Ninguém esperava essa reação de Fábio Assunção ao ouvir música que “zoa” seu vício

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Divulgação/TV Globo

Não é segredo para ninguém que o ator Fábio Assunção trava, há anos, uma luta contra a dependência química, e, apesar de esta ser uma situação séria sobre a qual ele já desabafou publicamente, isso não impediu que sua história se tornasse piada em uma música que já está sendo considerada o grande hit do Carnaval de 2019.

Intitulada “Fábio Assunção”, a letra da música fala sobre beber até “ficar loucão”, e resume esse ato como “virar o Fábio Assunção”.

Apesar de estar ciente da gravidade que é fazer piada de situações como a dele, porém, o ator surpreendeu a todos ao decidir não pedir para que a música (que usa seu nome sem autorização) seja censurada. Em vez disso, ele propôs um acordo que ajudará diretamente pessoas que sofrem com dependência química.

Música "Fábio Assunção": ator faz acordo

Em uma série de vídeos publicados em seu perfil do Instagram, o ator se diz contrário à “glamourização ou zoeira com esse sofrimento” e se dirige a dependentes químicos ao comunicar que, em vez de pedir a censura da música, ele propôs algo que ajudará diretamente pessoas que sofrem com esse problema.

“Eu, minha equipe de comunicação, o corpo jurídico que me atende decidimos entrar em contato com os meninos da banda, o autor, e tornar essa história um ato propositivo de ajuda a quem precisa e de conscientização geral. 100% do valor arrecadado com a música vai ser doado para instituições que serão divulgadas logo mais como um ato de irmandade com quem sente essa dor”, explicou Fábio .

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Transcrição do vídeo Oi Gente... eu não pretendia tornar esse assunto público por vários motivos, mas a imprensa resolveu comentar e os meninos foram bem generosos fazendo o video deles explicando nosso acordo sobre a música Fabio Assunção. Antes de qualquer coisa eu preciso falar com as pessoas que passam pelo mesmo problema que eu, cada um está nesse momento em um estágio, mas nossa natureza é a mesma. Eu não endosso, de maneira nenhuma, essa glamourização ou zueira com a nossa dor. Minha preocupação é com você que sente na pele a dificuldade e a complexidade dessa doença. Minha vontade é que você tenha sempre um diálogo aberto e encontre um lugar de afeto com sua família, amigos e com a sociedade brasileira e assim merecer respeito e direito a um tratamento digno. Jamais me passou pela cabeça censurar a arte do autor e seus intérpretes, mesmo quando vi o tamanho e o sucesso q a música alcançou. Somos artistas e torço muito para que vocês conquistem cada vez mais fãs. Conheço também a luta do artista no Brasil e torço para que vocês prosperem. Mas não censurar não significa que não existe aqui uma oportunidade de conscientizar. 15% das pessoas do mundo tem problemas de adicção. É muita gente sofrendo por não conseguir controlar suas compulsões e eu acho importante lembrar a todos que isso não tá escrito na certidão de nascimento. Todo mundo começa do mesmo jeito. Achando que tudo bem. E pode não terminar tudo bem. Foi pensando nisso q eu, minha equipe de comunicação e o corpo jurídico que me atende, decidimos entrar em contato com os meninos e tornar essa história um ato propositivo de ajuda a quem precisa e de conscientização geral. 100% dos valores arrecadados com a música serão doados para as instituições A e B que vamos informar posteriormente como um ato irmanado entre quem sente essa dor e quem tem voz para ampliar a conscientização. Nós não somos super heróis. Cuide de vc, cuide de quem vc ama, cuide dos seus amigos nas festas. Seja responsável pelo todo. Lembrem q eu aqui respeito a zueira, amo a brincadeira, mas quero todo mundo bem, forte, feliz e consciente de seus atos e de sua vida. A luta é essa. Tamo junto. @gabrielbartz @brunomagnatareal

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Gabriel Bartz, autor da letra de “Fábio Assunção”, também usou o Instagram para divulgar a decisão, se dizendo totalmente a favor do que foi proposto pelo ator. “Ele [Fábio] conduziu isso muito bem, veio com um projeto que eu não pensei nem duas vezes em aceitar”, explicou, ressaltando que a música começou como uma brincadeira entre amigos sem a pretensão de torná-la um hit.

Em seus vídeos, Fábio também falou sobre a dependência de maneira tocante. “Quinze porcento das pessoas do mundo têm problemas de dependência química. É muita gente sofrendo por não conseguir controlar suas compulsões e eu acho importante lembrar a todos que isso não vem escrito na nossa certidão de nascimento, todo mundo começa do mesmo jeito achando que tudo bem, mas pode não terminar tudo bem”, disse.

Além disso, ele também afirmou que torce pelo sucesso dos artistas responsáveis pela música pois conhece “a luta do artista no Brasil”, e aconselhou fãs e seguidores a respeito do vício.

“Nós não somos super-heróis, então cuide de você, cuide de quem você ama nas ruas, nas festas, seja responsável pelo todo, e lembrem: eu respeito a zoeira, amo a brincadeira, mas quero todo mundo bem, forte, feliz e consciente de seus atos”, afirmou.

Dependência química