você fala: ‘Está funcionando, estou forte, eu consigo’”.

Foi na final do evento, enquanto a França comemorava a vitória, que ele percebeu isso. “Naquele momento, eu percebi que meu jogo não era aquele que estava no campo. A minha ‘Copa’ era outra. A minha ‘Copa’ era contra a minha dependência química. Não literalmente, mas eu recebi meu troféu”, concluiu ele, que, na época, se emocionou ao vivo durante a transmissão ao tocar no assunto.

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Globo/Ramón Vasconcelos

Dependência química