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Atriz revela seu corpo real e explica por quê: “Não depender de aprovação masculina"

Conhecida por seu engajamento na luta contra padrões de beleza, a atriz e educadora parental Caroline Figueiredo decidiu mostrar seu corpo real nas redes sociais para se libertar das inseguranças e inspirar outras mulheres a praticarem a autoaceitação.

Nas postagens, ela tem falado abertamente sobre como se sente com o próprio corpo, o que nele a incomoda e como faz para lidar de forma mais gentil consigo.

Corpo real de Carolinie Figueiredo

Em um dos cliques, em que aparece sentada de biquíni, a atriz revelou a razão de ter decidido mostrar seu corpo sem pose ou retoques ao público.

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Amiga cada vez que você for mais longe como uma bandeirante abrindo caminhos, eu vou atrás de você @sfelippo porque chegamos num lugar de amizade de limpar competições, de encorajar e incentivar nossos movimentos contrariando tudo aquilo que a sociedade machista / patriarcal nos ensinou. Essa foto também é uma antiga que não quis postar: 1. Minha barriga (mesmo as estrias e a parte que mais dobra estando escondida) 2. Esse almofadado embaixo do braço direito que eu detesto em fotos (e na vida) 3. Meu peito que as vezes me excita, às vezes me deprime. Sabe uma coisa importante que me encorajou a começar a postar minhas fotos reais ? Não depender da aprovação masculina pra me dizer se to bonita, ou gorda ou se deveria malhar. Há anos posto foto querendo ser aceita e ganhar mais curtidas. Mas a motivação maior sempre foi esse senso de estética tão cobrado por nós mulheres e muitas das vezes pra agradar o masculino. Estou estudando o tantra e assumindo minha sexualidade como algo mais verdadeiro e mais pertencente a mim, só a mim. Anos projetando prazer e aceitação no outro. Esperando ser amada pra me amar depois. Não deu certo 😂 essa semana chorei com o sutra: "o que não está AQUI está em lugar nenhum. O que você procura está em você mesma". AQUI tenho trabalhado: amor, aceitação, prazer (e pagar as contas). Amo e agradeço mulheres que me dão a mão (virtualmente) e me dizem: VAI QUE TÁ TRANQUILO, vai que tá lindo! Vamos todas então @mbottan @helmother @sfelippo @alexandrismos @tallulah_moon vocês e nossa rede ! 💗💖🌺💕🌺👯e me marquem em suas fotos reais também 🍀💚☘

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Segundo ela, a foto havia sido tirada há algum tempo, mas, por vergonha de alguns detalhes de sua barriga, braço e seios, ela nunca tinha tido coragem de postar - até agora.

“Sabe uma coisa importante que me encorajou a começar a postar minhas fotos reais ? Não depender da aprovação masculina para me dizer se estou bonita, ou gorda, ou se deveria malhar”, escreveu.

Carolinie explicou que, antes, sua motivação ao postar fotos era receber curtidas e ser aceita, especialmente agradando ao público masculino.

“Anos projetando prazer e aceitação no outro. Esperando ser amada pra me amar depois”, disse, afirmando que, agora, vem trabalhando para reconhecer sua sexualidade em si, e não nos outros.

Autoaceitação

Não é de hoje que a atriz estimula essa quebra de padrões. Em entrevista ao VIX, Carol Figueiredo detalhou momentos delicados da batalha que travou durante anos contra o próprio corpo.

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Essa coisa de ódio ao corpo é muito séria! Não é só sobre estar acima do peso. No meu caso não é só acolher e amar minhas estrias, celulites e o tamanho do meu quadril. O grau de cobrança e neurose é tão grande que há mais de 20 anos eu odeio até minhas manchinhas. Minhas casquinhas de mosquitos arrancadas no ódio e na retaliação de tentar machucar alguém. É querer beber veneno pro outro morrer. Eu passei O DIA TODO vendo a vida maravilhosa das outras pessoas que eu sigo. Sei que quando estou nesse lugar estou fugindo de olhar pra dentro. Ontem falando sobre punições e castigos para educar filhos tive um insight de como arrancar minhas casquinhas era uma forma de me punir. Hoje fui a lugares profundos de pensar como não é só se desprender de punições e castigos pros meus filhos. É curarToda sociedade que pune, que cria relações no medo e na escassez. E eu recompensando frustração com paçoquinha. Pensei como até a figura de algo divino que alguns chamam de Deus pra mim sempre soou como um ser que pune, faz restrições e castiga os maus comportamentos. Basta! Hoje fiz exatamente o que faço quando chego em lugares sombrios: mergulho nos recebidos de todas celebridades que ainda sigo. Já que parei de procurar no companheiro e nos filhos, algo em mim ainda acredita que minha libertação surgirá do stories de pessoas que já estão com toda vida ganha. Agora que observei todo mecanismo, agora que abracei minhas sombras e minhas feridas antigas (que mesmo quando estão sarando eu arranco a casca/proteção). Agora que consigo observar com mais distância porque não estou identificada com minhas emoções. Ofereço colo as minhas vozes que dizem: eu sou uma farsa, uma fraude que finge poder. Minha máscara mais antiga é a fofa que aceita tudo pra agradar. Mas quando ela cai: venham venham meus monstrengos. Fale de um lugar com um pouco mais de verdade antes que o sol volte a brilhar. Meu corpo. Meu instrumento de poder. De ser quem sou no aqui e agora. Hoje cada estrela limpará essas manchinhas que ainda remetem punição. Restrição de todos os tipos. Retalhar o corpo como forma de rebeldia. Estou cheia de filtros mas estou em processo. (De ser).

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“Já vivi num ciclo vicioso de comer para compensar alguma frustração, na profissão ou em um relacionamento. E também tinha muita carência e solidão no meio disso. Estava em um ciclo perigoso do qual, mesmo depois de tomar conhecimento, é difícil sair”, disse a atriz.

E agora, Caroline passa a mostrar no dia a dia e a cada postagem seu mecanismo interno para aceitar e amar plenamente o próprio corpo.

“Verão, né? Cansei de me esconder embaixo de roupa”, escreveu na legenda de uma foto em que posa de biquíni.

Em outra, ela ressalta como imagens manipuladas divulgadas pela mídia nos levam a aceitar menos nossos corpos reais. “Odeio a maneira como meu braço é grande e sobra. Detalhe que a correção de Photoshop é muito alta e forte nos braços. Então, eu, mulher real com corpo real, odeio meus braços porque comparo com os braços artificialmente modificado das revistas. E o pior é que no fundo essa foto é linda.”

A atriz ainda faz questão de reforçar que o amor pelo próprio corpo não significa abrir mão de cuidados ou da estética, mas sim que a motivação para mudá-lo precisa partir de cada pessoa, e não de uma cultura imposta a todas.

“Eu digo: abrace seu corpo com acolhimento no aqui e agora. Isso não quer dizer que eu precise fechar os olhos para todas as coisas que eu mudaria no meu corpo. Mas até a iniciativa da mudança precisa vir de um lugar de autoamor.”

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Eu digo: abrace seu corpo com acolhimento no aqui e agora. Isso não quer dizer que eu precise fechar os olhos pra todas as coisas que eu mudaria no meu corpo. Mas até a iniciativa da mudança precisa vir de um lugar de auto-amor. Acontece que desde pequenas somos metralhadas com imagens de beleza-perfeição. Beleza-felicidade. Beleza-corpo-perfeito. A maioria dessas imagens tratadas severamente com qualquer tipo de correção seja estética ou de correção de imagem. Daí a gente vai ficando escrava de um padrão de beleza inatingível, e é por isso mesmo que a máquina gira. Gira TUDO que pode girar $$$ pra eu correr atrás do corpo perfeito, da saúde perfeita, da boca/ peito/ bunda/ orelha/ canela perfeita. Sou eu e tantas outras implorando pra fazer parte. Sou eu agradando compulsivamente pra ser aceita. Eu só projeto o outro de maneiras diferentes: já foi a carreira, já foi a família, já foi a mídia, já foram tantos homens... E eu tentando me enquadrar. Eu projetando minha felicidade / liberdade num lugar distante do futuro (quando eu... Se eu... Assim que...) ou idealizando algo do passado como as fotos antigas ou o corpo de antes dos filhos. E cá estou em espiral, ora preenchida de auto amor e espalhando isso por aí. Ora detestando ser quem sou, miraculando novas maneiras de esconder (minhas estrias, minha celulite, meus flancos e minha tendência a depressão/ compulsão). Essa tem sido minha busca: viver na presença, no presente. Mas o primeiro passo é aceitar e assumir esse corpo. Senão é fuga. No silêncio, na pausa do aqui e agora, meu corpo é perfeito (assim como eu). E eu estou em paz. Aonde a mente não toca, aonde o julgamento alheio não chega. Quando eu não me olho de fora, nesse instante, eu estou em paz. E na presença de ser quem sou, no aqui e agora. #cantodamulherquecanta #gordofobianãoépiada

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Amar o próprio corpo