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Luto não ocorre só na morte: entenda todas as fases e a importância de viver cada uma

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Sentir que aquilo ou aquele que se foi deixará a vida incompleta é natural para pessoas que estão passando por algum tipo de luto. Ao contrário do que muitos pensam, este não é um sofrimento restrito à morte de entes queridos.

O luto pode acontecer por diversos motivos, desde o desemprego, término de namoro, até mesmo a saída dos filhos de casa.

"Na realidade, qualquer perda, seja de alguma coisa ou alguém com quem se teve forte vínculo, pode ser caracterizada como luto. E é preciso respeitar o momento dessas pessoas", comenta a psicoterapeuta, especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Sabrina Gonzalez.

Sinais do luto: quais são

A especialista comenta que os sintomas podem aflorar de maneiras diferentes em cada pessoa.

"Há quem chore com frequência e quem tenha bloqueio de chorar. Mas os sinais mais comuns são desânimo, mudança de humor e, geralmente, mais sentimento de raiva. Já algumas pessoas ficam extremamente retraídas", diz Gonzalez.

Fases dos lutos

Especialistas da área da psicologia entendem que o luto apresenta diversas fases, mas nem sempre elas acontecem em uma sequência exata. Tampouco de forma tão definida.

Outro aviso que a psicoterapeuta Sabrina Gonzalez reforça é para a importância de passar por esse processo de perda, por mais doloroso que seja. "Algumas pessoas simplesmente acham que conseguem negar a perda, mas isso pode ter um efeito rebote mais sério depois", comenta. 

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Negação 

É a fase da defesa psíquica, quando a pessoa não aceita o que aconteceu e tenta contornar a situação. "Ela cria até mesmo mecanismos fantasiosos, porque através disso evita lidar com a emoção do fato", comenta a psicoterapeuta. 

Raiva e barganha

É quando a pessoa começa a ter raiva do que aconteceu, se sentir injustiçada e perguntar os motivos de tudo o que houve. "E muitas vezes a barganha aparece junto, quando o indivíduo tenta 'negociar' com a vida pelo que ocorreu. É um sentimento de responsabilidade", comenta a especialista. 

Depressão

Demarca a fase da melancolia e do reconhecimento da perda, e de que não há mais como voltar atrás. "Mesmo reconhecendo, outros sentimentos como a raiva podem aparecer novamente, e é completamente natural", garante a psicóloga. Há quem não consiga sair desta etapa e precise de ajuda profissional para isso. 

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Aceitação 

Geralmente é a última fase do luto e é caracterizada pelas pazes com o que aconteceu. "A pessoa começa a enxergar perspectiva sem aquele ou aquilo que se perdeu e que está pronta para seguir em frente", diz.

Como ajudar alguém nessa situação?

É possível que muitas pessoas sintam vontade de simplesmente tirar a dor do outro. Mas isso não é possível.

A melhor maneira de acolher quem passa por essa situação é respeitar o momento e não julgar os sentimentos alheios. "É literalmente ouvir e escutar de maneira afetuosa, sem julgamentos ou pressões", diz Sabrina Gonzalez. 

Frases que podem ajudar: "Entendo como você se sente e estou do seu lado"; "sei que é difícil, estou aqui para o que precisar". 

Quanto tempo dura o luto? 

A especialista explica que a duração muda de acordo com o tipo da perda. Isto é, se aconteceu inesperadamente, se foi de alguém com quem se tinha muito vínculo afetivo, como filhos ou pais, etc.

"Porém, é preciso lembrar que nunca podemos subestimar a dor alheia, por menor que nos pareça ser", alerta Sabrina. 

Superação de um luto 

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É fato que não há tempo ideal para o luto acabar, mas é importante dizer que quanto mais a pessoa adiar o contato com a tristeza e a perda, mais será prejudicial lidar com isso no futuro. 

"Não é algo legal, é sofrido, mas tudo é passageiro. É um momento de dor, mas essencial para ajudar a lidar com coisas mal resolvidas. E ensinar a ver a vida de outro modo e descobrir novos caminhos e perspectivas."

Muitas pessoas pensam que o processo de luto é negligenciar o que se viveu. "Porém, é o contrário, aquilo sempre será parte de você. Toda a história vivida até então sempre existirá. Mas é preciso enxergar o que ainda se tem pela frente", comenta a especialista. 

Comportamento e ansidade