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Pessoas com deficiência relatam frases horríveis que muita gente diz sem nem se dar conta

Pessoas com deficiência muitas vezes são vistas como exemplos de superação. Muitas vezes mesmo, provavelmente até mais do que pessoas sem algum tipo de deficiência possam imaginar. E não necessariamente isso é algo bom.

“Quantos parabéns você já recebeu hoje?”, questionou no Instagram a estilista e consultora de estilo Michele Simões, idealizadora do projeto Meu Corpo é Real.

Preconceito mascarado de elogio

“‘Caramba, eu aqui reclamando da minha vida e você, com todas essas dificuldades por ser uma pessoa com deficiência, ainda está sorrindo e feliz’. Um tapinha na cabeça, um aperto na bochecha ou até um olhar ‘fraterno’ e lacrimejante seguido de um inclinar no rosto daquele desconhecido, quando você só estava na fila do caixa.”, exemplificou Michele.

Quando situações simples do dia a dia se tornam exemplo de superação, pessoas com deficiência podem se sentir inferiorizadas.

Estar na fila de um caixa não é nada demais, nem para pessoas sem deficiência e nem para muitas pessoas com deficiência.

Situações como a descrita por Michele são considerada capacitistas. O capacitismo é um termo usado para englobar preconceitos e discriminação contra pessoas com alguma deficiência.

Frases capacitistas

São incontáveis as frases ouvidas por pessoas com deficiência que são ditas como elogios mas, na verdade, podem esconder algum tipo de preconceito - mesmo que a pessoa que a disse não tenha tido essa intenção. Nos comentários do post de Michele, existem diferentes exemplos.

Os “elogios”

  • Você é linda de rosto!
  • Quando me desespero porque ainda não casei, e lembro de você que, apesar do seu “problema”, já casou duas vezes, lembro que nem tudo está perdido.
  • Nossa, e você ainda tem uma família tão bonita.
  • Quando penso em reclamar, lembro de você.
  • Cara, ela é linda! Mas sério, eu não teria coragem!
  • Queria ter a força e coragem que você tem . Você me inspira.
  • Nossa, você é tão bonita! Nem parece que tem um problema.
  • Nem a cadeira de rodas apaga sua beleza.
  • Eu estava com medo de viajar sozinha, mas, se você conseguiu, então eu também consigo.
  • Tão bonitinha pena que não anda.
  • “Vejam aqui o Davi. Ele é um exemplo, um guerreiro.” - o próprio Davi revelou que quem disse isso foi um professor de geografia, e ele dormia nas aulas desse professor.
  • Se isso tivesse acontecido comigo, eu me mataria.

As perguntas

  • Quando seu marido te conheceu você já era deficiente?
  • Como você faz pra transar?
  • Por que você trabalha? Seus pais não têm dinheiro pra te sustentar?
  • Você não tem cara de autista. É daqueles leves, né?
  • Você conheceu seu marido depois que ficou na cadeira de rodas? Nossa! Ele deve te amar mesmo, ein?!
  • Ela precisa de ajuda? - e a pergunta é feita para quem está junto da pessoa com deficiência, não para a pessoa em si.

As “dicas”

  • Você já foi à igreja rezar? Deus pode te curar.
  • Pessoas que são deficientes nessa vida é porque estão pagando por algum pecado na vida passada.

Por que é preconceituoso

Não só Michele já tratou de capacitismo nas redes sociais, Mariana Torquato, do canal “Vai uma mãozinha aí?”, recentemente fez uma série de vídeos no Instagram em que mostra como situações simples podem se enquadrar como descriminação.

Ela explica que frases como “tão bonita que nem parece ter uma deficiência” vêm da ideia de que pessoas com deficiência não são atraentes. Mas por que uma coisa tem de estar relacionada a outra? Mais uma vez é uma prova de como estamos acostumados com padrões.

Vale fazer o seguinte teste: pensar em como você se sentiria se as frases fossem ditas para você mesmo.

Outra dica é acompanhar pessoas com deficiência nas redes sociais. Pelo Instagram, Twitter e YouTube, é possível entender melhor como é a vida de quem é diferente da gente.

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