Simone lamenta ganho de peso e isso lembra como mulher ainda é vítima do padrão

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Leo Franco/AgNews

Já faz tempo que a sertaneja Simone, da dupla com Simaria, compartilha com seus fãs e seguidores a vontade de perder peso - algo que lhe causa dificuldades, como já falou diversas vezes. Após tentar mutias dietas, ela começou a emagrecer, mas, recentemente, não se mostrou feliz ao “atualizar” o público sobre o andamento do processo.

Usando a ferramenta Stories do Instagram, Simone disse que seu filho, Henry, estava cheio de vontade de ir à praia, enquanto ela, nem tanto. “Eu estou com o corpo lindo para ir para a praia”, disse ela em tom de ironia e justificando a fala. “Fui pra Orlando, Portugal, Londres… Resumindo: joguei tudo fora o que tinha feito [para emagrecer]. Estava tão maravilhosa, um corpinho lindo”, lamentou.

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Esta situação, porém, não é exclusiva da cantora, afinal, não é raro encontrar quem esteja sempre lutando contra a balança, fazendo dietas restritivas para emagrecer, se privando de prazeres para não engordar e evitando locais ou roupas para não expor o corpo que querem mudar. Isso sem contar que, para muitas destas pessoas, ganhar peso é o pior dos pesadelos.

Ainda que seja comum, no entanto, esse sofrimento pela variação no peso, a constante busca por um determinado corpo e a adesão a dietas que envolvem a exclusão de inúmeros grupos alimentares não é saudável nem para o organismo, nem para a cabeça (e, de quebra, ainda atrapalha o processo de emagrecimento que essas pessoas tanto buscam).

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Thiago Duran/AgNews

Por que neura com dieta é um tiro no pé

Cortar certos grupos alimentares como carboidratos e fazer refeições compostas apenas de proteína e salada em pouca quantidade pode parecer uma forma lógica de perder peso, já que estes alimentos em geral oferecem poucas calorias e pouca gordura - mas, por tornar a dieta repetitiva, pouco variada e muitas vezes não tão prazerosa, este hábito pode ter o efeito contrário ao esperado no corpo.

Apesar de muitos profissionais da saúde ainda prescreverem planos alimentares bem restritivos a quem luta com a balança, atualmente há também aqueles optando por um caminho menos sofrido. Sophie Deram, nutricionista com PhD em endocrinologia, é uma destas pessoas, e explica por que o chamado efeito sanfona é tão comum após dietas.

De acordo com ela, 95% das pessoas que fazem dieta voltam a engordar - enquanto os outros 5% que alcançam o “sucesso” também costumam encontrar um desfecho marcado por transtornos alimentares como a bulimia e a anorexia. Conforme explica, muito disso tem relação com o fato de que uma mudança brusca na alimentação também gera uma mudança na mente.

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adekvat / iStock

“Quando há uma perda de peso rápido, é muito claro que o cérebro se adapta aumentando o apetite e diminuindo o metabolismo”, afirma ela, ressaltando que, com isso, a relação da pessoa com a comida se torna ainda mais emocional - algo que pode facilmente dar origem a uma compulsão alimentar.

Além disso, outro aspecto que favorecem o efeito sanfona é a privação do que é gostoso.

Em muitos casos, dietas para emagrecer excluem do cardápio coisas das quais a pessoa gosta muito, e a ideia de ficar sem elas pode ser devastadora. Isso, segundo Sophie, ocorre porque, sob a “noia” de pensar se “pode” ou não comer determinados alimentos, as pessoas deixam de lado prazeres e até saídas com amigos, desenvolvendo um mal-estar psicológico.

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PathDoc/Shutterstock

“Se saúde é um estado de completo bem-estar, como diz a OMS [Organização Mundial da Saúde], um diabético pode ser considerado mais saudável do que alguém que se priva de comer uma pizza com os amigos”, afirma a nutricionista, ressaltando que, após muito tempo de privação, é comum que o “matar a vontade” se torne um ato descontrolado.

Isso porque, após se frustrar por não “poder” comer algo, é possível que, ao ver aquilo, a pessoa devore uma grande quantidade do alimento, sendo posteriormente dominada pela culpa. A culpa, por sua vez, faz a pessoa querer retomar a dieta, mas não sem antes fazer uma “despedida” e comer loucamente, possivelmente despertando uma compulsão e iniciando um ciclo de ganho de peso.

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Engordar não é (nem de longe) a pior coisa do mundo

O preconceito contra pessoas gordas ainda está bastante presente na sociedade, e é comum que as pessoas automaticamente relacionem o sobrepeso à falta de saúde e de força de vontade. Além disso, há também a pressão estética que estabelece corpos magros como os únicos bonitos - e a soma destes fatores faz muita gente, especialmente mulheres, acharem que engordar é a pior coisa do mundo.

A realidade, porém, é outra, e reconhecer isso ao mesmo tempo em que se cuida da saúde é muito mais proveitoso do que se privar de prazeres buscando objetivos inalcançáveis e vazios. Para isso, é preciso buscar profissionais conscientes que não “demonizem” a comida, evitar se comparar aos outros e, é claro, saber que um número na balança não dita caráter, valor, nem beleza.

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Autoestima e autoaceitação