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Como identificar que uma amiga está em um relacionamento abusivo e ajudá-la?

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Todo relacionamento abusivo atua sobre a vítima como se fosse uma tortura psicológica e emocional. Pouco a pouco, o romance que parecida ter saído de um conto de fadas vai se transformando em uma união tóxica, em que uma das partes passa a controlar, humilhar e limitar as ações e companhias da outra. 

Importante ressaltar que nem toda relação abusiva envolve agressões físicas. Muitas vezes, elas são psicológicas - disfarçadas de estresse -, e podem causar danos nas vítimas assim como qualquer outro tipo de violência.

O abuso emocional inclui humilhação, intimidação, coerção, ciúmes extremos e isolamento de familiares ou amigos - o que pode ser feito de forma aparentemente "carinhosa", ou seja, a agressividade nem sempre é explícita.

Por ser gradativo, nem sempre é fácil identificar quando uma pessoa próxima a nós está envolvida em uma relação como essa. O abusador consegue manipular a vítima através do controle psicológico, que é feito aos poucos. Por isso, quanto antes a vítima perceber que está em uma relação ruim, mais rápido será sua recuperação.

Sinais de um relacionamento abusivo

Humilhações em público

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Antonio Guillem/Shutterstock

“Muitas vezes, o abusador humilha ou critica a pessoa abusada numa situação social, ou as demais pessoas podem perceber o olhar de reprovação do abusador sempre que a pessoa abusada tenta expressar alguma ideia própria ou começa a falar de algum assunto na roda da conversa” exemplifica Mario Louzã, psiquiatra pós-doutorando no Instituto Central de Saúde Mental em Mannheim, Alemanha. 

Mas, é bom estar atento aos pequenos detalhes e não subestimar o agressor. Em certos casos, como explica Louzã, o abusador é perspicaz o suficiente para não deixar transparecer tais características em público, sendo discreto e procurando isolar a pessoa abusada para que não tenha chance de se expressar. 

Controle de grupo de amigos e roupas

O isolamento social é um dos primeiros sinais a serem notados. A vítima nem sempre percebe que está se isolando, pois em sua cabeça, está apenas dedicando mais tempo a relação. 

Em casos de controle extremo, o agressor tenta impedir que a parceira saia sozinha com amigos ou use determinadas roupas. Quando confrontado pelo seu comportamento manipulador, o abusador alega cuidado, ciúmes, amor. Em um jogo mental, ele faz com que a vítima ache que, quanto mais limitador ele é, mais ele a ama.

Baixa autoestima 

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Aleksandar Mijatovic/Shutterstock

As vítimas de relacionamentos tóxicos não se percebem como pessoas dignas e merecedoras de amor. No geral, elas se sentem inferiores se comparadas ao parceiro, e o agressor usa isso em favor próprio.

Um dos meios de agredir e controlar emocionalmente as vítimas é afirmando, por exemplo, que, se não fosse por ele, a outra pessoa estaria sozinha.

Sem que possam enxergar qualidades em si mesmas, essas pessoas aceitam qualquer tipo de relação com medo de serem rejeitadas e ficarem sós. 

Sentimento de dependência

Muito frequentemente, o domínio é exercido por alguma vantagem que uma das partes tem sobre a outra, como o poder financeiro, por exemplo. Muitas mulheres, que não trabalham por opção ou porque foram obrigadas pelos parceiros, se sentem na obrigação de aguentar qualquer tipo de tratamento porque são “bancadas”.

O agressor passa a controlar as roupas, alimentação e até mesmo contato com amigos e familiares. Em casos graves, eles fazem com que as vítimas excluam suas redes sociais ou não participem de grupos no WhatsApp, por exemplo. 

Hematomas

Em casos mais graves, a vítima pode aparecer com marcas de agressão física, como hematomas ou escoriações no corpo. Envergonhadas, as mulheres que se tornaram reféns do próprio relacionamento inventam desculpas para justificar as marcas pelo corpo ou mesmo o comportamento do agressor.

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Nesses casos, é preciso ser firme. Insista para que sua amiga comece o quanto antes tratamento psicoterapêutico e que abandone a relação, além de procurar ajuda e informação junto à Delegacia da Mulher. Ofereça abrigo, caso ela precise sair de casa, ou ajude a buscar algum local seguro onde ela possa ficar.

Uma união que evoluiu para tapas já perdeu o respeito e o amor há tempos, e permanecer no mesmo ambiente que o abusador colocará a vítima - e seus filhos, caso haja - em perigo.

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