explore

João Cortês fala pela 1ª sobre ser LGBT: "Sou extremamento grato por ser gay"

Instagram

O ator João Cortês decidiu falar abertamente sobre a sua orientação sexual pela primeira vez. O artista, conhecido por atuações em peças publicitárias e novelas da Rede Globo, publicou um texto que comoveu o público e colegas, que escreveram mensagens de carinho a ele.

Ator João Cortês fala abertamente sobre ser gay

Instagram

No último domingo (28), o mundo celebrou o Dia do Orgulho LGBT. Na ocasião, o ator escreveu um texto, publicado em seu perfil no Instagram, em que falou abertamente sobre o fato de ser gay.

Em seu relato, João contou ter entendido sua orientação sexual ainda na juventude, aos 14 anos, e, apesar de este ter sido um processo difícil e até vergonhoso inicialmente, ele conseguiu superar o período e se aceitar.

"Eu já me aceitei e me assumi há alguns anos na minha vida pessoal, mas nunca publicamente. E não me deixa ocorrer o quão importante a representatividade é. Cada vez mais (...) Eu não quero compactuar com a ideia de que ser gay é um problema a ser resolvido. Eu sou extremamento grato por ser gay. É uma bênção. É uma solução aos clichês héteros esmagadores. É uma janela aberta para o céu. Um canal de ar puro."

O texto de João (leia na íntegra, abaixo) foi muito bem aceito pelos amigos e fãs do ator. No espaço para comentários, não faltaram mensagens de carinho a ele. "Além de te amar muito, eu tenho muito orgulho de você, meu amor!", escreveu a atriz Taís Araújo.

Eu sabia que eu era gay quando tinha uns 14 anos. Foi por aí. Eu sabia, mas na época isso era só um leve impulso. Uma sensação. Era um sentimento abstrato e distante. Nunca soube o que fazer com aquilo. Então eu dobrei e guardei numa caixinha, embaixo do meu caos emocional.ninguém loga para isso mesmo... E escondi de mim, dentro de mim, por anos e anos, na esperança de que isso se tornasse cada vez menor, e menor. E o que era distante ficava cada vez mais presente, e o leve e ingênuo impulso se transformava em vergonha. Isso me bloqueou emocionalmente, e ainda bloqueia. É uma luta contínua. Eu sou um homem branco, cis, de uma família de classe média/alta liberal. Ser aceito nunca foi uma questão, mas isso jamais passou pela minha cabeça. E mesmo sendo privilegiado, eu travei. Estou falando isso agora, justamente porque nunca falei sobre isso antes. Eu já me aceitei e me assumi há alguns anos na minha vida pessoal, mas nunca publicamente. E não me deixa ocorrer o quão importante a representatividade é. Cada vez mais. Passei por todas as fase do processo. Sim, eu joguei esse joguinho tedioso: saía com os amigos e fingia olhar para as mulheres, ouvia todos eles falando sobre mulheres e eu falava junto. E ainda namorei mulheres. Neguei a muita gente, mesmo a amigos que me olhavam e sabiam que eu estava me enganando. Eu dizia ‘não’ pensando em ‘sim’. Com pavor da palavra ‘gay’. Pavor de me tornar outra pessoa. Pavor de aceitar meu lado desconhecido. Pra mim era um abismo. Era compactuar com uma força estranha querendo entrar. E eu gastando toda minha energia pra tentar me manter fiel a um papel que simplesmente não me cabia mais. Eu controlava e censurava minha maneira de falar, de vestir, de sentar, de dançar, de olhar. Censurava minhas referências, meus pontos de expressão e de representação. Eu fugia de mim mesmo como um rato foge do gato. Essas invasões pra mim hoje são bizarras e humilhantes, mas na época isso acontecia com naturalidade. Discrição era padrão e me parecia benigno. E por que eu deveria fazer alguma coisa? Ninguém tem nada a ver com isso. Eu não tenho que compartilhar detalhes íntimos com estranhos... Essas vozes ecoavam no fundo da minha mente, me persuadindo. A vergonha pode ser pesada e muito barulhenta, mas ela também pode se esconder atrás do conforto e conveniência. Mas a vergonha de si mesmo é sempre violenta. E te corrói. Eu não quero compactuar com a ideia de que ser gay é um problema a ser resolvido. Eu sou extremamento grato por ser gay. É uma bênção. É uma solução aos clichês héteros esmagadores. É uma janela aberta para o céu. Um canal de ar puro. Hoje eu valorizo todas as pessoas, as músicas, os livros, os filmes, séries, as performances, que me abrem a cabeça. Se você é gay, bi, trans, não-binário ou ainda se questionando, se você está confuso, está sentindo dor ou vergonha ou humilhação ou se sente sozinho: você não está sozinho e vocês fazem o mundo muito mais interessante, surpreendente e suportável."Para todos os queers, desajustados, outsiders e amores da minha vida: eu amo vocês. Amo e estou aqui por vocês. Prometo que depois da tempestade a vida fica bem melhor. Confia."

LGBT