'Será que ele escolhe quem salva?', diz Cacau Protásio sobre bombeiro que a ofendeu

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Reprodução/Rede Globo

Após ir ao principal quartel do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro para gravar uma cena do longa “Juntos e Enrolados”, previsto para 2020, a atriz Cacau Protásio descobriu ter sofrido racismo em áudios criminosos vindos de profissionais do local - e, ao “Fantástico” (Rede Globo), contou como isso já começou a afetá-la de formas que quem nunca passou por algo assim nem imaginaria.

Cacau Protásio sofre racismo e desabafa

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Estevam Avellar / Globo

A situação vivida por Cacau Protásio começou quando, um dia após a ida ao Corpo de Bombeiros, ela recebeu áudios que saíram de um grupo de integrantes do quartel e passaram a circular pela rede social.

Neles, os profissionais atacaram a atriz com comentários preconceituosos, como: “Vergonhoso. Mete aquela gorda, preta, filha da p**** numa farda de bombeiro. Uma bucha de canhão daquela…”.

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No filme, Cacau interpreta uma sargento que é interesse romântico de outro membro do quartel, e a cena gravada no Corpo de Bombeiros consiste em um sonho dele, onde a personagem dançava fardada em meio a outros bombeiros. Além das ofensas racistas e gordofóbicas, alguns dos áudios também continham falas homofóbicas direcionadas aos dançarinos que gravaram com ela.

Uma semana depois do ocorrido, no programa da Rede Globo, ela se mostrou entristecida e disse como passar por isso a fez questionar seu trabalho. “Esse tipo de gente coloca a gente num lugar que eu pensei: 'Eu não tinha que estar aqui, eu não tinha que estar trabalhando, não tinha que estar fazendo filme...' Ele faz acreditar no pior”, disse ela, que, também se pronunciou na web.

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Para registrar o crime, ela foi à Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Rio e, ao chegar lá, acabou ficando presa no elevador - momento em que as ofensas direcionadas a ela alguns dias antes vieram à tona em sua mente, já que, conforme contou ao “Fantástico”, os policiais tiveram de chamar os bombeiros para resolver o problema do elevador.

“O policial falou assim: 'Olha, você vai ter que aguardar porque eu vou chamar o bombeiro para te salvar'. Naquele mesmo momento, me deu uma angústia e um medo muito grande, falei: 'Se vem esse cara [autor das ofensas], será que ele vai me salvar, por eu ser negra e por eu ser gorda?' Sabe? 'Será que ele escolhe a pessoa que ele salva?'”, disse ela, sem conseguir segurar as lágrimas.

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Reprodução/Rede Globo

Apesar da tristeza, ela foi categórica ao afirmar sua recusa em abaixar a cabeça diante desta situação e outras pelas quais já passou, afirmando que continua tendo admiração pelo Corpo de Bombeiros e que seguirá usando seu trabalho de atriz como uma forma de dar voz a quem, assim como ela, lida com o racismo no dia a dia, mas não tem o apoio do qual ela dispõe.

“Quando eu era criança, tinha muita vontade de ser bombeira e bailarina. É uma farda que eu acho linda, continuo respeitando bombeiro. Vou continuar gravando, representando, sendo voz de muita gente humilhada, maltratada, e que não pode falar. As pessoas têm que aprender o significado da palavra respeito. Respeito sempre”, completou a humorista.

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Reprodução/Rede Globo

Racismo no Brasil