Mari Palma chora ao vivo por distância do pai: "Ele não me vê, então o toque faz muita falta”

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Reprodução/CNN Brasil

Durante a apresentação de seu programa na CNN Brasil, a âncora Mari Palma se emocionou ao falar sobre a saudade do pai e de como a impossibilidade do toque tem sido difícil para ele, que é deficiente visual, em época de pandemia de coronavírus.

Mari Palma se emociona ao citar saudade do pai na quarentena

Ao conversar com o filósofo Mario Sérgio Cortella para o programa “O Mundo Pós-Pandemia”, da CNN Brasil, sobre os efeitos positivos e negativos que a crise do coronavírus trouxe para a humanidade, Mari Palma desabafou sobre sua situação pessoal.

Em um emocionante desabafo, que fez a jornalista chorar ao vivo, Mari falou da saudade que sente do pai - e da família como um todo.

“Quando o senhor falou da sua família, este é um assunto que especialmente me toca muito. Eu também moro muito perto da minha família. Eu tenho um pai que é deficiente visual. Ele não me vê, então o toque faz muita falta para ele”, disse Mari.

Vale lembrar que uma das medidas de segurança para conter a disseminação do SARS-CoV-2 é restringir o contato entre as pessoas. Assim, a interação como aperto de mão, beijos, entre outros tipos de contatos, devem ser evitados.

Segundo a jornalista relatou, é muito difícil estar longe do pai, cego desde que Mari tinha 10 anos. A sensação, segundo ela, é de que o tempo distante do pai e da família está sendo perdido - especialmente porque Luiz, o pai de Mari, já está com idade avançada.

“Meu pai faz 70 anos esse ano e eu tenho sobrinhos que estão crescendo. Parece que a gente está perdendo tempo, apesar de eu ser próxima deles. Parece que eu não estou vendo eles crescendo. Estou perdendo uma fala nova, uma palavra nova, uma manchinha nova que aparece na mão do meu pai. E a minha dúvida é: a gente vai conseguir superar esse tempo que a gente está perdendo?”

Tempo perdido com a quarentena?

Cortella opinou que, ao contrário do que Mari pensa, o tempo com a quarentena não está sendo perdido.

Isso porque o uso do nosso tempo é feito a partir do que é tido como prioridade na vida em dado momento. Por exemplo: às vezes nossa prioridade é uma viagem, uma festa ou mesmo estar em isolamento contra um vírus. Afinal, é impossível estarmos sempre ao lado de todos as pessoas de quem gostamos - ou mesmo em todos os lugares que queremos.

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iko/Shutterstock

O filósofo também explicou que, após a quarentena, o que “deixou de ser vivido” neste período não será recuperado. Mas isso não é motivo de tristeza.

“A gente não vai recuperar o que foi. Mas vai fazer com que aquilo que deixou de acontecer não seja razão de sofrimento. Se você, agora, precisa se ausentar de algumas convivências, quando puder retomar o contato, a convivência tem de ser motivo não para a lamentação sobre aquilo que deixou de acontecer, mas a fruição do momento daquele tempo está permitindo”, disse Cortella.

Coronavírus e quarentena