Diretor-geral da OMS sofre ataques racistas e reage: "Tolerei 3 meses e posso tolerar 30 anos"

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Divulgação/OMS

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom está em evidência devido às coletivas de imprensa quase diárias do órgão para discutir a pandemia de COVID-19 – e, recentemente, ele usou alguns minutos de uma destas reuniões com jornalistas para falar sobre os ataques racistas que tem sofrido desde que a descoberta do vírus foi anunciada, em janeiro.

Tedros revela ofensas racistas direcionadas a ele

Em uma coletiva recente, Tedros foi questionado sobre as ofensas e críticas que tem recebido de várias partes do mundo – especialmente nas últimas semanas, quando orientações da OMS geraram polêmica até entre governantes. Diante da pergunta, Tedros confirmou os ataques, bem como ameaças de morte, mas enfatizou que, enquanto elas ocorrerem no âmbito pessoal, ele não se importa.

“Ataques pessoais têm acontecido há dois, três meses. Abusos... Comentários racistas... Me deram ‘nomes’. ‘Preto’ ou ‘negro’. Eu tenho orgulho de ser negro. Eu não ligo, para ser honesto. Obrigado por fazer essa pergunta, talvez seja a primeira vez que eu torno isso público: até ameaças de morte [têm ocorrido]. Eu não me importo nem um pouco, porque isso é direcionado pessoalmente a mim”, disse ele.

Apesar de não se importar com as ofensas pessoais, Tedros afirmou que esse tipo de comentário passa a ser algo que o afeta conforme diz respeito ao coletivo. Segundo ele, ofensas à comunidade negra de forma geral ou à África não serão toleradas de forma alguma.

“O que me deixa triste é, e eu falei na última coletiva: quando toda a comunidade negra é insultada, quando a África é insultada, aí eu não tolero. Aí eu digo: ‘Estão passando dos limites’. Quando é pessoal, até ameaças de morte, eu não ligo. Nem respondo. Quando as pessoas começam a nos insultar como uma comunidade, aí basta. Basta!”, afirmou.

Além de exaltar o orgulho que tem de ser negro e de suas origens, bem como afirmar que não tem “nenhum complexo de inferioridade” ao ser atacado, Tedros afirmou que, pelo bem do mundo em meio ao cenário atual, ele aguentaria esse tipo de situação por tempo indefinido.

“Eu me importo quando passam dos limites e a comunidade negra é insultada enquanto comunidade. Aí não é pessoal. Eu tolerei três meses e posso tolerar três anos, trinta anos, trezentos anos. Não há problema quando é pessoal, se o alvo é o Tedros”, disse o diretor-geral, reforçando que continuará atuando de acordo com os princípios da OMS.

“Eu garanto: nós faremos tudo corretamente na OMS. Nós faremos tudo o que podemos para servir a humanidade. Nós faremos tudo o que for nos ajudar – sem arrependimentos”, concluiu.

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Pool/Equipe/Getty Images

OMS e a pandemia