Crítica de "Coringa": 5 pontos para prestar atenção no elogiado e polêmico filme

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Warner Bros. Pictures

Uma das estreias mais aguardadas do ano - especialmente após a aclamação no Festival de Cinema de Veneza -, “Coringa” chega aos cinemas na próxima quinta-feira (4). Ao transformar o icônico vilão do Batman em protagonista de sua própria história, o filme entra no caos e na tensão que deram origem a um dos personagens mais cruéis da ficção - e abre muito espaço para a reflexão.

Crítica de "Coringa"

De vítima a vilão

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Niko Tavernise

Antes de se tornar o Coringa, Arthur Fleck é - não há outra palavra - um coitado. Injustiçado, agredido fisicamente e assediado moralmente, o personagem aparece com pouquíssima habilidade social e cercado de problemas internos. Uma vítima da família, do trabalho, do governo, da sociedade.

É impossível não se comover e se indignar com o início da história de Arthur - mais do que uma “boa pessoa”, ele parece indefeso, o que torna as injustiças ainda mais cruéis. Somado a isso, ainda há um recurso já conhecido, que sempre emociona: o protagonista tem um grande sonho, mas é ridicularizado por isso.

Depois de todo esse bullying, o filme começa a testar as percepções: Arthur é, sem dúvidas, um produto de uma sociedade que ignora, apaga e bate em pessoas que não correspondem a padrões. A rejeição a exclusão ajudam a provocar atitudes drásticas. Mas ele deixa de ser uma vítima.

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Niko Tavernise

Arthur Fleck é um vilão. O sentimento de pena se torna repulsa quando ele vira o agente da violência que sempre sofreu e responde cometendo crimes inescrupulosos. Esta é uma das reflexões que vão deixar todo mundo pensativo depois de assistir “Coringa”: não há justificativa para defendê-lo, mas dá para compreender.

Universo do Batman

Uma das principais opiniões que surgiram com o anúncio de um filme solo do Coringa é que ele não existe sem o Batman - e que o herói só existe por causa do vilão. Apesar de a trama correr bem independente do universo dos heróis, de fato: um não existe sem o outro. A clássica história de origem do Batman que já vimos nos filmes e nos quadrinhos está ligada à origem do palhaço e “Coringa” se amarra bem ao surgimento trágico e sombrio do Homem-Morcego.

Coringas do cinema

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© TM &DC Comics.2008 Warner Bros. Entertainment Inc

Recentemente, Jared Leto foi bem criticado pelo Coringa de “Esquadrão Suicida”, enquanto Heath Ledger ganhou um Oscar pelo mesmo papel anos antes. Com Joaquin Phoenix, o vilão ganha, de novo, um tom completamente diferente: sem outros personagens importantes, do bem ou do mal, para fazerem contraste, o protagonista parece muito mais real.

Ao conhecermos todo o passado do vilão, a maldade dele sai do mundo “fantástico” e vem para a realidade. É difícil sair do filme sem imaginar quantas pessoas parecidas com ele e que compartilham de sua visão de mundo podem existir por aí.

Joaquin Phoenix

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Amy Sussman/Getty Imaes

Não à toa, o ator foi ovacionado no Festival de Veneza: Joaquin Phoenix se entregou de corpo e alma ao papel. Além de ter perdido 23 quilos para o personagem, Phoenix contou que a preparação para viver um personagem ainda mais perturbado do que ele já costuma fazer foi difícil.

“Ele simplesmente saía andando no meio das cenas. Os outros atores ficam pensando que tinham feito algo, mas não era isso. Era sempre quando ele não estava sentindo o personagem”, disse o diretor Todd Philips.

Visual

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Warner Bros. Pictures

Além da história instigante, o visual de “Coringa” também é marcante e cheio de personalidade. Ambientado na cidade de Gotham dos anos 80, os cenários ajudam a entender qual era o contexto que ajudou o personagem a se tornar um ícone por lá: com lojas indo à falência, lixo espalhado por todo lugar e prédios abandonados, entendemos que a sociedade está à beira do colapso e, assim, uma figura caótica como o Coringa vira uma espécie de símbolo.

Polêmicas

Antes mesmo do lançamento, uma discussão importante surgiu: como não romantizar o vilão? Na trama, os atos violentos do Coringa inspiram uma espécie de revolução. Já há uma guerra iminente entre grupos e o personagem só vem acelerar o conflito. Mesmo agindo apenas em benefício próprio, sem nenhuma moral ou regra, acaba sendo visto como a única solução.

Nesse ponto, “Coringa” conta com o senso crítico do público: é possível (e importante) pensar sobre o que pode acontecer quando pessoas são excluídas da sociedade. Ainda assim, é a história de um homem que se vê incompreendido e decide descontar a frustração em todos. Não há nada de heroico nisso.

Vídeo: Phoenix não queria ser o Coringa

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