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História de Palmirinha é emocionante: violência doméstica, erro médico e trajetória vitoriosa

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Giovanna Mazzeo/Vix

A trajetória que Palmirinha Onofre traçou até se tornar uma das culinaristas mais reconhecidas da televisão e figura amada por todos os brasileiros parece enredo de filme. Agressões na juventude deram início a uma vida marcada por violências e dificuldades, mas também superações e vitórias.

A apresentadora lembrou de tudo com emoção ao recontar sua história ao VIX. Orgulhosa da família que conseguiu construir e grata por concluir que sua garra foi capaz de superar o improvável, ela não hesita em dizer com todas as letras: "Eu venci".

História de Palmirinha Onofre

Admirada por chefs renomados, a apresentadora de TV conta que aprendeu a cozinhar quando ainda era uma menina. “Eu nasci na cozinha”, brinca. “Fui criada em um sítio vendo a minha mãe cozinhar, fazer pão. Minhas avós também cozinhavam muito bem. Com 5 anos, minha mãe colocava um banquinho para eu subir e mexer as panelas”, relembra.

Antes de conquistar seu espaço na televisão, Palmira - seu nome de batismo - trabalhou como governanta por 20 anos. Mas foi a venda de bolos, sonhos, quitutes e salgadinhos na rua aos finais de semana que a ajudou a criar sozinha suas três filhas.

Ela também deixava alguns quitutes em consignação em um salão de beleza que, aliás, frequenta até hoje. O sucesso foi tanto que ela saiu do emprego para se dedicar exclusivamente às vendas.

E quase não deu conta: Palmirinha lembra de um jantar para 500 pessoas que precisou cozinhar sozinha em um fogão de 4 bocas. No Natal, eram de 25 a 30 ceias vendidas, cada uma com cinco pratos. “Como eu conseguia, eu não sei”, diz rindo.

Violência na juventude

Não só de dificuldades financeiras foi marcada a vida da culinarista. Aos 7 anos, ela foi “adotada”. Ainda criança, foi embora de Bauru, no interior de São Paulo, para viver na capital com uma francesa que prometeu dar a ela estudo e poupança.

Quando tinha 14 anos, seu pai faleceu, e ela voltou para Bauru. “Depois que eu perdi o meu pai foi que começou o sofrimento. Tive uma juventude muito triste. A minha mãe era uma mulher maravilhosa, mas grosseira com os filhos, principalmente comigo. Ela judiava. Eu trabalhava muito para sustentar os meus irmãos, que eram pequenos, e, quando chegava em casa à noite, minha mãe fechava a porta para eu não entrar. Fiquei até os 17 anos sofrendo”, relembra com lágrimas nos olhos.

"Tive um mau marido"

Aos 19 anos anos, Palmirinha se casou para sair de casa. "Namorei mais ou menos um ano e meio e me casei. Eu queria sair de perto da minha mãe, queria sair de casa", relembra. Apesar de ter durado 20 anos e gerado suas três filhas, o casamento não foi fácil.

“Ele foi um mau marido, era muito agressivo, violento”, conta. “Naquela época, quem se separava do marido não prestava, e eu tinha medo que isso afetasse o casamento das minhas filhas, então fui aguentando."

Durante as dificuldades, ela, claro, usava a criatividade culinária para driblar os problemas. Em uma dessas vezes, a cozinheira lembra que precisou se virar para comprar uniformes da escola para as filhas.

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Giovanna Mazzeo/Vix

"As três usavam o mesmo blusão e, quando começaram a estudar no mesmo período, eu não sabia o que fazer. A diretora da escola me chamou e disse: 'Palmira, a sua filha não entra amanhã se estiver sem o blusão do uniforme', mas eu não tinha dinheiro para comprar", conta.

A solução foi pegar dinheiro emprestado para preparar um sonho diferente que inventou. "Saí para vender no salões de cabeleireiro e nas casas e, em uma hora, vendi 30. Voltei para casa, fiz mais e saí de novo. Em uma semana, consegui pagar a pessoa que me emprestou", relembra.

Erro médico

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Ramón Vasconcelos/TV Globo

A apresentadora conseguiu se divorciar depois que a filha do meio se casou. Mas, logo depois disso, na década de 1980, um câncer no útero a levou à mesa de cirurgia, onde foi vítima de um grave erro médico. “Fui desenganada pelos médicos. Fique um ano entre a vida e a morte”, diz.

“Costuraram o meu ureter, fiquei 45 dias internada, entrando e saindo do hospital. Um dia antes de eu fazer outra cirurgia de muito risco, eu finalmente consegui fazer xixi e não precisei operar de novo. Foi um milagre”, relembra.

Como Palmirinha foi parar na televisão?

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Globo/João Cotta

Palmirinha estreou na TV Gazeta em 1997, aos 66 anos de idade. Mas tudo começou em 1991, quando uma diretora de TV a chamou para fazer uma participação no programa da Silvia Poppovic.

O convite, no entanto, não tinha nada a ver com culinária: tratava-se de uma entrevista para Palmirinha falar sobre as dificuldades de criar três filhas sozinha. É que ela costumava cozinhar na casa da diretora do programa, que, por isso, sabia de sua história.

A cozinheira aceitou o convite e, como gentileza, levou para Silvia Poppovici uma cesta feita com massa de pão cheia de empadinhas feitas por ela.

“Levei para deixar no camarim da Silvia, mas ela levou a cesta para o palco. Quando a entrevista acabou, acabou fazendo a maior propaganda das minhas empadinhas: falou que eu fazia salgadinhos para vender, festas, jantares, congelados... e foi aí que os pedidos estouraram”, relembra.

A culinarista participou do programa algumas outras vezes e acabou sendo vista por Ana Maria Braga, que, na época, tinha o programa “Note e Anote”, na TV Record, e a convidou para ter um quadro semanal de culinária na TV.

“Eu não ganhava nada, era só propaganda do meu trabalho. Por seis anos, eu ia toda segunda-feira preparar o café da manhã no programa. Quem me batizou de Palmirinha foi a Ana Maria, porque eu a chamava de Aninha, e ficou”, relembra.

O programa abriu muitas portas para a cozinheira, que passou a ser conhecida nacionalmente, viajar o Brasil inteiro dando aulas de culinária e trabalhar para grandes empresas alimentícias. “A Ana Maria me deu muita força. Ela que me ensinou como falar e como tratar o meu público”, enfatiza, agradecida.

Quando Ana Maria saiu da Record, a TV Gazeta fez um convite à Palmirinha. “Perguntaram quanto eu ganhava por mês fazendo as comidas. Eles cobriram e eu comecei a trabalhar lá, onde fiquei por 11 anos”, comenta.

Depois disso, ela gravou 3 temporadas do Programa da Palmirinha para a Fox e, atualmente, continua trabalhando a todo vapor, alimentando seu site, suas redes sociais e fazendo comerciais.

“Um dia, eu fui me benzer e me disseram: 'Você vai ser tão famosa, tão famosa, que você vai se beliscar para acreditar'. Eu respondi dizendo que isso só aconteceria se um dia eu assaltasse um banco, porque então eu sairia no jornal e ficaria famosa. Até hoje eu não acredito, não me entra na cabeça que eu sou famosa. Eu venci. Me dei para o mundo e ele me retribuiu”, revela.

Palmirinha e Ana Maria Braga: reencontro

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Globo/João Cotta | Globo/João Cotta

Em abril de 2019, Ana Maria Braga recebeu Palmirinha em seu programa, o "Mais Você'. Nele, as antigas amigas tomaram café da manhã juntas e relembraram passagens da vida de Palmira. Foi um encontro emocionante que gerou comoção na web.

"Foi muito sofrimento, muitas portas se fechando, mas quando eu entrei para trabalhar com você foi onde eu fui crescendo. E onde eu pude aprender a falar na televisão, a atender meu público, foi com você, Aninha", lembrou com a voz embargada.

Assista a um trecho do programa:

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